Reunião sinaliza consenso para que gruta de Ponte Serrada não seja mexida do local

Representantes da Igreja Matriz e família que pretende realizar loteamento se reuniram na Câmara de Vereadores nesta segunda-feira

Por Jhonatan Coppini

19/08/2019 21:56 - Atualizado em 19/08/2019 22:04



Reunião para tratar sobre destino da gruta foi realizada na Câmara de Vereadores (Foto: Jhonatan Coppini/Oeste Mais)

Uma reunião entre representantes da Igreja Católica e da família que pretende realizar um loteamento na área logo acima da Gruta Nossa Senhora de Lourdes, no Centro de Ponte Serrada, terminou com o entendimento de que a obra religiosa permaneça no local. O assunto foi tratado na noite desta segunda-feira, dia 19, em uma reunião antes da sessão da Câmara de Vereadores.

 

O padre Paulo Sales e o representante da família proprietária do imóvel do futuro loteamento, Sidney Pino Gomes, falaram por cerca de 15 minutos cada. Ao final, os discursos convergiram para que a gruta não sofra qualquer tipo de interferência. Nos últimos dias, um debate se instaurou entre a comunidade em virtude de uma possível demolição da obra para a abertura de uma rua no local.

 

O padre Paulo enalteceu que fora a Igreja Matriz, construída há mais de 80 anos, a gruta é a obra mais antiga do município. Ele também citou o registro que existe em um livro histórico da Paróquia Santo Antônio de Pádua, indicando que a igreja comprou o terreno onde está a gruta do então proprietário José Marsango, embora nunca tenha escriturado o imóvel.

Gruta Nossa Senhora de Lourdes foi construída há mais de 60 anos (Foto: Jhonatan Coppini/Oeste Mais)

“Pensar em removê-la, a meu ver, é um contrassenso por se tratar de uma área onde se faz a experiência de Deus. Sou contrário a qualquer possibilidade de retirada da santa. Entendo a família que tem o terreno e todo o direito de construir. Isso é algo bom para a cidade, mas que cheguemos a um consenso, que beneficie tanto a família como proteja esse bem que temos na nossa história”, ponderou, garantindo que está aberto ao diálogo para a melhor alternativa, mas sem mexer na gruta.

 

Sidney falou logo em seguida. De maneira amistosa, ele enfatizou que em momento algum a família impôs qualquer tipo de arbitrariedade. “Em nenhum momento teve qualquer ação unilateral. Em nenhum momento a família teve algo impositivo: ‘não, nós temos que derrubar a gruta’, jamais. A única questão que levantamos foi possibilidades”, garantiu.

Reunião terminou em consenso para que gruta não seja mexida do local (Foto: Jhonatan Coppini/Oeste Mais)

Ele recordou que várias reuniões já foram realizadas sobre o assunto. Em uma delas, disse ter sugerido a realocação da gruta. A ideia era levar a obra para perto do Hospital Municipal. “Tendo em vista que Nossa Senhora de Lourdes é a padroeira dos enfermos, nós construiríamos uma gruta nova. Mas isso é uma hipótese. Em nenhum momento ninguém impôs nada. A gente estava conversando. Se a igreja e as pessoas entenderem que a gruta tem que ficar ali, ela vai ficar ali”, esclareceu.

 

Para viabilizar o loteamento, Sidney explicou que outras possibilidades são estudadas, como o acesso pela via que sai da Rua Madre Maria Teodora em direção ao terreno. Ainda sobre a questão legal, lembrou que embora a área da gruta siga matriculada em nome da família, moralmente precisa ser respeitada a negociação feita na época.

 

“A gente só quer contribuir. Com certeza vai melhorar muito para a cidade um loteamento ali, vai desenvolver mais uma área. Nós aceitamos a decisão que for tomada e faremos aquilo que for possível para que a gruta seja mantida ali”, encerrou.


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