PIB, comércio e indicadores sociais já confirmam maior crise em gerações

Fundo Monetário Internacional projeta que as economias avançadas se contrairão em cerca de 6% em 2020

Por Oeste Mais

13/05/2020 09h23 - Atualizado em 13/05/2020 09h26



"A covid-19 virou o mundo de cabeça para baixo". É de uma forma pouco tradicional que começa o informe de mais de 30 entidades internacionais que, juntas, tentam desenhar a atual situação e fazer um raio-X de um paciente: o mundo.

 

Alguns números econômicos surpreendentes publicados nesta quarta-feira, dia 13, incluem uma queda anual de 9% na produção global e na produção manufatureira. Para o segundo trimestre, a queda do comércio deve ser de 27%, algo inédito em gerações. Também se estima que haverá a maior queda nos preços globais de commodities, de 20,4%, o que deve gerar um impacto negativo para o Brasil.

 

No lado social, a constatação é de uma "chocante perda de empregos, uma queda de quase 10,5% no total de horas de trabalho, o equivalente a 305 milhões de trabalhadores em tempo integral".

 

Cerca de 1,6 bilhão de estudantes foram afetados pelo fechamento de escolas e a crise vai empurrar até 60 milhões de pessoas para a pobreza extrema, um cenário jamais visto em apenas um ano e revertendo uma década de avanços sociais.

 

A crise é maior que o colapso dos bancos em 2008, que o impacto do terrorismo em 2001 ou que a quebra dos mercados asiáticos em 1998.

 

"Tudo foi impactado", diz o informe produzido pela ONU (Organização das Nações Unidas), FAO (ONU para Agricultura e Alimentação), OMS (Organização Mundial da Saúde), OMC (Organização Mundial do Comércio), Banco Mundial e vários outros organismos. "Cada aspecto de nossas vidas tem sido afetado", relata o informe.

 

Para eles, as decisões tomadas agora e nos próximos meses serão algumas das mais importantes tomadas em gerações. "Elas afetarão as pessoas em todo o mundo nos próximos anos", alertam.

 

O que as entidades descobriram ao reunir os dados é que, de fato, a crise é sem precedentes. "As estatísticas apresentadas neste relatório são inéditas. Estamos testemunhando pontos de dados e inflexões de tendências que teriam sido inimagináveis há apenas alguns meses", admitem.

 

E as entidades alertam: os dados que seguem abaixo são apenas a "ponta de um iceberg" de uma verdadeira revolução com consequências ainda desconhecidas.

Rita de Souza, integrante da associação de moradores de Paraisópolis (zona sul de São Paulo), volta para casa após entregar comida a moradores mais pobres da comunidade, em necessidade por causa da pandemia do novo coronavírus (Foto: Fernando Bizerra/EFE)

Produção

 

Pelo mundo, o fechamento de fronteiras, o impacto da doença e mortes, além da quarentena transformaram economias. A China, no primeiro trimestre, registrou uma contração de 6,8%, o pior resultado desde 1992, quando os dados começaram a ser publicados. No Reino Unido, a projeção é de uma queda de 14% no PIB em 2020, algo inédito desde 1706. Há 300 anos, a contração recorde havia sido de 15%.

 

Nos EUA, o consumo privado registrou a maior queda desde 1980, enquanto a previsão do PIB para o segundo trimestre é de que uma contração inédita de 39%, a maior desde 1947 quando os dados começaram a ser calculados.

 

Turismo

 

Depois de aumentar quase ininterruptamente e mais do que duplicar desde 2000, o turismo em 2020 deve diminuir entre 60% e 80% em relação a 2019. Os dados disponíveis mostram que as viagens no mês de março caíram 60% em relação ao mesmo mês em 2019. O impacto será particularmente crítico em territórios que dependem fortemente do turismo internacional e a previsão apenas para 1,1 bilhão de desembarques a menos em 2020, em comparação a 2019. No auge da crise econômica de 2008, a queda foi de 36 milhões de viagens.

 

Emprego

 

Os dados do desemprego também são inéditos. No início de abril, 81% da força de trabalho global vivia em países com confinamentos obrigatórios. O resultado é que as horas trabalhadas em todo o mundo podem cair no trimestre atual em cerca de 10,5%. Isto equivale a 305 milhões de trabalhadores em tempo integral. Para a OIT (Organização Internacional do Trabalho), essa é já a pior crise global desde a Segunda Guerra Mundial. A queda em horas trabalhadas já superou a da crise financeira de 2008-2009 e sequer ainda se conhece todos os impactos da crise.

 

Pobreza

 

A covid-19 ainda causará "o primeiro aumento da pobreza global desde 1998". "Com as novas previsões, a pobreza global, a parcela da população mundial que vive com menos de US$ 1,90 por dia, deverá aumentar de 8,2% em 2019 para 8,6% em 2020, ou de 632 milhões para 665 milhões de pessoas", indica o informe. Antes da pandemia, a projeção era de uma queda para 7,8%.

 

O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta que as economias avançadas se contrairão em cerca de 6% em 2020. No entanto, com mais pessoas vivendo perto da linha de pobreza internacional, os países em desenvolvimento, de baixa e média renda, sofrerão as maiores consequências em termos de pobreza extrema.

 

Vinte e três milhões das pessoas empurradas para a pobreza estão previstas na África Sub-Sahariana e 16 milhões no Sul da Ásia. Na América Latina, 2,7 milhões de pessoas passarão a viver na pobreza extrema.

 

Se considerar o número de pessoas que vivem com menos de 5,50 dólares por dia, mais de 100 milhões de pessoas também serão empurradas para a pobreza no mundo.

 

Droga e violência

 

Dados preliminares sobre as tendências de violência sugerem que as medidas de confinamento dificilmente impactaram a violência em países com altos níveis de homicídios. As tendências de homicídios em dois países da América Central, por exemplo, se mantiveram estáveis nas quatro semanas após a implantação das medidas de quarentena.


Em contrapartida, em países com baixo índice de homicídios, a intensidade das medidas de bloqueio parece ter reduzido drasticamente a violência, assaltos e crimes. Um dos países que registrou essa queda foi a Itália. O que registrou um forte aumento, porém, foi a taxa de violência doméstica.

 

O impacto da covid-19 no tráfico de drogas também foi identificado, obrigando o transporte de heroína a buscar novos caminhos para cruzar fronteiras. As grandes apreensões relativamente recentes de cocaína em portos europeus demonstram o contínuo tráfico internacional de cocaína, que passou a usar as rotas marítimas diante do fechamento de fronteiras e aeroportos.

Com informações do Uol Notícias


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