Com receita recorde, agronegócio vai aumentar participação no PIB do País

Valor Bruto da Produção atingirá R$ 728,6 bilhões, aumento de 11,8% sobre 2019, maior cifra em reais da história do setor

Por Oeste Mais

02/06/2020 10h46 - Atualizado em 02/06/2020 10h46



A agricultura vai colher este ano um dos seus melhores resultados no campo. Se da porteira para fora, os impactos do coronavírus na economia se revelam desastrosos para os balanços de grandes empresas, no agronegócio o ano será de recorde de receita. Levantamento feito pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) mostra que o Valor Bruto da Produção atingirá R$ 728,6 bilhões, aumento de 11,8% sobre 2019, maior cifra em reais da história do setor.

 

Em meio à pandemia, a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio passe a responder por 23,6% do total do País, no ano passado, ficou em 21,4%. “O dólar alto e os preços firmes das commodities beneficiaram a agricultura”, disse Renato Conchon, coordenador econômico da CNA. A entidade prevê que o PIB nacional caia 5,8%, previsão que ainda pode ser revista para um número maior.

 

Com a desvalorização do real, as exportações ficaram mais atraentes ao agricultor. “Na crise, ninguém deixa de comer”, afirmou Conchon. No ano em que os produtores colheram sua maior safra de grãos, 250 milhões de toneladas, a expectativa é de que o desempenho possa se repetir em 2021. Mais capitalizados, parte dos produtores rurais já começou a adquirir insumos para o próximo plantio.

 

“Neste mês de maio, os produtores já travaram o preço de 32% da safra do ano que vem, que ainda nem foi plantada. No passado, na mesma época, apenas 8% da produção tinha sido vendida antecipadamente. Em 2017, esse volume era praticamente zero”, disse José Carlos Hausknecht, diretor da MB Agro, uma das principais consultorias de agronegócio do País.

 

A soja e o milho foram os grandes carros-chefes da agricultura, explicou Conchon. Do ganho previsto de R$ 728,6 bilhões, R$ 175 bilhões vão corresponder à receita com a oleaginosa (alta de 13% sobre 2019) e R$ 90 bilhões com o milho (32,9% maior que no ano anterior). Já a carne bovina vai registrar R$ 139 bilhões da receita, queda de 19,5% sobre 2019. “Veremos a soja avançando sobre outras áreas de cultivo no ano que vem”, disse Hausknecht.

 

Com este cenário, a cana deverá perder espaço. Dados da CNA mostram que a receita com cana-de-açúcar ficará em R$ 47,4 bilhões, estável sobre o ano anterior.

Com informações da Revista Isto É


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