Jornalistas do Oeste criam dupla de humor para descontrair e divertir público

Tchó e Béppi estão há 15 anos levando graça aos mais de 200 mil seguidores que conquistaram na internet

Por Kiane Berté

08/06/2021 14h46 - Atualizado em 08/06/2021 17h20



Fabinho e Luciano deixaram o jornalismo de lado para levar alegria com piadas às pessoas (Fotos: Arquivo pessoal)

“Rir é um remédio, te deixa feliz, pra cima, principalmente em momentos como esse”.

 

A frase acima foi dita por Fabinho Mezzacasa, jornalista e humorista que saiu do Oeste de Santa Catarina para ganhar o mundo em Mato Grosso há alguns anos.

 

Acompanhado do ponteserradense Luciano Vendrame, os amigos ficaram conhecidos pelos vídeos de humor que vêm conquistando cadê vez mais espaço na internet. Conhecidos também como ‘Tchó e Béppi’, os profissionais colecionam mais de 200 mil seguidores nas redes sociais.

 

Ambos com formação em Jornalismo, Fabinho e Luciano trabalharam durante anos na televisão, para afiliada Globo de Mato Grosso (MT), a TV Centro América, na cidade de Sinop (MT), onde residem hoje com as esposas e filhos.

 

Luciano foi editor chefe da redação, enquanto Fabinho trabalhava como repórter, fazendo matérias para o Globo Rural e Globo Esporte.

 

O humor chegou na vida dos amigos em 2006, há 15 anos, para tirar a tensão do trabalho sério de jornalista, que acabava sendo como um ‘hobbie’ das horas vagas.

 

'Tchó e Béppi' são nomes da cultura italiana, e é uma expressão muito comum, principalmente no sul do país. Como bons descendentes de italianos, os amigos fizeram a escolha certa na hora de nomear os personagens que nasceriam a partir dali.

 

“A gente decidiu por não seguir esse humor do italiano, porque já tem gente fazendo isso hoje, principalmente na serra gaúcha. Muita gente não entende o dialeto a língua italiana, então, a gente meio que abrasileirou o negócio, criou uma linguagem mais colonial mesmo para que todo mundo possa entender nossa mensagem e nosso conteúdo”, disse Fabinho ao Oeste Mais.

 

 “Humor pra nós é uma brincadeira que ficou séria”.

 

Trabalhando na Rede Globo, os amigos não podiam se expor fora da emissora com outro trabalho. Dentro de uma rádio local, e com um programa só deles, passaram a crescer nos arredores com as piadas e entretenimento diferenciado, e acabaram ganhando ainda mais o público, sem nem ao menos acreditar que poderiam ir tão longe.

 

A dupla de amigos passou a inovar aos poucos na nova carreira. Dois CDs de piada, com 50 faixas cada, foram gravados por eles para testar o potencial. Sem fazer muito esforço, se espalharam por todo o Brasil.

 

Com o passar do tempo veio a internet, e eles passaram a ver a rede como uma ótima vitrine para ganhar fama e conquistar um público maior. Vídeos da dupla passaram a viralizar nas redes sociais e hoje acumulam números altíssimos.

Tchó e Béppi são amigos que se juntaram para fazer humor (Fotos: Arquivo pessoal)

Migração para os palcos

 

A dupla 'Tchó e Béppi' ficaram por um bom tempo fazendo o programa na rádio local, mas a vontade de ir mais longe e se aproximar cada vez mais dos fãs que conquistaram durante todo percurso até ali, Fabiano e Luciano decidiram tentar algo novo e desafiador: os palcos.

 

Sem entender muito e não tendo experiência com esse tipo de entretenimento, os amigos passaram a buscar referências com outros humoristas da região, que hoje se tornaram amigos.

 

“A gente via a turma fazendo e ficou com muita vontade de fazer, então, a gente criou um show, criou uma caracterização para poder ir para o palco, tudo isso. Demorou um bom tempo para as coisas acontecerem”, explica Fabinho.

 

Movidos pela curiosidade de conhecer quem eram os personagens que eles apenas ouviam pelas rádios, os fãs lotaram três sessões no teatro da cidade.

 

“O show foi muito engraçado, porque as pessoas riam do nosso jeito, a gente não era ator ainda, a gente não sabia fazer teatro”.

 

Hoje, 'Tchó e Béppi' já passaram por todos os estados do Sul e outros do país, levando o humor colonial e diferenciado para todos os lugares possíveis.

