Selic: por que o Banco Central subiu a taxa de juros e quais são as consequências

Copom anunciou nesta quarta-feira o primeiro aumento da taxa Selic, para 2,75%, em quase seis anos

Por Oeste Mais

18/03/2021 08h55 - Atualizado em 18/03/2021 08h58



Durante quase seis anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) diminuiu sucessivamente a taxa básica de juros (Selic) no Brasil, respondendo a tempos de inflação baixa e a uma antiga demanda de indústrias e empresas, que queriam juros baixos para conseguir crédito mais barato e, assim, serem mais produtivas.

 

Esse ciclo de seis anos acabou nesta quarta-feira, dia 17, quando o Copom decidiu por unanimidade aumentar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, de 2% para 2,75% ao ano. A expectativa de economistas é de que novas altas sejam anunciadas nas próximas reuniões do Copom, ao longo dos próximos meses.

 

Por trás dessa mudança de rumo na política monetária está, principalmente a preocupação com a inflação, que tem subido acima do esperado.

 

Na semana passada, o IBGE calculou o IPCA (um dos índices que mede a inflação) de fevereiro em 0,86%, o maior registrado nesse mês desde 2016 e puxado pela alta nos combustíveis.

 

Em um cenário mais amplo, ao longo de um ano de pandemia (março de 2020 a fevereiro de 2021), a inflação sentida pelas pessoas mais pobres chegou a 6,75%, segundo cálculos do Ipea noticiados pela BBC News Brasil.

Selo Copom em março de 2021 (Foto: Arte/G1)

Impactos na população

 

Ainda não está claro até qual patamar o Copom elevará a Selic neste ano, diz o economista Reginaldo Nogueira, diretor-geral do Ibmec São Paulo e Brasília, porque isso vai depender não só do comportamento da inflação, mas de variáveis que estão longe do controle do Banco Central e impactam muito a economia, como os níveis de emprego e consumo e até mesmo o ritmo de vacinação da população contra a Covid-19.

 

Para a população em geral, os impactos de curto prazo serão pequenos. O crédito tende a ficar um pouco mais caro e o câmbio um pouco mais estável, com o real um pouco mais valorizado perante o dólar, o que reduz a pressão inflacionária sobre combustíveis, por exemplo.

 

O crédito imobiliário, que se beneficiou de uma Selic mais baixa, não deve sentir tantas oscilações no curto prazo, "porque estávamos com uma taxa de juros bem abaixo dos nossos padrões históricos", avalia Campos Neto, da Tendências.

 

Mas a baixa da inflação, de fato, só deve ser sentida ao longo de um período mais longo, já perto do final de 2021, dizem os economistas.

 

Para quem tem investimentos em renda fixa (como Tesouro Direto), a alta da Selic vai tornar essas aplicações um pouco mais rentáveis.

Com informações da BBC


COMENTÁRIOS

Os comentários neste espaço são de inteira responsabilidade dos leitores e não representam a linha editorial do Oeste Mais. Opiniões impróprias ou ilegais poderão ser excluídas sem aviso prévio.