‘Turma que meus filhos frequentavam’: mãe de gêmeos não levou crianças para creche no dia da chacina

Gêmeos Miguel Antônio e Maria Helena Wickert, de 1 ano e 6 meses, estudavam na sala onde vítimas foram assassinadas

Por Oeste Mais

08/05/2021 14h01 - Atualizado em 08/05/2021 14h05



Francielly, o esposo Ederson e filhos Anthony (ao meio), Maria Helena no colo do pai e Miguel no colo da mãe (Foto: Arquivo Pessoal)

Os gêmeos Miguel Antônio e Maria Helena Wickert, de 1 ano e 6 meses, não foram para a creche na manhã do dia 4 de maio, data do atentado que provocou a morte de cinco pessoas, entre elas três crianças, no município de Saudades. Eles frequentavam a sala onde ocorreram os homicídios.

 

Os pais Francielly Wickert e Ederson Wickert saíram de casa logo cedo para ir ao hospital fazer exames de rotina. Depois, o destino seria a escola infantil Pró-Infância Aquarela, alvo da chacina. Mas imprevistos atrasaram o horário de chegada à escola.

 

“Primeiro eu esqueci a carteira de saúde deles e tive que voltar em casa buscar e depois atrasou o atendimento para os exames”, lembra a mãe.

 

Os exames foram finalizados por volta das 8h30. Apesar do horário avançado, os pais resolveram levar os gêmeos até a creche. Quando chegaram e foram até a sala de aula dos filhos, perceberam que as cortinas estavam fechadas e as crianças deitadas nos colchonetes.

 

A sala era a mesma que mais tarde foi atacada pelo jovem e onde quatro crianças foram feridas, três delas indo a óbito. “Era hora do soninho e eles estavam escutando música de ninar na televisão. Fiquei com dó de atrapalhar e não batemos na porta”, conta Francielly.

 

Mesmo assim, o pai dos gêmeos sugeriu chamar uma professora para deixar as crianças na creche. Foi então que Francielly, que trabalha em uma panificadora na cidade de Pinhalzinho, lembrou que estava de folga naquele dia e resolveu levar os filhos para casa.

 

“Geralmente a minha folga é aos domingos, mas nessa semana meu chefe resolveu me dar folga na terça-feira. Então, achei melhor levar eles para casa comigo”.

 

A tragédia

Atentado em creche ocorreu manhã de terça-feira, dia 4 de maio (Foto: Imprensa do Povo/Divulgação ND)

Pouco mais de uma hora depois, Francielly estava em casa com os gêmeos e o filho mais velho, Anthony, de 6 anos e meio, quando o esposo ligou informando que a escola havia sido atacada. Imediatamente Francielly foi até a creche. Ao chegar, viu foi uma cena de filme de terror.

 

“Foi desesperador. Todo mundo chorando, uma movimentação de polícia e ambulância. Uma das professoras veio me abraçar e disse que a gente tinha muita sorte, porque o que tinha acontecido era na turma que os meus filhos frequentavam”, relata.

 

Vítima trabalhava na sala dos filhos

 

Mirla Renner, de 20 anos, uma das vítimas fatais da chacina, trabalhava na sala dos gêmeos, segundo a mãe das crianças. “Sempre foi muito atenciosa e carinhosa com eles. Era uma ótima pessoa”.

 

Francielly diz que os filhos estão ficando na avó. Apesar de elogiar a equipe, ela tem medo de levá-los para a creche – que permanece fechada – futuramente. “A gente fica com medo de que aconteça novamente, temos receio de que essa atitude dele tenha dado coragem para que outras pessoas façam o mesmo. Ainda não sabemos o que faremos”.

 

Maria Helena e Miguel perderam três colegas de turma na tragédia. Sarah Luiza Mahle Sehn, 1 ano e 7 meses, Anna Bela Fernandes de Barros, 1 ano e 8 meses, e Murilo Massing, 1 ano e 9 meses, assim como a professora Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, e a agente educativa Mirla Amanda Renner Costa, de 20.

Com informações do ND+


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