Santa Catarina age para mitigar seca histórica que atinge o Grande Oeste

Para este ano, a previsão é de pouco volume de chuva para os próximos três meses

Por Redação Oeste Mais

17/02/2022 11h18



Santa Catarina enfrenta uma estiagem histórica causada pelo baixo volume de chuvas especialmente nas regiões do Extremo-Oeste, Oeste e Meio-Oeste. Dados da Epagri Ciram mostram que em dezembro, janeiro e fevereiro as chuvas ficaram abaixo da média nessas regiões. A média atual de precipitações varia entre 30 a 40 mm, sendo que o esperado seria em torno de 150 mm.

 

O hidrólogo da Epagri Ciram, Guilherme Xavier de Miranda Junior, explica que desde 2019 o estado sofre com a seca. No ano passado a situação amenizou um pouco, apesar das chuvas ainda terem ocorrido abaixo do esperado. Para este ano, a previsão é de pouco volume de chuva para os próximos três meses.

 

Clóvis Roberto Levien Correa, meteorologista da Epagri Ciram, informa que, embora ainda não existam no estado estudos que comprovem essa hipótese, é provável que as situações das recorrentes estiagens estejam relacionadas com as mudanças climáticas. As queimadas na Floresta Amazônica também se refletem no clima.

 

Agricultura tem R$ 150 milhões em investimentos

 

Na área da Agricultura, são R$150 milhões anunciados neste ano para o combate à estiagem no meio rural, R$ 50 milhões a mais que no ano anterior.

 

O Programa Reconstrói SC é uma das medidas e visa atender cinco mil agricultores. Com ele, os produtores catarinenses terão acesso a financiamentos de até R$ 10 mil, sem juros e com cinco anos para pagar. Caso o pagamento seja feito em dia, há um desconto de 50%. Os recursos totais de R$ 50 milhões disponibilizados pelo Governo do Estado podem ser acessados por produtores atingidos por qualquer evento extremo ou condição climática adversa, neste caso, a estiagem.

 

Para o Programa SC Mais Solo e Água são R$ 100 milhões em investimentos. Com o Programa, na linha Água para Todos, os produtores terão acesso a até R$ 100 mil, sem juros e com cinco anos de prazo para pagar. Podem ser feitos investimentos em captação, armazenagem, tratamento e distribuição de água na propriedade rural. Os beneficiários adimplentes terão uma subvenção de 50% no valor das parcelas, ou seja, o Governo do Estado pagará metade do financiamento.

 

As famílias em situação de vulnerabilidade social e de renda terão um apoio ainda maior. O limite será de R$ 20 mil, sem juros e com cinco anos de prazo, e o bônus chega a 75% em caso de pagamento das parcelas em dia. Na prática, se o produtor acessar o valor máximo do financiamento (R$ 20 mil), ele irá pagar apenas R$ 5 mil, sendo o restante garantido pela Secretaria da Agricultura.

 

Os produtores rurais contam com apoio, também, para isolamento e recuperação de mata ciliar, proteção e recuperação de nascentes, terraceamento e cobertura do solo. Na linha Cultivando Água e Protegendo o Solo, estão disponíveis financiamentos de até R$ 30 mil, sem juros e com cinco anos para pagar. Os beneficiários adimplentes receberão subvenção de 50% no valor das parcelas.

 

Casan reforça sistemas de abastecimento

 

Chapecó

 

Chapecó é uma das cidades com mananciais mais castigados no Estado. Para atender a uma população aproximada de 220 mil pessoas, o Sistema de Abastecimento de Chapecó exige captação, tratamento e produção de, em média, 50 milhões de litros de água por dia. Mas com a redução drástica do principal manancial da cidade, o Lajeado São José, essa produção está reduzida a 65%, exigindo manobras operacionais para fornecimento de água a todas as regiões.



“Com os melhorias e investimentos conseguimos prolongar o início do revezamento na cidade por vários meses, mas desde o final de janeiro foi necessário adotar essa medida. Hoje a maior parte da água que atende a cidade é captada no Rio Tigre, na Barragem de Guatambu, a 15 quilômetros de Chapecó. A captação de poços profundos colabora com o abastecimento, e agora vamos também captar água no Rio Uruguai”, explica o superintendente da Casan na Região Oeste, Daniel Scharf.



Desde 2020, já sob o impacto da falta de chuvas, a Companhia executa obras e melhorias, com investimento aproximado de R$ 21 milhões. Uma das ações foi a ampliação na captação no Rio Tigre, com bombas submersas, flutuante e geradores.



O Lajeado São José foi submetido a uma limpeza mecanizada do lodo sedimentado, que permitiu a reabertura do canal de entrada e aumentou a capacidade de armazenamento. Porém, em 2021 a falta de chuvas continuou, com déficit que cresceu para 523 milímetros, e intensificou o cenário de seca.



Para recuperar a capacidade de reserva no Lajeado, uma nova limpeza já está licitada e será executada pela Casan nos próximos meses, com previsão de retirada de 400 mil metros cúbicos de material. O objetivo é dar sequência ao trabalho iniciado em 2020 e aumentar a capacidade de reserva e captação de água.



