“Ter um filho especial é algo maravilhoso e único”, diz mãe de menino com paralisia cerebral

Maria Laura Oltramari é mãe do pequeno Francisco, que nasceu nas 34 semanas de gestação, no Hospital Regional São Paulo

Por Kiane Berté

05/05/2021 15h09 - Atualizado em 05/05/2021 15h24



Francisco Oltramari foi diagnosticado com paralisia cerebral ainda na barriga da mãe (Foto: Arquivo pessoal)

A sensação de ser mãe pela primeira vez causou êxtase em Maria Laura Oltramari, de 26 anos. Mãe aos 18 anos, Maria teve a certeza de que renasceu ao segurar Francisco no colo.

 

Muito pequeno, Francisco - hoje com oito anos de idade - veio ao mundo nas 34 semanas de gestação, no Hospital Regional São Paulo (HRSP), em Xanxerê, prematuro, mas cheio de amor para dar. “Eu amava amamentar, é uma conexão que não tem explicação”, comenta Maria Laura, moradora de Ponte Serrada.

 

“No começo eu tinha medo até se segurar, porque ele era muito pequeno e também nunca tinha segurado um bebê no colo, depois me tornei aquela mãe ciumenta e não deixava ninguém segurar ele”, relembra.

 

O bebê chegou na família para trazer alegria. Mimado e sempre recebendo bastante carinho de todos, Francisco também trouxe um pouco de preocupação para a mãe no início.

Francisco e a mãe Maria em uma das corridas que realizaram juntos (Foto: Arquivo pessoal)

Quando Maria descobriu que estava esperando um filho, precisou passar pelo ultrassom morfológico, que é um exame de acompanhamento pré-natal, entre o quarto e quinto mês de gestação.

 

A reação do resultado do exame assustou um pouco a mãe: Francisco apresentava paralisia cerebral.

 

Mesmo com o choque da notícia, Maria não questionou, e nem se preocupou. “Se veio assim, é porque é para ser. Sempre todos nós lidamos bem com o diagnóstico”, disse a mãe. 

 

Ao lado dela estava a irmã Vanessa, que, segundo Maria, reagiu normal e apoiou desde o início. Juntas, superaram todos os desafios e hoje dão amor e carinho para o pequeno Francisco.

 

"Realizada e feliz".



Participação em corridas

 

Maria e Francisco têm milhões de jeitos de se distrair e passar o tempo juntos.

 

“Onde eu vou, ele vai junto”.

 

Uma das coisas que Maria mais adora fazer ao lado do filho é correr. Esse foi um esporte em que ambos se adaptaram depressa antes da pandemia, e puderam aproveitar ao máximo a companhia um do outro.

 

Francisco possui um triciclo adaptado para corrida, que foi presente de um casal de Xanxerê. Muito emocionados com a história de vida de Francisco, os xanxerenses fizeram a doação à Maria após se deparar com uma vaquinha online para a compra do equipamento.

 

Como o triciclo foi doado ao menino, Maria Laura resolveu usar o valor arrecadado com a vaquinha para comprar uma nova cadeira de rodas para o filho. 

 

quando o triciclo chegou, Maria já iniciou o processo para participar de corridas de rua ao lado do filho. Com ajuda de uma amiga, mãe e filho passaram a se divertir ainda mais na companhia de outras pessoas. 

 

"Nas corridas era muito emocionante. Francisco sorria com o vento batendo no rosto, acho que sentia a adrenalina. Muito legal".



Desabafo de uma mãe

 

 "Ter um filho especial é algo maravilhoso e único. Nos coloca em um novo mundo. Cheio de dúvidas, de ideias. Um mundo que só quem tem um filho especial, ou tem uma criança especial na família conhece. É como se tudo o que você tivesse ouvido, tudo o que te ensinaram, não existisse. Aquele blá-blá-blá sobre como criar bebês definitivamente não funciona. É um mundo seu e do seu filho. É diferente, o nosso diferente-normal!

É possível e necessário inseri-lo no mundo normal. É possível até achá-lo normal, afinal de contas isso é o normal para você. (Pra mim é difícil cuidar, vestir uma criança "normal").

Ser mais especial é ser especial! Temos que fazer mais, querer mais, sonhar mais, temos que ser mais.

Damos valor a "qualquer" conquista, para cada sorriso, a cada amanhecer quando abrem aqueles olhinhos que trazem amor e gratidão. Não importa o que seu filho tem, se tem cura ou não, se a resposta é lenta ou não. O que importa é ACREDITAR naquilo que estamos fazendo e nunca parar”.



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