Psicólogo que atuou nas tragédias da Kiss e Brumadinho vai atender moradores de Saudades

Luiz Picazio Neto é especialista em crises e grandes tragédias

Por Oeste Mais

12/05/2021 10h00 - Atualizado em 12/05/2021 10h00



Velório das vítimas aconteceu em 5 de maio no Ginásio Municipal de Saudades (Foto: André Ávila /Agencia RBS)

O psicólogo Luis Picazio Neto, especialista em crises e grandes tragédias e professor da PUC-São Paulo, ofereceu ajuda à prefeitura de Saudades. O município foi palco de uma tragédia na terça-feira, dia 4,quando um jovem de 18 anos invadiu uma creche e matou cinco pessoas - três crianças e duas professoras-. No mesmo dia da tragédia, Neto entrou em contato com a prefeitura se colocando à disposição para atender as famílias.  

 

O município de 9 mil habitantes nunca se preocupou com violência – registrou dois homicídios em cinco anos (entre 2016 e 2020) –, agora enfrenta o trauma de um crime que chocou o país.

 

Neto já atuou na queda do avião da TAM, em 2007, que deixou 199 vítimas, no incêndio da Boate Kiss, em 2013, com 242 mortos, e no rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019, que matou 259 pessoas. Ainda na data do crime, em Saudades, conversou com pessoas que entraram na creche e ajudaram a salvar crianças atacadas por Fabiano Kipper Mai, autor da chacina. 

 

Leia também: Autor de chacina em creche recebe alta pouco mais de uma semana após crime.

 

Neto fará atendimentos individuais online, coordenará equipes de psicólogos e fará uma palestra a distância com todos os professores da rede pública de Saudades na quinta-feira, dia 13. Ainda em maio, o psicólogo deve ir ao município catarinense passar uma semana.

“O mais importante é ensiná-los a ter controle psicológico em uma situação de tragédia. Não existe mensagem positiva nesse momento que acalme o coração deles. Existe uma situação de luto e não tem como não vivê-lo. É o período de sentir tristeza, ausência e falta. E ao mesmo tempo ir mudando padrões de pensamento para ir transformando a dor em coisas positivas. Meu objetivo é reduzir danos futuros, para que não fiquem em depressão permanente, não evoluam para um estresse grave ou síndrome do pânico. E esse é um impacto que pode ser sentido pela cidade toda, todos se conheciam”, destaca o psicólogo. 

 

Os efeitos de uma tragédia como a de Saudades, pontua Neto, podem trazer alteração no sono, alimentação, humor, levar à depressão, ansiedade e ao estresse pós-traumático. A atuação do psicólogo será focada em minimizar o sofrimento das famílias impactadas pelo atentado nos primeiros seis meses após o crime. A ajuda também se estenderá a Escola Estadual Rodrigues Alves, onde Fabiano cursava o terceiro ano do Ensino Médio.

 

“Essa escola também foi vítima. Eles ficam pensando que poderia ser com eles. Não tive contato com o Fabiano, mas existe algum motivo na cabeça dele pelo qual escolheu crianças com menos de dois anos e essa creche. Ele já era uma criança que tinha alteração de comportamento? Isso muitas vezes passa despercebido na escola. Ou os pais ignoram e não entendem que é sociopatia”.

 

Em meio a traumas como esse, nem sempre a pessoa deprimida consegue se dar conta de que precisa de ajuda psicológica. Por isso, a importância da iniciativa também partir do profissional. A proposta de Neto é fazer um esforço para ressignificar – sem esquecer – as perdas, mudando a forma de enxergar o que aconteceu e oferecendo capacitação para a superar suas dores.

Com informações GaúchaZH


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