Mãe de trigêmeos, que contraiu Covid-19 e precisou ser intubada, conheceu filhos 23 dias depois do nascimento

Caroline Gotardo, de 39 anos, precisou ser levada ao hospital de Chapecó após complicações e realizou uma cesariana de emergência nas 30 semanas de gestação

Por Kiane Berté

03/05/2021 11h18



Dois dos trigêmeos já estão em casa com a família (Foto: Arquivo pessoal)

O nascimento de um filho sempre traz emoção para a família e principalmente para a mãe. É um momento de conexão entre os pequenos e quem os gerou durante nove meses.

 

Ver o filho pela primeira vez é sempre motivo de alegria, do choro de felicidade, e do encontro tão esperado. Mas para algumas mães, esse momento acaba sendo adiado por circunstâncias, muitas vezes, não esperadas.

 

Esse é o caso da mãe Caroline Bernardino Gotardo, de 39 anos. Moradora de Maravilha, município localizado no Oeste de Santa Catarina, ela passou por momentos difíceis durante o nascimento dos trigêmeos Alice, Manuela e Théo.

 

Caroline já era mãe de Gustavo, de 16 anos, Giovana, de 11, e da pequena Ana Lívia, de quase dois anos de idade, e uma nova gravidez não estava planejada por ela e o marido.

 

“Aconteceu sem querer, foi um susto grande. Primeiro aceitar a gravidez, daí depois aceitar que eram gêmeos, e então, só na primeira morfológica que vimos que eram três”, contou a mãe ao Oeste Mais.

 

Após descobrir a gravidez, Caroline soube que estava com diabete gestacional e por conta disso, precisou ficar internada por uma semana para acompanhamento médico.

 

Dias depois de receber alta e chegar em casa, a mãe foi diagnosticada com Covid-19. A falta de ar, a tosse e febre foram alguns dos sintomas que a prejudicou e fez com que Caroline precisasse retornar para a unidade hospitalar.

Família de Caroline e Irno antes da chegada dos trigêmeos (Foto: Arquivo pessoal)

Uma cesariana de emergência

 

A gravidez dos trigêmeos se tornou de risco e a mãe ficou ainda pior quando acabou contaminada pelo coronavírus.

 

Devido à falta de ar excessiva, Caroline foi encaminhada ao hospital em situação crítica. Internada, ela passou por uma cesariana de emergência com 30 semanas de gestação, no dia 24 de fevereiro, no Hospital Regional do Oeste (HRO), em Chapecó, e não pôde ver e nem tocar os próprios filhos.

 

As complicações no estado de saúde de Caroline, causadas pelo vírus, foram grandes e ela acabou sendo intubada no dia seguinte ao nascimento dos bebês prematuros.

 

Foram 19 dias respirando através de um tubo, outros dois dias na UTI e mais sete dias em um quarto de hospital, se recuperando.

 

“Fui conhecer meus bebês 23 dias após o nascimento deles”, relata a mãe.

 

“Conheci os bebês com 23 dias já, e na cadeira de rodas. Foi incrível ver eles pessoalmente, mesmo que sentada, mas depois que ganhei alta voltei uma semana após para ver eles, já conseguindo ficar em pé. Foi maravilhoso tocar neles e ver ele, foi um dos dias mais felizes da minha vida”.

 

O pai dos bebês, Irno Gotardo, conseguiu conhecer os filhos pessoalmente no dia 1º de março.

Gestação de Caroline (Foto: Arquivo pessoal)

Dois bebês já estão em casa

 

Alice e Manuela demoraram para receber alta hospitalar. Encaminhadas ao hospital de Maravilha para ganhar peso e ter acompanhamento médico, na cidade onde residem, as irmãs ficaram internadas até a última quinta-feira, dia 29, quando finalmente puderam ir para casa e serem recebidas com muito carinho pelos pais e outros três irmãos que ainda não as conheciam.

 

Já o pequeno Théo, recebendo toda a atenção do pai Irno, precisou continuar no HRO, em Chapecó, para tratar um problema que teve no pulmão. Conforme a mãe Caroline, os médicos realizaram uma avaliação na criança, que descartou o contágio pela Covid-19. As irmãs também não contraíram o vírus.

 

"Mas devido a eu ter tido [Covid-19] isso afetou o pulmão dele, e agora ele está usando uma nova medicação que está resolvendo", explica a mãe.

Saída do hospital (Foto: Arquivo pessoal)

Espectativa da família

 

Irno está realizando as visitas ao pequeno Théo, todos os dias. O bebê está no berçário do Hospital Regional do Oeste, mas apenas tem contato com enfermeiras e médicos. O pai faz uma visita rápida, de 40 minutos no máximo, e depois se despede, mas aguarda ansioso para ter o outro integrante da família em casa.

 

"Esta é a melhor sensação que existe, estamos realizados", comenta o casal.





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