Filho restaura relógio montado pelo pai há quase 80 anos

Estrutura levou mais de 11 anos para ser restaurada e pode ser vista no Museu Histórico de Santa Catarina, em Florianópolis

Por Oeste Mais

09/11/2019 09:55



Filho Geraldo durante restauração do relógio montado originalmente pelo pai Alvino Ziebarth (Fotos: Ricardo Wolffenbuttel/Secom)

Foram mais de 11 anos de trabalho até deixar a peça pronta. Original de 1943, um relógio adquirido pelo governo de Santa Catarina em 1945, durante o mandato de Nereu Ramos, ficou por mais de uma década sendo restaurado para ficar exposto no Museu Histórico de Santa Catarina, sediado no Palácio Cruz e Souza em Florianópolis.

 

"É um relógio único no mundo", conta, emocionado, o artesão Geraldo Ziebarth, de 81 anos. Responsável pelo conserto da estrutura, ele é filho de Alvino Ziebarth, autor da montagem do relógio há quase 80 anos.

 

A peça é praticamente toda em madeira de Imbuia, inclusive as engrenagens ─ o que é considerado algo raro. Apenas alguns eixos e parafusos são feitos com outros materiais metálicos. Os ponteiros e os números romanos são feitos em madeira de pau-marfim.

Relógio teve várias peças originais mantidas na restauração (Fotos: Ricardo Wolffenbuttel/Secom)

Hora precisa

 

O relógio ganhou notoriedade na imprensa dos anos 1940 por ser de alta precisão. O pai de Geraldo construiu a peça utilizando uma técnica tradicional da cultura alemã, com madeira entalhada e engrenagens que garantem a marcação das horas, da data e das fases da lua. Manualmente, ainda é possível registrar as estações do ano.

 

A estrutura ficou por mais de uma década sob os cuidados de Geraldo, que ao longo dos últimos anos, desvendou o sistema de funcionamento do relógio e confeccionou novas peças para substituir as que estavam estragadas. Tanto o filho artesão quanto o pai são de São Bento do Sul, no Norte de Santa Catarina.

 

Relíquia está exposta

Relógio está no Museu Histórico de Santa Catarina (Fotos: Ricardo Wolffenbuttel/Secom)

Durante dois dias, 6 e 7 de novembro, o artesão montou o relógio no local de exposição: a Sala dos Governadores. O trabalho foi realizado com a precisão e a delicadeza que a peça exige. A ação foi acompanhada por técnicos da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), órgão que administra o Museu Histórico de Santa Catarina.

 

Ao fim do trabalho, o artesão recebeu um certificado de honra ao mérito pelos serviços prestados na preservação da memória catarinense. A peça é chamada de “Relógio Histórico Alvino Ziebarth", em homenagem ao construtor, e integra o patrimônio do Governo do Estado de Santa Catarina (Casa Civil).




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