Amigos fazem homenagem ao fundador do moto clube Cachorros do Asfalto que morreu em grave acidente

Ismael Fernandes tinha 22 anos quando partiu e deixou legado ao criar grupo de motoqueiros para ajudar quem mais precisava

Por Kiane Berté

07/05/2021 16h27 - Atualizado em 07/05/2021 17h59



Ismael era apaixonado por motos (Fotos: Arquivo pessoal)

A moto sempre foi um sonho na vida de Ismael Fernandes, de 22 anos. Morador de Irani, sempre buscava apoio dos amigos e conhecidos para ajudar quem mais precisava. Os amigos, que hoje só guardam lembranças boas dele, relatam o quanto o joem se preocupava com as pessoas e como fazer o bem era lei na vida de Ismael.

 

O amor pela moto era tamanho que ele possuía uma pequena coleção de mini motos em casa. Todas vieram de presente, diferentes uma da outra, tanto em tamanho, cor e modelo, mas todas com um único significado: amor de colecionador. 

 

A irmã de Ismael, Patrícia Alessi, contou ao Oeste Mais que o irmão sempre batalhou para ter uma moto e realizar o sonho dele. Em 2017, Ismael comprou uma Twister 250, de forma parcelada, e quando finalizou o pagamento dela, já tinha em mente adquirir uma maior e melhor.

 

Patrícia relembra que o irmão vendeu a moto antiga e, com o dinheiro que ganhou por ela, o guardou para investir no veículo de duas rodas tão sonhado, já que acabou fazendo um consórcio para acelerar o processo.

 

 "Ele ficou um ano sem sair de casa, poupando ao máximo e dando lance para tentar conseguir a tão sonhada Kawasaki Z300, quando eu digo sem sair, é sem sair mesmo. Comprou caderno para anotar tudo o que era gasto no mês, todas as suas despesas, e exatamente dia 17 de janeiro de 2018 ele conseguiu a moto”.

Jovem acabou morrendo em um acidente em agosto do ano passado (Fotos: Arquivo pessoal)

Após a grande aquisição, em 2018 Ismael reuniu os amigos e, juntos, criaram um grupo de motoqueiros da região para se divertir e ajudar as pessoas. Ismael Fernandes foi fundador do motoclube Cachorros do Asfalto, de Irani, e deixou na memória das pessoas, boas recordações e saudade.

 

Hoje com 210 integrantes, o grupo que já está ativo há quase quatro anos, realizou inúmeras ações para ajudar a sociedade, como campanha do agasalho, cesta básica para as entidades, e outras, sendo que, somente em 2020, mais de quatro mil pessoas – crianças, jovens e adultos – foram atendidas pela equipe.

 

Mesmo com tantos sonhos pela frente, Ismael acabou falecendo no dia 15 de agosto de 2020, em um grave acidente na SC-473, sentido a Lindóia do Sul. Ele acabou colidindo a moto contra um animal na pista e não resistiu aos ferimentos.

 

Apesar da perda, os amigos que fez durante toda a caminhada em vida mantiveram o grupo e hoje homenageiam Ismael pela trajetória e pessoa que foi.

Amigos guardam as lembranças dos passeios com Ismael (Fotos: Arquivo pessoal)

Homenagem dos amigos

 

"Não dá pra explicar com palavras a paixão que o Ismael tinha por motos, o tanto que ele gostava e se dedicava para o grupo. Ele se preocupava com cada integrante do grupo, podia ter certeza que se alguém precisasse dele, ele iria dar um jeitinho de ajudar, ele não via a hora de chegar o final de semana e o tempo estar bom pra gente ir pra um rolê, eu sempre gostei de motos e quando fiquei com ele sabia que a partir daquele momento motos passavam ser parte da minha vida, também nós éramos três, eu ele e a moto, ele costumava brincar que eu era a amante e moto a mulher hehehe. Ele me disse que eu e a moto iríamos estar com ele até o último minuto, sei que ele foi cedo de mais, tínhamos planos de ficar bem velhinhos pegar uma moto e sair viajar para o mundo, fico tranquila em saber que cada pessoa que teve o prazer de conhecê-lo sabe a pessoa maravilhosa que ele era, sem maldade nenhuma só pensava em fazer o bem ajudar o próximo. Ele era bem quieto, mas se começasse a falar de moto com ele pra ver, ele se soltava na hora, sabia tudo sobre motos, quando ele escutava o barulho das motos chagava a ficar todo arrepiado, era uma amor inexplicável, o grupo para ele nunca foi um grupo sempre foi uma família. A família cachorros do asfalto, e uma frase que ele sempre disse e eu jamais esquecerei "se a velocidade me matar saiba que morro feliz, pois não quero morrer andando de moto, quero andar de moto até morrer".  Eduarda Corbari.