A Companhia também ampliou a captação de água para o sistema de abastecimento com a perfuração de poços. Porém entre os três perfurados, o do Bairro Boa Vista não apresentou vazão para colaborar com o abastecimento de água da cidade.



A falta de chuvas tão prolongada prejudica o lençol freático, fazendo com que ocorram situações como essa, em que a perfuração de um poço não a fornece a água esperada. Os poços perfurados no Bairro Esplanada e na Efapi estão em plena em operação.



Planejamento Hídrico

 

Chapecó está contemplada nos investimentos previstos no Planejamento Hídrico do Governo do Estado e Casan, com aporte de R$ 1,7 bilhão para infraestrutura de abastecimento em Santa Catarina.



A maior cidade do Oeste será beneficiada com a maior obra de abastecimento, o Projeto Chapecozinho. A meta da Casan é colocar o sistema em operação em 2024. Aproximadamente 70% da adutora de água bruta, e 12% de uma macroadutora de 57 quilômetros, de água tratada, estão executados.



Está também concluída a concretagem da base do reservatório de 6 mil metros cúbicos, localizado em Xanxerê, e as paredes vão começar a subir. Em outra frente de trabalho, equipes executam a montagem de armaduras e formas da base do reservatório que terá capacidade de 4 mil metros cúbicos e ficará ao lado da Estação de Tratamento de Água do Sistema Chapecozinho.



Ao todo, o projeto prevê a construção dessa grande ETA com capacidade de produção de 1,2 mil litros por segundo, e quatro reservatórios de grande porte, proporcionando uma capacidade total de reserva de 17,5 milhões de litros e maior segurança hídrica para Xanxerê, Xaxim, Cordilheira Alta e Chapecó.



Em Caibi e Palmitos, para garantir o abastecimento, foi realizada outra captação e também a dragagem no Rio São Domingos. Além disso, a chuva ocorrida na semana passada ajudou a aumentar a captação e a recuperar o Sistema Integrado de Abastecimento. Desta forma, no momento, os dois municípios suspenderam as manobras operacionais, mas a Casan ressalta a importância da comunidade manter o uso econômico da água.

 

Cunha Porã



Com a situação crítica do principal manancial, o Rio São Domingos , o abastecimento está sendo feito com manobras operacionais, com alternância entre dois setores da cidade. Também está sendo feito o transporte de água, com caminhões-pipa, nas áreas onde há necessidade.

 

Concórdia



Em função da escassez de chuvas que prejudica os mananciais de Concórdia, foram retomadas, nesta semana, as manobras operacionais. A distribuição está organizada em duas macrorregiões do Sistema de Abastecimento. Regiões mais altas estão sendo abastecidas com caminhões-pipa.

 

Iporã do Oeste



Foi implantada uma nova rede de 4 quilômetros para buscar água bruta no Rio Macaco. O investimento foi necessário porque a principal captação no Rio Pirapó ficou prejudicada com a estiagem. Com a nova rede, a capacidade de vazão na captação no Rio Macaco chega a 30 metros cúbicos por hora, o que é suficiente para manter o abastecimento pleno na cidade.

 

Maravilha



A Casan executou uma captação emergencial, uma nova adutora e instalou um nova motobomba no poço reserva, recuperando o sistema que passou por situação crítica no final do ano passado. Com o novo equipamento, que é de alta performance, Maravilha terá, quando necessário, complemento de 30 litros de água por segundo. Com as melhorias o sistema está recuperado e não necessita de revezamento.

 

São Miguel do Oeste



A Casan instalou um novo sistema de bombeamento na adutora do Rio das Flores, aumentando a capacidade de captação de água. A ampliação na produtividade do Rio das Flores supre os baixos níveis de aproveitamento no Rio Cambuim, principal manancial de abastecimento da cidade. A Companhia também executou limpeza preventiva na barragem do Rio Cambuim e perfurou poços, que estão sendo finalizados. Caminhões-pipa de água bruta ainda são necessários, assim como algumas manobras operacionais para manter o fornecimento de água em toda a cidade.

 

Seara



Um poço profundo foi instalado, está em operação e a Companhia transporta água bruta do rio Uva para a barragem de captação de água da Casan no Rio Caçador. Estão previstas obras para aumento da barragem de captação nesse manancial. Manobras operacionais chegaram a ser necessárias, mas com as melhorias no sistema e alguns momentos de chuvas foram suspensas.

 

União do Oeste



O sistema local ainda enfrenta dificuldades no abastecimento, e está funcionando com manobras operacionais, recebendo água vinda do sistema de Pinhalzinho por caminhões-pipa. Um poço com vazão muito produtiva para o município foi perfurado e estão sendo providenciadas as bombas para início de operação.

 

Xaxim



O abastecimento recebeu reforço de uma captação emergencial em açude particular e perfuração de dois poços, que estão em operação. As melhorias e alguma chuva na região amenizaram a situação, porém com a continuidade da estiagem serão novamente realizadas manobras para revezamento e fornecimento de água a toda a cidade.


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