Estado já calcula prejuízos com nova estiagem no Oeste

Perda nas lavouras de milho é estimada em 10%

Por Redação Oeste Mais

03/12/2012 08h19 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



A agricultura de Santa Catarina encerra o ano da mesma forma que iniciou: enfrentando problemas de estiagem. Quatro municípios já decretaram emergência: Irani, Jaborá, Ipira e Herval do Oeste. Em algumas cidades, como Videira, choveu menos de 10% da média histórica.


A hidrelétrica de Machadinho, em Piratuba, suspendeu a geração de energia. A perda no milho já chega a 10%, segundo o presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola (Cidasc), Enori Barbieri, vice-presidente da Faesc.


Ele destaca que, além da quebra, o milho está quase um mês atrasado, em virtude de problemas no plantio, o que agrava a crise no Estado. O grão está cotado em R$ 35 em Chapecó, o dobro do valor de dois anos atrás.


Barbieri afirma que SC precisa implementar uma política de estímulo ao plantio do milho. Os pedidos do Estado junto ao governo federal também surtiram pouco efeito, já que veio apenas 140 mil toneladas para uma demanda de 1,8 milhão.


O analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Francisco Heiden, estima as perdas do milho entre 8% e 10%. Além disso, ele projeta um quebra de 8% a 12% na produção de leite, parte em virtude da fase de transição das pastagens, mas, principalmente, devido à falta de chuva.


A técnica em meteorologia do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de SC (Ciram), Laís Fernandes, diz que há uma previsão de chuva próxima da média histórica.


— Não dá para dizer que vai ser uma estiagem — avalia Laís.


Na estiagem passada, que durou entre novembro de 2011 e junho de 2012, foram afetadas 800 mil pessoas em 152 municípios, com prejuízo de R$ 770 milhões. Muita coisa foi prometida, mas nem tudo foi cumprido (veja os detalhes no quadro ao lado).


O secretário de Agricultura, João Rodrigues, destaca que, em dezembro, será licitada a compra de 117 tratores e cem distribuidores de adubo líquido. E os municípios devem entregar a documentação para a perfuração de poços até o final do mês.


O que veio - R$ 5,3 milhões, R$ 456,8 mil do Fundo Estadual da Defesa Civil e o restante do governo federal para compra de tanques, água mineral, purificadores e motobombas - R$ 2,7 milhões do governo estadual para auxiliar nos serviços contra a estiagem, principalmente transporte de água. - R$ 5 milhões do programa Juro Zero investidos na construção de 248 cisternas. Tem mais R$ 5 milhões disponíveis - R$ 400 para 64 mil famílias beneficiadas pelo bolsa estiagem do governo federal. Ficaram de fora entre 10 mil e 15 mil famílias - R$ 10 mil por família de crédito do governo federal, com juro de 1% ao ano e bônus de 20% para quem pagar em dia - R$ 800 milhões do Proagro para o Sul - Dívidas prorrogadas


O que falta chegar - R$ 10,9 milhões para aquisição de 117 tratores e 100 distribuidores de adubo líquido para transporta água para os interior dos municípios de um convênio com Ministério da Agricultura e Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca (R$ 9,7 milhões) e contrapartida do governo do Estado (R$ 1,15 milhão) - R$ 9,9 milhões do Ministério da Integração Nacional e Secretaria de Estado da Defesa Civil com R$ R$ 1,1 milhão de contrapartida do governo do Estado para perfuração de 336 poços com bombas d´água e reservatórios de 20 mil litros para 99 municípios - R$ 60 milhões do Programa Caminhos do Desenvolvimento anunciado pelo governo do Estado (parte de um empréstimo de R$ 611 milhões com o BNDES) para minimizar os efeitos da estiagem.


O que não veio - Anistia de dívidas - Seguro que garantisse renda ao agricultor em caso de perdas e não somente cobrisse o financiamento - Milho suficiente. Veio apenas 10 mil toneladas para uma demanda de 1,8 milhão de toneladas.

DC / Darci Debona


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