 

 

“Conheci o Ismael no ensino médio. Ele era um guri muito querido por todos na escola, porém, era uma pessoa tranquila, na dele, com um sorriso encantado e acolhedor. Como de costume, depois que terminamos o ensino médio, cada um seguiu sua vida, mas o Isma era meu vizinho e sempre mantivemos contato. A minha entrada no grupo ocorreu devido à ação social Doce Nata (que é feita pelos Cachorros no Asfalto), que consegui gravar o comboio passando pela rua, aí surgiu a ideia de que eu iria mandar a ele o vídeo, porém, a surpresa que mudou minha vida, naquele dia quando entrei em contato com ele para mandar o vídeo, ele como sempre, um amor de pessoa me disse: ‘para mim foi uma explosão de sentimentos’. A partir dali, eu vi que eu tinha nascido para o grupo. Ele como a ótima pessoa que sempre foi, nunca excluiu ninguém por ter moto menor ou por ser mulher, ou algo do gênero... Ele sempre foi o Isma, um rapaz sensacional. E sim, sou muito grata a ele por estar no grupo hoje e ver tudo que o grupo está se tornando”. – Ana Caroline Weis da Silva.

 

“O que falar deste ser humano incrível? impossível não conter a emoção, que para mim foi mais que um amigo, foi um irmão. Fazia um mês que havia adquirido minha primeira moto. Foi quando em um fim de semana fui ao posto abastecer minha moto, logo ele se aproximou e me abordou com um belo sorriso se apresentando, falando da minha moto e me fez o convite para entrar no grupo, até então, "turma do passeio". Ali nascia uma amizade verdadeira. Passado um tempinho, o grupo passa a ser "viagem Rio do Rastro", e eu fui convidado. Chegando o dia, sofro um acidente no qual não pude participar e ele em sua humildade e brincalhão, falou "Pasquali vacilão". Retornaram de lá, e então, o grupo passou a ser Cachorros do Asfalto. No mesmo ano, fizemos um desfile do 7 de Setembro, estando em 4 motos no mesmo ano: eu, ele e o Jefe, pegamos nossas motos e fomos em Vargem Bonita e Ponte Serrada. Ali nascia o "Doce Natal". Enfim, foram muitos passeios risadas e, como costume, o popular "Isma, paga a coca", que ele dava muita risada e sempre pagava. Foram vários momentos e rolês felizes que estão em minha mente, sendo eu indo na casa dele ou ele que toda a vez passava por minha casa, buzinava e fazia festa. Ele brincava que eu não participava dos roles, mas eu fazia os bastidores, pois apoiava ele e ajudava. Enfim, uma pessoa sem palavras para descrever. Agradeço a Deus por ter me dado a honra de conhecê-lo. E hoje, em sua memória, toda a equipe de adm que também faço parte, segue com esse sonho dele de tornar os Cachorros do Asfalto o maior moto clube”. – Deivid Pasquali de Oliveira.

 

“Minha entrada no grupo foi através de um membro que já fazia parte. O grupo se organizou para fazer uma viagem até uma barragem aqui nas redondezas e eu fui, e lá eu conheci o pessoal que me explicou um pouco sobre o grupo e como funcionava. Achei muito legal a maneira com que eles lidavam com as pessoas, e foi aí o momento que decidi fazer parte do mesmo. Não cheguei a conhecer nosso fundador, mas sei que sua essência deixou, que é a humildade e o amor pelas duas rodas. Hoje faço parte dessa família que tenho muito orgulho”. – Leonardo Augusto Reichert.

 

“O que dizer do Isma, uma pessoa fora do comum, a pessoa mais humana e mais humilde que já conheci, sem fala na parceria, estudamos juntos um tempo, mas não tínhamos contato, muito tempo depois a paixão pelas duas rodas nos uniu, me chamou no Facebook onde viu q eu gostava de andar com minha CB300, e ele apaixonado na z300 me convido pra da um rolê junto, fomos até Catanduvas, fiquei abismado com a pilotagem dele, e nos damos bem através disso, paixão por curvas! Aí comentou sobre a ideia de formar um moto clube, a partir dai só sucesso e emoção! Lembro bem do dia em que comentamos sobre um rolê pra um lugar que nunca fomos, ele falou sobre as cataratas do Iguaçu, e justo eu precisava comprar um notebook e aproveitamos para conhecer o Paraguai... Kkkk O Isma dizia: ‘bora lá conhecer as ‘chicas’ kkkkk... O restante do pessoal tinha compromisso, não puderam ir, mas nós continuamos firmes e se botamos para Foz do Iguaçu! Viajem inesquecível, até trilha fizemos pois o GPS nos trolou. Foram 1500 km de pura emoção! Oia Isma! Parecia ser um cara fechado, na dele, mas sempre estava de bom humor, e sempre soltando um sorrisão aleatório, uma bondade gigantesca que carregava no peito, cara, que saudade de ver tu me poda com a Z300”. – Alan Pegoraro.



