Segundo Fenabrave, venda de carros leves e comerciais cai 10,2% em setembro

Freio nas vendas está ligado à crise das indústrias automotivas, tanto no Brasil quanto no mundo

27/10/2021 08h23



Todo mundo já sabe que esse não está sendo um bom ano para o setor automotivo. Acontece que os efeitos da pandemia deixaram consequências, principalmente na produção de carros, que parece vão demorar em se recuperar.

 

No caso das vendas de automóveis e comerciais leves, a tendência continua sendo de queda. A cada mês a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) publica os números do setor: em setembro a venda deste tipo de veículos caiu 10,2% se comparado com agosto.

 

Na verdade, os números comunicados pela Federação têm a ver com os emplacamentos, mas há uma relação direta com a comercialização; um carro 0km somente é emplacado na hora de ser vendido. Então, no último mês foram emplacadas 16.147 unidades a menos do que em agosto deste ano (142.354 vs. 158.501). Já olhando para setembro do ano passado, a diferença é mais preocupante: no mesmo mês de 2020, época em que as fábricas já tinham retomado as suas operações, as unidades comercializadas foram 198.765, ou seja, a retração registrada chega até 28,4%.

 

Contudo, o acumulado das vendas desde janeiro até setembro é positivo, registrando um incremento de 13,2%. Ainda assim, para o final do ano, a própria Fenabrave já revisou as suas projeções prevendo uma alta menor, de 11,1% para o setor todo. 

 

O motivo da queda nas vendas

 

O comportamento da comercialização dos carros novos sempre está ligado ao da produção, ainda que também existam outros fatores que influenciam. Neste caso, o principal freio nas vendas está dado pela crise das indústrias automotivas, tanto no país quanto no mundo. Focando no Brasil, segundo a informação fornecida pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nos cinco primeiros meses do ano, por exemplo, a produção de carros variou entre 190 e 200 mil unidades mensais, já de junho a setembro esse valor caiu em cerca de 30 mil unidades a menos, entre 164 e 173 mil unidades por mês.

 

Mas daí, por que a produção está freada? Para quem ainda não sabe, isto se deve a conhecida “crise dos chips”. Mundialmente existe uma falta de um componente elétrico dos carros, os chips semicondutores, fundamentais para formar os circuitos integrados nos veículos. Trata-se de elementos realmente pequenos mas que estão reduzindo ou até paralisando as linhas de produção da maioria dos fabricantes, como aconteceu recentemente no país com a GM, Hyundai, VW e Toyota.

 

É claro que a escassez foi motivada pela pandemia e o acúmulo de demanda, e que numa hora a situação vai se regularizar. Mas por enquanto, os interessados em comprar um carro não têm um cenário simples: para quem consegue comprar um 0km terá de esperar prazos entre 90 e 180 dias para a entrega.

 

Por outra parte, os valores também estão ficando mais altos. Desde sempre, ser dono de um carro não foi econômico: além de contratar o seguro, a pessoa tem que pagar impostos, reparações e combustível. Só que agora, sem conseguir carros novos, o crescimento da demanda de carros usados fez com que o preço subisse até 20% mais.


COMENTÁRIOS

Os comentários neste espaço são de inteira responsabilidade dos leitores e não representam a linha editorial do Oeste Mais. Opiniões impróprias ou ilegais poderão ser excluídas sem aviso prévio.