Paciente relata quase ter perdido o braço após erro médico em cirurgia

Sirlei, de 50 anos, fraturou o braço há 13 anos e o cirurgião esqueceu um pedaço de fio durante a cirurgia

Por Kiane Berté

08/11/2019 13:27 - Atualizado em 08/11/2019 15:38



Sirlei Antunes Godoy, de 50 anos, moradora de Chapecó, procurou o Oeste Mais para contar sua trágica experiência no centro cirúrgico. Ela, que trabalha atualmente como recepcionista, na época, em 2006, era agente de saúde no município de Xaxim, onde residia, sofreu uma queda na rua durante o trabalho e acabou sofrendo uma fratura no braço direito.

 

Sirlei conta que foi encaminhada à Xanxerê para passar por uma cirurgia, e o cirurgião que a atendeu, colocou um pino em seu braço. “Esse pino deu rejeição e ele [o médico] não quis tirar”, afirma a paciente, que foi atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

A recepcionista relata que após essa cirurgia, uma ferida começou a se formar em seu braço e ela passou a consultar com outra médica, na mesma cidade, também pelo SUS. “Ela tirou o pino, limpou e cuidou do ferimento e conseguiu melhorar [...] Um ano depois, eu comecei a ter um vazamento no braço e sentia muita dor, daí voltei a procurá-la”, comenta. "Existem certos médicos que parecem ter comprado o diploma, porque a médica que me atendeu também foi pelo SUS e me atendeu super bem e fez um trabalho maravilhoso".

 

Sirlei passou por exames e a nova médica que estava a atendendo resolveu colocar um dreno no braço da paciente, que ficou quase 30 dias com o objeto inserido no local. “A médica disse que ia abrir pra ver o que tinha dentro e dependendo do que era, eu teria que amputar o braço”, relata ela, que se assusta ao lembrar da situação.

Pedaço de fio, de pouco mais de quatro centímetros, esquecido no braço da paciente (Foto: Arquivo pessoal)

Quando Sirlei passou pelo próximo procedimento cirúrgico, que na época já eram três ao todo, foi descoberto um pedaço de linha esquecido pelo primeiro cirurgião dentro do braço fraturado na queda de 2006.

 

“A infecção estava a milímetros do osso. Ela [a médica] teve que fazer uma raspagem e eu fiquei com uma cicatriz bem feita no braço, ficou fundo, mas conseguiu evitar a amputação”, relembra a paciente, que guarda o pedaço de ‘barbante’, de pouco mais de quatro centímetros, em casa até hoje.

 

Sirlei afirma ter sofrido muito com o erro do primeiro médico e diz que sua vida, naqueles três anos em que passou pelas cirurgias, deixou sua vida bem difícil. “Na época eu fui me informar para processar o médico. Ele tinha, na época, isso há 13 anos, 160 processos já por erro médico. Eram processos sem fim, eu não ia conseguir sair disso, e por isso desisti”, relata a paciente.

Casos parecidos

 

Nesta semana, o Oeste Mais contou a história de duas pacientes – uma de Vargeão e outra de Faxinal dos Guedes – que também sofreram com erros médicos.

 

A moradora de Faxinal, de 20 anos, passou por uma cirurgia de retirada do apêndice em 2013, quando tinha 14 anos, e o cirurgião que a atendeu, esqueceu um pedaço de linha na barriga dela, o que resultou em um segundo procedimento cirúrgico para a retirada do ‘corpo estranho’.

 

Já a moradora de Vargeão, de 47 anos, sofreu uma fratura no nariz quando se deslocava para a escola em uma Combi, em 1985. Ela foi encaminhada à Florianópolis para uma cirurgia de reconstrução, somente dez anos após o acidente. Ela estava na fila do SUS.

 

Após o procedimento, o nariz dela começou a vazar e ela descobriu que havia gazes esquecidas dentro dela.


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