Colegas desenvolvem livro para criança com paralisia cerebral

Francisco foi um dos 120 alunos que lançaram um livro no projeto Estante Mágica

Por Kiane Berté

29/10/2019 14:19 - Atualizado em 29/10/2019 14:29



Francisco junto de uma de suas professoras (Foto: Rafaela Cristina)

Mesmo sofrendo de paralisia cerebral, o pequeno Francisco Oltramari, de sete anos, está sempre com um sorriso lindo no rosto. Francisco vive em Ponte Serrada com a família, e frequentava a creche antes de completar o sétimo ano de idade.

 

No início de 2019, mesmo com todas as limitações, ele foi inserido pela mãe, Maria Laura Oltramari, no primeiro ano do primário, onde passou a ter contato com crianças mais velhas e da mesma idade, e passou a ter amigos, não apenas colegas.

 

“Coloquei ele porque, como qualquer outra criança, tem o direito de frequentar a escola. Eu como mãe tenho o dever de colocar ele na escola, não é tanto por aprender a ler e escrever, mas para ele ter contato com outras crianças e interagir”, explica a mãe.

 

Mesmo estando em uma cadeira de rodas e não podendo brincar como os colegas, Francisco está sempre rodeado de amigos que o fazem rir.

 

Segundo uma das professoras do menino, Alexandra Bisato, os colegas sempre foram muito simpáticos com o menino, o tratando bem, brincando e até brigando para ver quem vai empurrar a cadeira dele.

 

“É lindo ver o carinho que todas as crianças têm com ele, não só os colegas da sala, mas as outras crianças da escola toda. Todos tratam ele com muito afeto. As professoras e toda a equipe da escola sempre foram muito atenciosos e fazem de tudo para que o Francisco se adapte da melhor maneira”, conta a mãe Maria Laura.

Francisco e sua família na noite de autógrafos (Foto: Rafaela Cristina)

Livro preparado pelos amigos

 

No início de outubro, cerca de 120 alunos lançaram um livro cada por meio do projeto "Estante Mágica", desenvolvido pela Escola Dom Vital já pelo terceiro ano.

 

Como a atividade envolveu estudantes de turmas do primeiro e quarto ano, Francisco também pôde participar. Como ele não sabe escrever e muito menos desenhar, os próprios colegas projetaram o livro dele, que recebeu o título de "Porque o Francisco gosta de vir para a escola grande?".

 

Segundo a professora do menino, os alunos representaram - cada um com uma visão - os momentos onde o Francisco participava das atividades propostas dentro do ambiente escolar.

 

Foram desenhos e depoimentos dos colegas, que fizeram o livro de Francisco ganhar vida. A professora explica que eles foram escolhidos dentre os muitos que foram desenvolvidos pelos alunos, pois como o livro tem um limite de página, não teria como colocar todos eles.

 

Conforme ela, outro está sendo desenvolvido para que todos os depoimentos sejam inseridos. O livro possui 12 páginas, sendo seis com escritas e outras seis com desenhos, e todas elas carregadas de carinho e muito amor.

 

 

Processo de criação dos livros (Foto: Arquivo pessoal)

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