Vencendo o preconceito, amigas que se tornaram noivas contam história de amor

Laleska e Sabrina eram melhores amigas e hoje são noivas

Por Andressa Maria Guinzelli

10/06/2021 11h00 - Atualizado em 10/06/2021 14h25





É natural que muitas pessoas sonhem com aquele amor de filme, em que tudo acontece da forma mais inesperada possível, com o encontro no meio da rua, o sorriso que se cruza dentro de um elevador. Mas o que não imaginamos é que na verdade os filmes são baseados na vida real, com um pouco de romantização, claro.

 

A história de Laleska Potulski Brasil, de 20 anos, e Sabrina Barboza, de 21, se inicia como em um daqueles filmes clichês, que nos prendem e instigam a tentar desvendar o final. Mas a diferença é que na vida real, quem comanda a história de amor são os corações.

 

O ano é 2017. Os olhares se cruzam em um treino de futsal. Um sorriso no canto da boca se solta, e assim nasce a conexão e sintonia que em pouco tempo viraria amor.

 

A facilidade de contato pelas redes sociais fez com que Sabrina e Laleska se tornassem melhores amigas e a aproximação foi instantânea. Dentro do mesmo período, o primeiro beijo. Mas o tempo que distorce nossas vidas e nos surpreende, fez o mesmo com as então amigas, que acabaram se afastando e seguindo caminhos diferentes.

 

Como destino, em pouco tempo a reaproximação aconteceu. A partir daí tornou-se impossível se afastar. O amor mútuo e recíproco fazia parte do dia a dia das jovens, o que fez com que Laleska pedisse Sabrina em namoro, no dia 20 de outubro de 2018, um ano e meio depois do primeiro olhar.

 

Foram muitas lágrimas derramadas, longas conversas e preconceito de todos os lados. Mas Laleska e Sabrina encontraram uma na outra a força para superar os medos e fazer mais uma vez com que o amor vencesse o ódio de uma sociedade adoecida pelo preconceito.

Juntas desde 2018, jovens contam história de amor (Foto: Arquivo Pessoal)

Certas do sentimento uma pela outra, no dia 23 de maio de 2019, justamente no dia em que a maioria do STF votou pela criminalização da homofobia, Sabrina tomou um dos passos mais importantes do relacionamento até então e pediu Laleska em casamento.

 

As  jovens, que hoje moram em Passos Maia, no Oeste de Santa Catarina, viveram momentos lindos juntas após o inicio do namoro, e quando questionadas sobre o que uma mais admira na outra, descrevem em frases curtas o significado de tudo:

 

“ É difícil escolher apenas uma coisa que eu mais ame da Laleska porque ela é incrível e super talentosa em tudo que faz e como pessoa, mas a coisa mais marcante eu acho que é a forma como ela me entende e entende qualquer pessoa, o cuidado que tem com quem ama, que me dá um quentinho no coração”, destaca Sabrina.

 

“O senso de justiça dela! As convicções fortes do que é certo e errado e a maneira como ajuda quem ama a deixa ainda mais especial para mim. Todas as causas sociais são importantes para ela e isso significa muito, tenho uma lutadora ao meu lado”, comenta Laleska.

 

O olhar entre as jovens que hoje já estão juntas há quase três anos, sendo dois de noivado, demonstra reciprocidade e prova diariamente que o amor vence barreiras. Laleska encontrou ao lado de Sabrina um alicerce importante para a vida, e Sabrina vê em Laleska o conforto de um amor tranquilo.

 

“A nossa relação se tornou uma casa, onde as frustrações podem ser colocadas em cima da mesa ou no quartinho da bagunça para lidarmos juntas mais tarde, onde procuramos apoio e encontramos. Nos tornamos um lar”, relatam as jovens.

 

Com planos para o futuro que caminham de mãos dadas, as meninas sonham com o mundo da fotografia, em alcançar o sucesso e desbravar o mundo, uma ao lado da outra.

Laleska e Sabrina se conheceram em 2017 (Foto: Arquivo Pessoal)

Preconceito 

 

Atitudes que parecem simples de um relacionamento heterossexual, como andar de mãos dadas na rua, se beijar durante um jantar romântico ou abraçar quem ama, costumam despertar olhares tortos, ofensas e um extremo preconceito para quem é LGBTQIA+. 

 

Nada nunca é simples na vida do casal homoafetivo. Embora conheçam as dificuldades e que precisam enfrentar o preconceito, nunca se tornará comum ser julgado por viver ao lado de quem ama. Mesmo como uma luta de anos, as jovens destacam que “o preconceito vem diariamente de maneiras diferentes".

 

“Geralmente tentamos ter uma conversa saudável quando percebemos que a pessoa está aberta a isso, quando não temos abertura, o sentimento é mais de frustração e dependendo a forma do ataque, sentimos medo”, comenta Laleska.

 

Como apoio e em mais um gesto de amor, as jovens deixam um recado para quem, assim como elas, vivenciam a dor do preconceito:

 

Primeiramente, força, vocês vão precisar! 

O mundo não vai ser bonito em todos os momentos para nós, não podemos mentir. 

A caminhada é áspera, cheia de espinhos, lâmpadas na cara e xingamentos na rua, mas procurem manter-se rodeados de pessoas que te queiram bem, o apoio é essencial para uma vida saudável e decente. 

Quem amar vocês de verdade não vai dizer que “não aceita, mas respeita”. Quem amar vocês de verdade vai se mostrar presente com os curativos para as tuas feridas causadas pela intolerância do século XXI. Depois que vocês perceberem quem é quem fica mais fácil, acreditem. 

Segundo, sabemos que é difícil mas não deixem que ninguém diga que o amor de vocês não vale a pena ou que não é digno, porque ele é. 

Vocês merecem o amor, merecem ser amados e merecem todo o carinho e compreensão do mundo.

Vocês não estão sozinhos, nunca vão estar por mais que pareça! 

Um abraço super apertado nosso e de toda a comunidade LGBTQIPA+ 

Nós prometemos ser sempre que possível um curativo para vocês?????‍????

 

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