VÍDEO: Caminhoneiros de Ponte Serrada e Faxinal dos Guedes falam sobre profissão e desafios na estrada

Valdir e Valdecir passaram por situações bem difíceis quando foram vítimas de assaltos e acidentes de trânsito

Por Kiane Berté

30/06/2021 09h13 - Atualizado em 30/06/2021 10h04



Valdir e Valdecir contam suas histórias emocionantes na estrada (Fotos: Reprodução/Oeste Mais)

A vida na estrada é cheia de aventuras, desafios, alegrias e tristezas. Ser caminhoneiro significa passar por dificuldades, viver longe da família, viajar pelo país e, acima de tudo, ter histórias para contar.

 

A profissão é uma das pouco valorizadas nos dias atuais, já que é necessário abrir mão de muitas coisas, inclusive do contato diário com a família. Mesmo assim, existem algumas datas de nosso calendário que foram destinadas a homenagear os motoristas.

 

Nesta quarta-feira, dia 30, comemora-se o Dia do Caminhoneiro. O Oeste Mais preparou um vídeo especial com histórias de dois profissionais da estrada (assista mais abaixo).

 

É preciso ter coragem para encarar a profissão. Além de o motorista precisar passar horas, dias e até meses na estrada, ele é perseguido pelo perigo, seja na estrada ou durante as paradas. Mesmo com todos esses empecilhos, o ponteserradense Valdecir Gabiatti, de 55 anos, e o faxinalense Valdir Heberts, de 60, motoristas de caminhão há pouco mais de duas décadas, lutaram para terem dias melhores na profissão.

 

Valdecir teve bastante dificuldade durante estes anos na estrada. Entre as cinco vezes em que esteve na mira de bandidos, estava com o sobrinho Alcemir Rossi quando foi vítima de um assalto à mão armada na cidade de São Paulo, no dia 28 de setembro.

 

Tio e sobrinho foram surpreendidos pelos bandidos na espera do horário de almoço, sendo levados a uma espécie de cativeiro na cidade de Osasco (SP), onde permaneceram durante 26 horas na mira dos criminosos.

 

Além de ser ameaçado o tempo todo, Valdecir lembra que os autores tentaram espancá-lo com uma madeira cheia de pregos, além de amedrontá-lo apontando um revólver na cabeça dele.

 

O ponteserradense relatou que os assaltantes pediam R$ 50 mil de resgate para soltá-lo e liberar a carreta. A negociação pela vida do motorista foi feita pelo filho e uma sobrinha, que conduziram a conversa “na base da enrolação” para conseguir tempo até a polícia agir.

 

Apesar dos momentos de tensão e medo, eles acabaram liberados pelos bandidos e buscaram por ajuda da polícia.

 

 "O pai lá de cima que dá as regras. Se é para ser o meu dia, vai ser. Onde tiver, vai ser. Perigo há em qualquer área", expressa Gabiatti.

Valdir junto com a família (Foto: Arquivo pessoal)

Outros apuros na estrada

 

Valdecir Gabiatti, assim como muitos motoristas, já passou por muita coisa boa e outras tantas ruins na estrada. Além deste assalto acontecido em setembro, ele foi vítima de outro há 22 anos.

 

Naquela época, o caminhão dele também foi tomado por bandidos. Os criminosos entraram em uma rota suspeita, foram perseguidos pela polícia e acabaram capturados. Valdecir também havia ficado preso em cativeiro e foi libertado horas depois.

 

Fora esses crimes, ele também foi assaltado enquanto trabalhava na estrada. A primeira vez ocorreu em um posto de combustível, enquanto dormia. O motorista acordou já na mira de uma arma, rendido por três homens, que levaram o celular e dinheiro que Valdecir tinha na carteira. Apesar do susto, não foi machucado.

