Escassez de milho em 2020 vai atrapalhar crescimento do agronegócio de SC

Insuficiência do grão será decorrência de fatores naturais, como seca, queimadas, atraso no plantio e redução de área cultivada

Por Oeste Mais

26/11/2019 15h22 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



Está se confirmando o alerta que a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) fez em setembro sobre a escassez de milho no mercado interno brasileiro em 2020, o que acarretará sérios prejuízos para as cadeias produtivas de aves e suínos e para o parque agroindustrial.

 

A insuficiência de milho será decorrência de fatores naturais (seca, queimadas, atraso no plantio e redução de área cultivada) e econômicos (aumento das exportações do grão em face da situação cambial favorável), analisa o vice-presidente da FAESC, Enori Barbieri, ex-secretário de Estado da Agricultura e ex-presidente da CIDASC. 

 

Ele observa que o Brasil alcançou uma safra recorde de 101 milhões de toneladas. (O país colheu cerca de 25 milhões de toneladas na safra e 76 milhões na safrinha). Desse volume, 65 milhões de toneladas ficarão para consumo interno, o restante será exportado.

 

Ficou difícil segurar o produto no País com a cotação internacional e, por isso, a fuga de grãos continua: o Brasil já exportou em 2019 o volume de 39 milhões de toneladas. Somente Santa Catarina – região altamente deficitária em milho – embarcou 335 mil toneladas este ano. Por outro lado, a seca que atinge o Paraná atrasará em 30 dias a colheita e a safrinha somente será colhida em julho.

 

A saída será ampliar as importações de milho da Argentina – que produz 50 milhões de toneladas e tem baixo consumo interno. Além disso, deve prosperar  a chamada Rota do Milho que ligará o oeste catarinense com a região produtora do Paraguai. Esse país-membro do Mercosul produz 5,5 milhões de tonelada, mas pode chegar a 15 milhões com o estímulo das importações brasileiras, acredita a Faesc.

Vulnerabilidade

 

O Brasil iniciará 2020 muito vulnerável, com estoques baixos e totalmente dependente do clima. Como o preço de mercado nunca esteve inferior ao preço mínimo, o Governo não se preocupou em fazer estoques.

 

A saída será buscar milho no mercado internacional. Nesse caso, agroindústria e produtores pagarão pelo elevado custo de internação/interiorização do produto no  país em razão das deficiências logísticas – más condições das rodovias, ferrovias, portos e terminais. 

 

A preocupação da Faesc é coerente com a previsão para Santa Catarina que o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri divulgou. Ela indica que o milho-grão total (primeira e segunda safras) vai enfrentar queda de 1,07% na área plantada, de 3,16% do volume produzido e de 2,12% na produtividade em relação à safra anterior.


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