 

Luciano e Fabinho passaram a fazer cursos e se especializar em teatro para apresentar um trabalho ainda melhor. Hoje, depois de passar por banca e ter formação na área, 'Tchó e Béppi' são atores profissionais.

 

“Acho que a gente tem que levar a vida com mais alegria. A gente percebeu isso hoje na pandemia, o quanto o humor é importante. Tem muitas coisas importantes, mas o humor é muito importante, porque ele é um remédio, rir é um remédio, te deixa feliz, pra cima, principalmente em momentos como esse”.

Dupla de humor conta com mais de 200 mil seguidores (Fotos: Arquivo pessoal)

Dedicação total ao humor

 

O humor era um ‘bico’, um trabalho extra, na época. Os amigos ainda trabalhavam como jornalistas, mas dedicavam as horas vagas para o sorriso do público e para o entretenimento diferente que conquistava cada vez mais pessoas.

 

“O bezerro ficou maior que o boi”, foi como Fabinho explicou a migração total para o humor.

 

A fama dos amigos passou a crescer na região e, com ela, o aumento do salário, o que passou a motivar ainda mais os dois.

 

“Começamos a destinar a maior parte do nosso tempo para o humor”.

 

Hoje, os ‘bicos’ são ao contrário. Voltados à comunicação, Luciano possui uma empresa de assessoria, e Fabinho realiza algumas campanhas fora dos personagens. Uma profissão separada do outra.

 

“A gente teve que se ‘virar nos 30’, se reinventar agora também. Como a nossa maior renda era dos shows, ela acabou caindo lá embaixo, a gente está parado há muito tempo, fazendo muito pouco evento, a gente teve que fazer outras coisas”, reflete Fabiano sobre o inicio da pandemia.

 

Luciano foi o primeiro a deixar o trabalho como jornalista. Após largar a televisão, passou a se dedicar aos projetos de humor ao se dar conta de que o 'hobbie’ passou a ter outras dimensões.

 

Mesmo abandonando o trabalho na emissora, Luciano e Fabinho saíram com a porta aberta da Rede Globo, voltando em seguida para apresentar juntos episódios de humor educativo.

 

 “A gente virou personagem da Globo”.

Tchó e Béppi fazem inúmeros trabalhos com humor (Fotos: Arquivo pessoal)

Sucesso na internet

 

A dupla 'Tchó e Béppi' hoje conta com um público grande nas redes sociais. Com mais de 178 mil seguidores no Facebook, os amigos humoristas seguem ganhando curtidas, comentários e compartilhamentos na página. 

 

O mesmo acontece com a página do Instagram e YouTube que, juntos, somam mais de 50 mil fãs.

 

Grande parte dos vídeos dos humoristas chegam a ter um milhão de visualizações, e seguem crescendo cada vez mais a cada mês. Conteúdos divertidos como vídeos sobre o Grenal - duelo entre os clubes de futebol Grêmio e Internacional - sempre ganham espaço nos grupos de WhatsApp dos internautas torcedores.

 

Planos para o futuro

 

Hoje, 'Tchó e Béppi' estão com programas de rádio na cidade de Sinop (MT), que atinge 30 municípios da emissora, contam também com o Jornal Colonial, que está em 25 emissoras espalhadas pelo estado, realizam campanhas para rádio e televisão para todo o país, além dos shows que era a maior renda da dupla, e que foi pausada ainda no ano passado por conta da pandemia.

 

Fabinho e Luciano chegavam a fazer 15 shows em um único mês, passando a ficar fora de casa até quatro semanas, trabalhando bastante e levando diversão para os quatro cantos do país.

 

Com a chegada da pandemia, os amigos estão podendo descansar da vida turbulenta que tinham e também aproveitar mais o tempo com a família, mas Fabinho deixa claro que a saudade do público é sentida a todo o momento e que assim que tudo passar, 'Tchó e Béppi' vão retornar aos palcos.

 

“A gente sentiu que o público está muito carente. A pandemia entristeceu o mundo, todo mundo ficou triste, todo mundo ficou ansioso, doente, então, a gente como comediante, como humorista, vai ter um trabalho muito grande pela frente nesse pós-pandemia, que é voltar a alegrar o mundo,  voltar a buscar o sorriso no rosto das pessoas, voltar a alegrar o coração das pessoas, então, eu imagino que nos próximos anos a gente deva continuar trabalhando bastante, porque o mundo vai precisar de alegria. E é aí que a gente entra”.



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