Família de menino que estudava em tenda na lavoura se muda para casa nova após doações

Alan de 11 anos, tem agora tranquilidade para estudar

Por Oeste Mais

26/04/2021 13h55 - Atualizado em 26/04/2021 13h58



Agosto de 2020: Alan estudava em uma tenda de plástico montada em meio à lavoura para pegar o sinal da internet (Foto: Giovana Dalcin)

A família Somavilla, do interior de Estrela Velha, na região central do Rio Grande do Sul, virou manchete em jornais de todo o Brasil por improvisar uma sala de aula para Alan, de 11 anos, estudar virtualmente. O ponto, em meio à lavoura, era o único com sinal de internet móvel na propriedade rural, e ali o garoto acompanhava as lições remotas. Os pais garantem que não havia outra intenção, mas o esforço para garantir acesso à educação do único filho foi recompensado desde quinta-feira, dia 22, eles estão em uma casa nova, de alvenaria, construída a partir de campanhas virtuais. 

 

Dejanira Somavilla, 35 anos, repete o que foi dito nas primeiras entrevistas que concedeu para explicar a ideia de erguer uma tenda na roça: foi uma coisa simples. Preocupada em demonstrar gratidão, a agricultora escreveu em um pedaço de papel um pequeno discurso de agradecimento a quem contribuiu na vaquinha pela internet, criada por grupos que se sensibilizaram com as más condições da tapera de madeira:

 

“Estou muito grata, tenho até medo de esquecer alguém. Foi muita gente que ajudou, que se comoveu com nossa simples atitude”, destaca a mãe.

 

O total recebido para erguer a nova morada foi de R$ 79 mil. Dentre os apoiadores, estão o apresentador da Rede Globo, Luciano Huck, que divulgou a história em rede nacional. O comunicador também doou uma parcela do valor que possibilitou a construção, segundo Dejanira. Um grupo de advogados de Porto Alegre também colaborou com a ação e reuniu recursos para o menino seguir no sonho de cursar Direito.

A nova e a antiga casa dos Somavilla (Foto: Alan Somavilla / Arquivo Pessoal)

A nova residência tem varanda e três quartos. Contrasta com o antigo imóvel, ao lado, de tábuas desgastadas e sem pintura. Em uma foto, são visíveis remendos no telhado de barro. A base da parede foi corroída pelos cupins. Nos fundos do terreno, se vê o que restou da estrutura provisória de estudos, próximo aos pés de fumo cultivados para o sustento da família.

 

No novo quarto, com uma bancada recém-instalada, Alan tem agora tranquilidade para estudar. Feliz pelo conforto, ele anota no caderno as lições repassadas via Google Classroom, plataforma utilizada pelo governo gaúcho para o ensino a distância. Na escrivaninha, o modem que amplia a capacidade do sinal e que possibilitou que ele deixasse a tenda, construída no único local do terreno em que pegava a internet antes da ajuda.

Em abril de 2021, condições muito melhores: casa nova, computador, escrivaninha e internet boa (Foto:Alan Somavilla / Arquivo Pessoal)

“Estou me sentindo muito feliz por ter agora um quarto para estudar, ter internet, e não precisar sair de dentro de casa. A barraca está lá ainda, nós vamos deixar até ela se destruir sozinha”, afirma o estudante do sétimo ano.

 

A instalação do novo sistema de internet móvel também foi fruto de mobilização. Diretores das maiores empresas de telefonia do país estudaram meios de atender a região e um equipamento que amplifica o espectro foi o escolhido.

 

A Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Itaúba montou uma sala de informática mais moderna com equipamentos doados a partir dos Estados Unidos, segundo a diretora Giovana Carvalho Dalcin, 46 anos. Além disso, 13 tablets foram distribuídos de presente entre os alunos. A docente visitou a nova casa do estudante na quinta-feira. 

 

“Fiquei muito emocionada em ver a família tão feliz. O pai com lágrimas dos olhos, olhando o filho no quarto, com todas as condições necessárias para acompanhar as aulas. O que me deixa mais impressionada é a importância que eles dão ao estudo na vida do menino”, finaliza a diretora.



Com informações da Gaúcha ZH


COMENTÁRIOS

Os comentários neste espaço são de inteira responsabilidade dos leitores e não representam a linha editorial do Oeste Mais. Opiniões impróprias ou ilegais poderão ser excluídas sem aviso prévio.