Mulheres ainda ganham 21% menos que homens, diz IBGE

Entre as pessoas empregadas de 25 a 49 anos, a média salarial feminina é de R$ 2.050 e dos homens, de R$ 2.579

09/03/2019 08:03



O rendimento financeiro das mulheres é, em média, 20,51% menor que o dos homens no país. É o que aponta levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta sexta-feira, dia 8.

 

A disparidade entre os rendimentos médios mensais de homens (R$ 2.579) e mulheres (R$ 2.050) ainda é de R$ 529. A menor diferença foi de R$ 471,10 em 2016, quando as mulheres ganhavam 19,2% menos. O estudo foi elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Os dados são relativos ao quarto trimestre de 2018 e consideraram pessoas entre 25 e 49 anos.

 

Dois outros fatores explicam essa diferença no rendimento médio entre os sexos. As mulheres trabalham menos horas (37h54) que os homens (42h42), além de receberem valores menores (R$ 13) que seus pares masculinos (R$ 14,20) por hora trabalhada.

 

Segundo a analista da coordenação de trabalho e rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, essa jornada não reflete o que a mulher trabalha em todo o seu dia. “A menor jornada da mulher no mercado de trabalho está associada às horas dedicadas a outras atividades, como os afazeres domésticos e os cuidados com pessoas.”

 

Segundo o estudo, questões culturais e estruturais também afetam a participação das mulheres no mercado de trabalho. De um total de 93 milhões de ocupados, a maioria é homem, com 56,2% da participação (52,1 milhões). As mulheres representam 43,8% dos trabalhadores do país (40,8 milhões).

 

Diferença em todo o mercado de trabalho

 

Quando a comparação entre os rendimentos das mulheres e dos homens é feita de acordo com a ocupação, o estudo mostra que a desigualdade é disseminada no mercado de trabalho, embora varie de intensidade. “A mulher acaba tendo participação maior na população desocupada e na população fora da força de trabalho. Temos muitas procurando trabalho ou na inatividade, ou seja, não procuram emprego, por inúmeras questões”, explica Adriana.

 

“O que temos nas ocupações é que de modo geral, na grande maioria, as mulheres ganham menos. Nas ocupações que selecionamos para o estudo, as mulheres ganham menos em todas. As maiores proximidades de rendimento, ainda que não haja igualdade, ocorreram no caso dos professores do ensino fundamental, em que as mulheres recebiam 9,5% menos que os homens”, cita Adriana.

 

Outros casos de destaque pela menor distância entre os rendimentos são os dos trabalhadores de central de atendimento e dos trabalhadores de limpeza de interiores de edifícios, escritórios e outros estabelecimentos, em que as mulheres recebiam 12,9% e 12,4% menos que os homens, respectivamente.

 

Já entre as ocupações com a maior desigualdade, podem ser destacados os agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e dos gerentes de comércio varejista e atacadista, em que mulheres recebem 35,8% e 34% menos que os homens, respectivamente. Profissões tradicionais como médicos especialistas e advogados também sofreram com a desigualdade: elas recebiam 28,2% e 27,4% menos, respectivamente.

Da Veja


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