Família indígena tira sustento através da produção de cestos e "filtro dos sonhos"

Casal e a tia, pertencentes à reserva indígena de Nonoai, estão em Ponte Serrada e foram abrigados por uma família da cidade por conta do frio

Por Kiane Berté

21/07/2021 09h49 - Atualizado em 21/07/2021 10h13



Dona Luiza é tia do casal, e acompanha eles nas cidades por onde passam (Fotos: Kiane Berté)

Instalada na praça da rodoviária, em Ponte Serrada, há 12 dias, uma família indígena de Nonoai (RS) busca levar o alimento para casa através de trabalhos manuais que desenvolvem desde pequenos.

 

Criados na reserva indígena do município gaúcho, que habita quase três mil pessoas em uma área de 20 mil hectares, o casal Luciana dos Santos, de 34 anos, e Irineu Loureiro, de 37, junto da tia Luiza Salvador, de 49 anos, pertencentes à tribo Caingangue, passam boa parte dos dias fora de casa, em busca do pão de cada dia com a produção e venda de balaios.

 

Manuseando com tranquilidade os fios de taquara, cortados com cuidado para deixar o trabalho perfeito, os cestos vão ganhando forma aos poucos. A família não leva muito tempo para deixá-los prontos e, logo finalizados, são levados de porta em porta para serem vendidos. Eles também ficam expostos na rodoviária, onde o casal e a tia permanecem durante todo o dia, até o anoitecer.

 

Agora, com o frio intenso da região nos últimos dias, eles foram convidados a se instalar na casa de uma família ponteserradense – que prefere não se identificar. Foi um gesto de generosidade com os indígenas, que costumam passar a noite em rodoviárias das cidades por onde passam.

Luciana aprendeu a fazer balaios com a mãe, aos oito anos (Fotos: Kiane Berté)

O casal Luciana e Irineu tem quatro filhos, de 3, 9, 12 e 14 anos de idade, e todos eles já sabem fazer balaios e outros trabalhos manuais que aprenderam com a família. “A gente não pode perder a nossa cultura”, disse Luciana ao Oeste Mais.

 

Além dos cestos, a família produz filtro dos sonhos, um amuleto típico da cultura indígena que diz ter o poder de purificar as energias, separando os "sonhos negativos" dos "sonhos positivos", além de trazer sabedoria e sorte para quem o possui.

 

O ‘amuleto’ é feito apenas com linha, mas com um bocado de talento e paciência. Algo que Luciana tem de sobra.

 

O caminho que a família percorre é feito de ônibus, passando de cidade em cidade na região, em busca de vender o trabalho produzido e levar sustento aos filhos que moram na aldeia com o avô.

 

Muitas vezes eles passam até 20 dias fora de casa, e mesmo sentindo falta da família, Luciana e Irineu sustentam a saudade com o pensamento de que a cultura vai se manter viva.

Irineu é casado com Luciana e também trabalha fazendo cestos (Fotos: Kiane Berté)

Família precisa de doações 

 

Prestes a deixar a cidade de Ponte Serrada, a família pede apoio da comunidade para receber doações em roupas e alimento.

 

Para quem quiser contrubuir de alguma forma, Luciana, Irineu e dona Luiza podem ser encontrados durante o dia na praça da rodoviária em Ponte Serrada. Eles devem partir na próxima sexta-feira, dia 23.





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