 

No dia 28 de outubro de 2019, Valdecir também foi vítima de um grave acidente de trânsito em Curitiba (PR). Num dia nublado e de chuva, o caminhão que ele conduzia acabou colidindo contra uma carreta parada em uma curva, em cima da pista.

 

Chamado por ele de "milagre", Valdecir saiu ileso da colisão, sem nenhum arranhão ou hematoma. O caminhão ficou bastante danificado.

 

"Quando você gosta de uma coisa, a gente tem que ir até o fim. Aquela mão Dele [Deus] leve pra cima da gente, de proteção. Só rezar para Ele e ter fé Nele, porque ser caminhoneiro é bom, perigoso é, mas é emocionante", diz Valdecir.

Valdecir foi vítima se assalto à mão armada há alguns meses, junto com o sobrinho (Foto: Arquivo pessoal)

Viajante como motorista de caminhão há 23 anos, Valdir Heberts passou a se apaixonar pela estrada ainda novo. O caminhoneiro mora em Faxinal dos Guedes, no Distrito de Barra Grande, há 19 anos, com a família.

 

Em tantos anos de estrada, nunca havia passado por tanta dificuldade quanto no dia em que sofreu um acidente de trânsito e foi assaltado por bandidos. Em todas as viagens que fez, 80% delas foram para o estado de São Paulo. 

 

“Eu tinha vontade de ser caminhoneiro, de conhecer o Brasil. É bom, é bonito, mas tem muita dificuldade”, admite.

 

Em 2014, quando Valdir se deslocava pelas estradas do país para trabalhar, acabou colidindo na traseira de uma carreta. O acidente provocou graves lesões, onde ele fraturou o pulso, o tornozelo, e ficou 45 dias internado em um hospital de Curitiba (PR).

 

As lembranças do dia ficaram apenas na memória dele, já que as imagens que registrou em seu celular foram perdidas quando foi assaltado na estrada e teve o telefone roubado.

 

Fora esse episódio de muita tensão e medo por conta do acidente, Valdir Heberts também precisou ser forte e lutar pela vida quando foi vítima de bandidos em São Paulo. No caso dele, duas vezes seguidas, com diferença de 34 dias de um assalto a outro.

Caminhão de Valdir foi recuperado após assalto (Foto: Divulgação)

Em uma das ocasiões, foi surpreendido por um bandido na janela do caminhão, onde Heberts pensou ser outro motorista que estava pelas proximidades. Valdir acabou perdendo dinheiro nesse assalto e um pouco da coragem de dirigir.

 

Um mês depois, o terror foi novamente sentido. Dessa vez, na cidade de Guarulhos (SP).

 

Valdir foi colocado na parte de trás do caminhão, onde fica a pequena cama usada para descansar, e transferido para um carro dos bandidos, sendo levado em seguida até uma casa, onde passou o dia todo ameaçado pelos criminosos.

 

Mais perto da noite, foi solto em Mogi das Cruzes (SP), cidade vizinha onde estava, sem nenhum arranhão, mas com a consciência completamente perturbada.

 

Ele passou a não dormir à noite, com medo de tudo o que viveu. Os pesadelos sempre o acordam para fazê-lo lembrar dos traumas que passou. Com tudo de ruim que viveu durante o trabalho que sempre admirou e gostou, Heberts não sente mais aquela paixão de pegar a estrada e o caminhão.

 

“Vontade eu não tenho, mas eu não tenho outra profissão. Não estou aposentado também, então vou ter que trabalhar. Tem que arrumar o caminhão, mas vontade a gente não tem de voltar para a estrada, mas vou ser obrigado a voltar”.

 

Mesmo precisando voltar ao trabalho, o motorista afirma não querer mais retornar a São Paulo, estado que foi palco dos grandes acontecimentos em sua vida.

 

"Eu vou deixar para os caminhoneiros, que se apeguem com Deus, um respeite o outro, porque a primeira coisa que tem que ter na estrada é o respeito, e fé em Deus que tudo dá certo", finaliza Valdir Heberts.



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