Ponteserradense que ficou paraplégico em grave acidente conta história de superação

Leonardo Dias sofreu 22 fraturas pelo corpo e ficou em coma por mais de um mês, deixando o hospital após mais de 90 dias internado

Por Kiane Berté

25/11/2021 11h30 - Atualizado em 25/11/2021 11h45



Leonardo ficou mais de três meses no hospital após o acidente (Fotos: Arquivo pessoal)

‘Fé’ e ‘força de vontade’ são as palavras que mais definem a nova vida que Leonardo Júnior Dias, de 30 anos, está tendo atualmente.

 

Foi com muita fé que o ponteserradense conseguiu vencer os obstáculos que apareceram em sua frente, depois de sofrer um grave acidente de trânsito, em agosto de 2015, e ficar paraplégico.

 

Leonardo não tem lembranças daquele dia trágico, porque acabou perdendo a memória devido à forte pancada que levou na cabeça, mas jamais vai esquecer dos momentos em que precisou lutar para se manter vivo, em uma cama de hospital que foi sua casa durante mais de três meses.

 

O acidente

 

No dia 25 de agosto de 2015, Leonardo transitava com sua motocicleta pela Linha Rio do Mato, interior de Ponte Serrada, quando acabou se chocando contra uma carreta, com placas de Chapecó, que vinha no sentido contrário.

 

Ele foi resgatado pelas equipes de socorro e encaminhado em estado grave ao Hospital Regional São Paulo (HRSP), de Xanxerê, mas precisou ser transferido a São Miguel do Oeste devido aos diversos ferimentos que sofreu.

Ponteserradense ao lado da esposa Sabrina (Fotos: Arquivo pessoal)

“Fiquei um mês e meio em coma”

 

A estadia de Leonardo no Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, em São Miguel do Oeste, se estendeu por mais de dois meses. Foram mais de 60 dias internado na UTI da unidade, após passar por cirurgias nos braços e pernas para tentar corrigir as 22 fraturas que sofreu pelo corpo, no acidente.

 

Destes dois meses em estado grave, o jovem ficou em coma por um mês e meio, sofrendo com quatro paradas cardíacas.

 

“Eu não podia falar. Tive várias fraturas no maxilar e demorei um mês para começa a ter umas palavras”, recorda Leonardo sobre quando acordou no hospital.

 

Depois de um tempo, necessitando de um procedimento cirúrgico na coluna, Leonardo foi transferido para o Hospital Regional do Oeste (HRO), em Chapecó, ficando por um mês e cinco dias.

 

A notícia de que havia lesionado a coluna e que não iria mais conseguir andar, veio assim que ele retomou os sentidos, ainda no hospital de São Miguel do Oeste. Segundo Leonardo, a notícia não o deixou tão em choque quanto pensava, pois no fundo ele já sabia o que lhe esperava.

 

"Eu tive vários sonhos que diziam que eu tinha lesionado a coluna eu sabia o que tinha acontecido comigo. Quando acordei, já sabia dos meus problemas. Eu estava ciente do que tinha acontecido comigo". 

 

Mesmo com todos os momentos difíceis, com a dor constante causada pelos ferimentos que sofreu, ele nunca desistiu de tentar viver e se recuperar depressa. 

 

“Me lembro da minha família toda me dando força e me motivando, mais o Altair Dias [irmão de Leonardo] sempre estava no meu lado o tempo todo, quando me recuperei bem, me lembro dele colocando umas adaptações no carro dele pra mim poder sair sozinho e ir aonde eu quisesse”, recorda.

Trabalho de cutelaria que Leonardo faz (Fotos: Arquivo pessoal)

Aniversário em coma

 

Leonardo Dias sempre foi caseiro. Todos os aniversários que fazia, no mês de setembro, era somente na companhia da família e amigos, mas em uma comemoração mais reservada. Na época do acidente, ele tinha 24 anos e passou o aniversário em uma cama de hospital, em coma, sem saber o que acontecia do lado de fora.

 

Naquele ano, o aniversário continuou sendo restrito, mas também passou em branco, pois Leonardo estava inconsciente naquele dia 9 de setembro, data em que completou 25 anos de vida. Apesar de estar ausente e desacordado, Leonardo hoje agradece por estar vivo e ter a oportunidade de poder ver e estar ao lado das pessoas que mais gosta.

 

Família

 

O ponteserradense vive atualmente em um sítio, no interior do município, na companhia da esposa Sabrina Peruzzo, que conheceu um ano após o acidente. Ao lado dela, que sempre o cuidou e o incentivou em tudo, Leonardo aproveita a nova oportunidade de vida que recebeu.

 

Apesar de hoje estar feliz com todas as coisas que conquistou nos últimos anos, Leonardo teve uma perda recente na família. Altair Dias, um dos irmãos do meio, entre os 12 da família, acabou falecendo, vítima de Covid-19, há seis meses.

 

“Me ajudou em tudo, me cuidou. Um parceiro, que quando eu mais precisa, estava no meu lado, só tenho lembrança boas e faz muita falta”, desabafa.



Descobrindo novas habilidades

 

Leonardo demorou um pouco para conseguir se adaptar à nova vida. Antes do acidente, o que ele mais gostava de fazer era andar de moto, o que para ele era uma paixão muito grande. Além disso, ele era uma pessoa bem esportiva e jogava futebol com os amigos, coisa que hoje em dia já não pode mais fazer devido à falta de mobilidade.

 

Mesmo assim, foi com muita ajuda e muita força de vontade que ele deu a volta por cima.

 

“Eu tinha medo de como seria minha vida depois que saísse de lá [hospital], sem poder caminhar, sem poder fazer as coisas que fazia de antes, mais sempre fui positivo e com ajuda de minha família e amigos, cada dia era uma vitória”, expressa.

 

No início, Leonardo ficava preocupado por saber que dependeria das pessoas para fazer as coisas no dia a dia, mas com o passar do tempo, foi se adaptando e aprendendo a se virar sozinho.

 

Em meio ao caos, Leonardo encontrou mais uma maneira de ser feliz novamente. Ao ver um amigo manuseando e criando facas, na chamada profissão de cuteleiro, ele ficou maravilhado com a proposta e logo passou a praticar e criar suas próprias facas.

 

"Eu sempre achei interessante esse tipo de arte, daí resolvi fazer e notei uma maneira de ocupar a cabeça e a alta estima. Todo dia faço facas que me pedem e isso me ocupa muito".

 

Hoje, após cinco anos de experiência, Leonardo cria facas artesanais com ajuda de amigos que também são cuteleiros. Desse jeito, ele renova ainda mais a vontade de viver e aprender cada vez mais.

 

“Queria incentivar pessoas com deficiência física a encontrar um jeito de fazer a vida delas normal como a de todo mundo, sem dificuldade e ser mais feliz”, enfatiza Leonardo.

 

Os planos que o cuteleiro tem para os próximos meses já inclui criar um canal no YouTube, para poder mostrar seus talentos com as facas artesanais e também “para mostrar que não tem dificuldade naquilo que realmente gosta e tem medo de tentar”.



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