Fotógrafa de Xanxerê é reconhecida nacionalmente por fotografar mulheres com câncer

Trabalho teve destaque no país e incentiva o empoderamento das mulheres

16/11/2018 09:56 - Atualizado em 16/11/2018 09:58



Cátia fotografou 33 modelos com câncer (Fotos: Cátia Line Rissi)

Com 33 anos, formada em design e pós-graduada em fotografia pela Uniara de São Paulo, Cátia Line Rissi, buscou novos conceitos para suas fotográficas, trazendo à tona o empoderamento da mulher, quebrando os conceitos da mulher padrão e apresentou uma nova percepção sobre mulheres que enfrentaram o câncer.

 

Ela iniciou sua carreira fotográfica em 2006 e hoje tem seu próprio negócio. O Estúdio Lente Azul. Desde o início de sua carreia como fotógrafa em um estúdio, Cátia sempre teve o desejo de realizar um trabalho social por ano. Esse desejo tinha um único intuito: o empoderamento através da fotografia.

 

Por dois anos, Cátia realizou trabalhos fotográficos com alunos da Apae, no município e Xaxim e, no ano de 2016, suas lentes se voltaram para as mulheres com câncer.

 

Segundo a fotógrafa, a ideia surgiu depois de ver e ter a inspiração de fotógrafos nacionais e internacionais que faziam o mesmo trabalho. “Esse não foi o primeiro trabalho com esse objetivo, mas acredito que quando a fotografia tem poder social, quando o trabalho é bem visto e resulte no bem, merece ser copiado”, ressalta Cátia.

 

O trabalho foi sendo elaborado aos poucos juntamente com a Rede Feminina de Combate ao Cancêr de Xanxerê. Nesse trabalho foi apresentado um projeto com referências nacionais e internacionais de fotógrafos que realizaram esse mesmo segmento de trabalho.

Trabalho desenvolvido por Cátia, mostra o empoderamento através da fotografia (Fotos: Cátia Line Rissi)

Posteriormente, a ideia foi apresentada para Rita que é presidente da instituição e em seguida levada para mais algumas pessoas da rede, para então ser apresentada às mulheres.

 

“No começo não sabíamos quantas mulheres iriam fazer essas fotos e se alguma iria querer. Era algo um tanto quanto ambicioso da nossa parte, afinal, querendo ou não era uma exposição e eu sempre me questionei se elas iriam aceitar fazer fotos assim”, explica.

 

Cátia também sentia a preocupação das mulheres com relação a suas aparências físicas. Muitas diziam estar acima do peso ou abaixo, se sentiam feias por seus rostos apresentarem rugas e outras questões que entram na aceitação pessoal.

 

“Eu não podia cobrar delas pelo serviço, então eu levei para a rede feminina a ideia e eles, juntamente com os psicólogos, fisioterapeutas e com toda a equipe, conversaram com algumas mulheres para entrarem em contato para serem fotografadas”, conta Cátia sobre o andamento do projeto.

 

Para as fotos, as participantes teriam duas opções: fotos somente mostrando suas cicatrizes ou então, mostrando seus rostos também. Das 33 mulheres que aceitaram serem fotografadas, apenas seis delas não quiseram mostrar seus rostos. “Foi uma supressa. Não só para mim, mas também para a Rede Feminina e isso deve-se principalmente pelo trabalho de aceitação, empoderamento, por superar as dificuldades e encontrar apoio umas nas outras, assim como a Rede trabalha”, relembra com emoção.

 

Cátia ainda conta que durante o ensaio, as mulheres se despiam com naturalidade e que isso foi emocionante. Isso porque elas não estavam preocupadas se precisavam tirar o protetor de seio, pois nem todas as modelos possuem prótese de silicone.

 

“Elas eram seguras de si e em nenhum momento se mostraram infelizes”, assim diz Cátia. Para ela, o ensaio mostrou que uma cicatriz jamais vai impedir uma mulher de se sentir bonita e que não se deve deixar levar pelos padrões de beleza impostos.

 

 

 

 



Destaque no país

 

Para a sorte de Cátia, o trabalho teve grandes proporções. Dele pode-se observar exposições em Xanxerê, em Florianópolis e, além disso, a fotógrafa teve o trabalho divulgado pela empresa O Boticário.

 

Nesse destaque, Cátia ficou entre as cinco mulheres que fizeram diferença no país. “Pra mim foi muito gratificante. Eu não tive somente um reconhecimento regional, mas nacional e o mais gratificante foi levar o nome da Rede Feminina adiante pelo belíssimo trabalho que todas as Redes fazem, principalmente a de Xanxerê”, ressalta Cátia sobre os resultados.

 

Emoção

 

Em meio ao seu trabalho, Cátia sentiu na pele a dor e, ao mesmo tempo, a felicidade de todas as suas modelos. O sorriso de cada uma delas fez Cátia se sentir orgulhosa e a ajudou numa reflexão profunda sobre a vida.

 

“A gente é tão pequeno perto de tanta coisa que acontece ao nosso redor e a gente não percebe. Não damos valor para algumas coisas e eu acho que isso foi um dos maiores aprendizados para mim. Foi um sinônimo de reflexão, não só pessoal, mas para sociedade. No momento em que elas se despiam para mim sem nenhum pudor, eu me emocionei. Nelas eu encontrava uma força absurda”, diz.


Por Pâmela Basso


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