Estiagem afeta 44 mil pessoas e causa prejuízo de quase R$ 640 milhões na regional de Xanxerê

100% dos municípios que integram a regional já decretaram situação de emergência, segundo a Defesa Civil

Por Redação Oeste Mais

14/01/2022 17h42



Estiagem faz municípios decretarem situação de emergência (Foto: Julio Cavalheiro)

A Defesa Civil informou na tarde desta sexta-feira, dia 14, que os prejuízos causados pela estiagem na regional de Xanxerê, que abrange 20 municípios, já chegam a quase R$ 640 milhões. De acordo com o órgão, 100% das cidades já decretaram situação de emergência. Ainda conforme a Defesa Civil, a estiagem afeta diretamente 44 mil moradores.

 

De acordo com o coordenador regional da Defesa Civil de Xanxerê, Luciano Peri, o prejuízo público passa de R$ 900 mil. Já o prejuízo privado chega a R$ 638,9 milhões.

 

No prejuízo público entram gastos com assistência médica, saúde pública e atendimento de emergências médicas, além do abastecimento de água potável, esgoto de águas pluviais e sistema de esgotos sanitários. Também são somadas despesas com o sistema de limpeza urbana e de recolhimento e destinação do lixo, além de outras relacionadas aos serviços essenciais prejudicados.

 

Quanto aos prejuízos no setor privado, as cifras são muito maiores porque englobam perdas na cadeia produtiva. De acordo com a Defesa Civil, o valor está relacionado à quedas na produção agrícola, pecuária, indústria, comércio e serviços relacionados de forma direta ou indireta aos efeitos da estiagem.

 

Nesta semana, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve em Chapecó para ver de perto a situação dos produtores rurais e criadores de proteína animal. “Viemos ver de perto, conversar com os produtores e lideranças dos estados para realizar o levantamento in loco e levar para Brasília as informações necessárias que nos ajudarão a definir ações de curto, médio e longo prazo. É preciso pensarmos também na safra de inverno, saber sua viabilidade e avaliar a possibilidade de outras culturas mais seguras como alternativa”, declarou.

 

Emergência em 88% dos municípios do Oeste

 

Conforme a Defesa Civil, 88% dos municípios do Oeste já decretaram situação de emergência, o que significa 81 das 92 cidades que integram a região.

 

A principal preocupação do setor produtivo é a quebra na safra de milho – tanto milho grão quanto silagem – que deve impactar diretamente as cadeias produtivas de carne e leite.

 

De acordo com as informações da Epagri/Cepa, a colheita estadual deve ter uma redução de 12,2%, sendo que nas regiões Oeste e Extremo-Oeste algumas lavouras tiveram perdas de até 50%. Até o momento, as perdas são avaliadas em R$ 1,2 bilhão no meio rural catarinense.

 

Pouca chuva

 

A estiagem é causada pelo baixo volume de chuvas nas regiões Extremo-Oeste, Oeste e Meio-Oeste de Santa Catarina. A média atual de precipitações nesses locais é de, respectivamente, 20, 31 e 46 milímetros, mas o esperado seria de uma média em torno de 150 mm.

 

Ajuda do governo

 

O governo catarinense informou que vai investir pelo menos R$ 350 milhões até o fim do próximo ano em medidas de resiliência hídrica. Apenas em 2022, o Programa SC Mais Solo e Água destinará R$ 150 milhões aos produtores rurais, subsidiando a instalação de cisternas, poços artesianos, entre outras medidas.

 

O secretário de Estado da Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural, Altair Silva, destacou que o Programa SC Mais Solo e Água permite que o produtor consiga viabilizar até R$ 100 mil em empréstimos, com juro zero e desconto entre 50% e 75% se o pagamento ocorrer em dia.

 

“O produtor também pode captar até R$ 30 mil para preservação de nascentes, com cercamento da área e plantio de árvores nativas. O prazo para pagar é de cinco anos e o desconto com o pagamento em dia é de 75%", informa.


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