“Conheci o Isma no desfile de 7 de Setembro, lá em Irani, quando fui convidado através de alguns membros daqui da cidade. Até então, eu só tinha ouvido falar no nome Cachorros do Asfalto, foi uma identificação de cara com ele, um cara sensacional humilde, com um sorriso fácil, que cultuava a amizade e os momentos naquele dia nunca me esqueço que ele se preocupou comigo e com a moto pelo fato de estar vazando óleo. Depois do desfile fomos lá no posto tomar uma coca e um café e ali começou nossa amizade. Logo após, ele mesmo me adicionou pela primeira vez no grupo e, mano, fiquei muito contente com toda a galera, uma das coisas que eu mais me inspiro nele é a forma de ver a vida. O Isma nunca teve medo de velocidade, vivia o momento sempre sorrindo, também não consigo esquecer do dia que eu eu comprei a camisa e ele pessoalmente veio me entregar, muita emoção em falar isso, todo dia quando ele chegava do serviço, botava alguma coisa no status e o que eu mais curtia era o gosto musical muito top também, o que ele era um cara muito família e preocupado com todos do grupo. Enfim, um pouquinho só dos momentos de começo ele sempre sério achei que ele era aqueles cara que não gostava de ninguém, até que um dia nós estávemos trabalhando e eu quis pedir o que ele fazia de final de semana, aí ele contou que só sabia anda de moto, contou a moto q ele tinha naquela época eu tinha uma fazer branca aí ele convidou pra um dia para andar junto e aí foi ele. Criou um grupo na Whats (passeio de moto) e foi indo". – Ewerton Willian Gonçalves.

 

“Eu conheci ele em um rolê em que fomos, no bar de Ponte, aí conversando me falou do grupo e me adicionou. Depois disso fizemos outros roles, conversávamos com ele pelo ZAP, e várias vezes me pediu dicas de viagem, quando fiz minha primeira camisa do grupo ele veio trazer aqui em casa pra mim. Ficou bravo, porque a estrada aqui de casa e de terra e tinha bastante pedra solta e moro kkk”. – Fernando Marafon.

 

“Não sabemos nem onde começar a falar desta pessoa incrível que era o Isma. Não tem como conter as lágrimas, para nós foi mais que um amigo, era um irmão. Conheci o Isma em um rolê até o bar de Ponte, ficamos a tarde toda lá se divertindo e dando muitas risadas. Ele sempre com aquele belo sorriso no rosto, para nós era difícil vermos o Isma triste, como disse sempre estava com aquele sorriso no rosto. Logo após entrei no grupo, onde meu noivo já estava, pois ele conhecia o Isma muito mais tempo que eu. O Isma sempre foi muito amigo, quando precisávamos, ele sempre estava ali para nós ajudar, ele nunca deixava nós na mão. Sempre foi um homem incrível, um grande amigo. Nessas horas as palavras somem pois é tantas histórias, risadas, brincadeiras que não tem como descrever. Era uma amizade muito importante”. – Manoela Porteles.

 

“Conheci o Isma na oitava série. Ele era mais conhecido naquele tempo como "famoso garoto da camiseta fogo", em uma escola que todos eram iguais, ele se destacava com seu jeito simples, meigo, brincalhão, aqueles olhos verdes chamativos, sorriso sincero e não podemos esquecer do jeitão galã dele ser. Desde 2010 até ano passado éramos grandes amigos, bom, não deixamos de ser, e sei que ele foi a minha amizade mais verdadeira. Nele eu via sinceridade, carisma, via tudo de bom naquele homem, menos maldade. E em relação à motos, vi ele andar pela primeira vez com a bis da irmã dele, uma bis com adesivo de rosa. Ele foi a minha maior influência para iniciar minha paixão por duas rodas. Ele tinha um dom para andar de moto, qualquer moto se tornava  um foguete nas mãos dele, ele era espetacular. Ele criou o grupo sem intenção de ter apenas motos potentes, ele não ligava para marcas, cilindradas, modelos ou estilos, ele ligava para a união e irmandade que ele estava criando”. – Elizeu Josias Batista Veiga. 

 

“Nós conhecemos o Ismael no desfile do município. Ele convidou a gente pra tomar uma Coca-Cola e nos convidou para participar do grupo Cachorro do Asfalto. Nos tornamos melhores amigos, a nossa amizade e carinho por você mudaram de endereço, agora como destinos ao céu sentimos muita saudades nosso grande amigo Ismael Fernandes”. – Márcio e Caroline. 









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