Lateral da Chapecoense revela ter sido chamado de macaco por torcedor do Criciúma

Jogador relata caso de injúria racial após vitória em duelo da Copa do Brasil

Por Oeste Mais

12/04/2019 10:28 - Atualizado em 12/04/2019 10:29



Eduardo atuou contra o Criciúma na última quarta-feira (Foto: LUCAS SABINO/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO)

Eduardo, lateral-direito da Chapecoense, revelou nesta quinta-feira, dia 11, dia seguinte à vitória da sua equipe sobre o Criciúma por 2 a 0, no Estádio Heriberto Hülse, pela terceira fase da Copa do Brasil, ter sido alvo de injúria racial.

 

Quando o jogador se preparava para dar entrevista, na saída do gramado, um torcedor do time da casa o chamou de macaco. Eduardo rebateu e passou a ser xingado por outras pessoas que estavam próximas ao torcedor. Ele acabou não dando entrevista e desceu para os vestiários.

 

Nesta quinta, o lateral-direito concedeu entrevista coletiva no CT da Chapecoense e após responder os questionamentos dos jornalistas presentes, já fora dos microfones, revelou o ocorrido, demonstrando muito abatimento com a situação.

 

Eduardo não registrou boletim de ocorrência e o fato também não foi relatado em súmula pelo árbitro da partida, Leandro Vuaden. A vitória por 2 a 0 garantiu a Chapecoense na próxima fase da competição nacional.

 

Nota de repúdio

 

Horas após Eduardo revelar ter sido alvo de injúria racial, a Chapecoense divulgou uma nota oficial em seu site repudiando o ato dos torcedores do Criciúma. Confira o comunicado:

 

Na noite de ontem, ao deixar o gramado após a partida entre Criciúma e Chapecoense, o lateral Eduardo, infelizmente, foi mais uma das vítimas do racismo. O atleta foi chamado de macaco por uma pessoa que estava na torcida adversária, mas que, certamente, não representa em nada os torcedores carvoeiros – que receberam, de forma digna e civilizada, a delegação alviverde, fazendo uma bonita festa no Heriberto Hülse.

 

Em sinal de respeito e apoio ao atleta e diante de um fato tão infeliz, a Associação Chapecoense de Futebol reitera o seu repúdio, de forma veemente, a qualquer manifestação de preconceito e considera incabível, retrógrado e infundado que, ainda hoje, o racismo seja uma realidade “comum” na nossa sociedade e no futebol – famoso por nos unir nas diferenças.

 

O clube não ficará inerte diante deste ocorrido e lutará para que todas as medidas cabíveis sejam tomadas. Racismo não é normal e está atitude não passará.

 

Somos todos iguais

 

Presidente pede desculpas

 

O Criciúma se posicionou, também em nota oficial, com uma mensagem do presidente Jaime Dal Farra. O mandatário se desculpou pelo incidente e afirmou que também ajudará com a identificação do torcedor. Confira a nota:

 

Em virtude de um fato lamentável ocorrido no jogo contra a Chapecoense, pela Copa do Brasil, na noite de quarta-feira (10 de abril), quero deixar claro que só fiquei sabendo do ocorrido, com ofensa racial ao atleta de nosso adversário pela matéria que acabei de ler.

 

O fato aconteceu ao final do jogo, quando eu já me retirava para o vestiário do Criciúma, assim que li, hoje a noite (11 de abril), imediatamente, solicitei aos profissionais que cuidam das imagens de segurança do estádio, que preservem todo o material para que o Criciúma possa entregar às autoridades, assim que solicitadas, para que sejam tomadas todas as providências necessárias. Esse é um fato isolado, que não representa o comportamento do torcedor e nem do cidadão de bem do povo de Criciúma.

 

Quero pedir em meu nome e do nosso Clube, desculpas ao atleta Eduardo, da Chapecoense, aos seus dirigentes e torcer para que as autoridades identifiquem o autor das ofensas e que essa pessoa seja punida dentro dos critérios da Lei. Temos a reta decisiva do Campeonato Catarinense e torço para que, todos os Clubes e seus torcedores, possam fazer uma grande festa.

Com informações da Jovem Pan e do Globo Esporte


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