Biometano pode auxiliar no suprimento do mercado catarinense de gás natural

Chamamento visa contribuir com a abertura do mercado de gás natural por meio da diversificação de fontes e agentes supridores

Por Oeste Mais

22/03/2021 14h41 - Atualizado em 22/03/2021 14h43



A Chamada Pública Coordenada para aquisição de gás natural foi lançada pela SCGÁS em conjunto com outras quatro distribuidoras do centro-sul do país no início de março. O chamamento visa contribuir com a abertura do mercado de gás natural por meio da diversificação de fontes e agentes supridores.

 

Além de propostas de suprimento de gás natural, o edital incentiva também propostas de biometano, insumo obtido por meio do processamento do biogás e que se aproxima das características físico-químicas de aplicação do insumo tradicional.

 

Em 2009, um estudo da UFSC realizado em parceria com a SCGÁS demonstrou o potencial de geração de metano na geografia catarinense. O relatório considerou fontes ligadas à geração de dejetos de animais, esgotos sanitários, resíduos sólidos e efluentes industriais.

 

Conclui-se, então, que Santa Catarina por meio de suas diversas atividades produtivas poderia gerar 2.918.107 m³ CH? por dia de biometano. O estudo mostrou também que este valor pode abastecer 54.685 residências com consumo médio de 200 KWh/mês. Atualmente, no Estado, são 16 mil clientes residenciais abastecidos com gás natural.

 

O valor potencial de produção do biogás é superior ao distribuído atualmente no Estado. Em fevereiro, por exemplo, a SCGÁS distribuiu uma média de 2.147.109 m³ por dia de gás natural.

 

Segundo o relatório da universidade, 85% da produção seria proveniente de dejetos de animais, o que é um ponto positivo para o Estado. Concórdia, Videira e Seara são os principais potenciais produtores de biogás, devido à criação dos animais. O Vale do Braço do Norte é outra região de importante potencial e que considera também algumas vantagens logísticas para o aproveitamento desse tipo de energia.

 

O gás natural é um combustível fóssil resultado da degradação da matéria orgânica ao longo dos anos, composto principalmente por metano. O biogás, por outro lado, é uma fonte proveniente da degradação da matéria orgânica. Assim como o gás natural, pode ser utilizado na geração de energia térmica e veicular, só que de forma renovável.

 

Para transformar biogás em biometano é necessário que ele seja convertido e purificado. O resultado é um combustível que pode ser transportado por meio de gasodutos. Atualmente, o gás natural consumido em Santa Catarina é importado da Bolívia e chega ao Estado pelo Gasbol (Gasoduto Bolívia-Brasil), sofrendo influência pelos preços do mercado internacional e das economias centrais.

 

O biometano, por outro lado, poderia apresentar um custo menor de transporte, já que pode ser produzido em larga escala em Santa Catarina. Com preços mais competitivos e produção nacional, o biometano é uma alternativa para o desenvolvimento econômico e social local, ajudando também na gestão do lixo orgânico.

 

De acordo com o Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CIBiogás) em 2020 houve um aumento de 34% na produção de biogás no país, mesmo com a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Modelo de usina de biogás em Pomerode (Foto: Divulgação/SCGÁS)

Estudo e Acordo

 

Além de apoiar a realização de estudos sobre o potencial de geração de energéticos renováveis no Estado, a SCGÁS tem, desde 2020, um acordo de cooperação técnica com o Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CIBiogás) para pesquisar o uso do biometano. A parceria, que tem duração de no mínimo três anos, visa encontrar oportunidades para aplicar projetos de uso de biometano em Santa Catarina.

 

Outro fator positivo para a utilização do biometano no mercado catarinense é que, em 2020, a possibilidade de injeção de biometano em redes de distribuição de gás canalizado ganhou a primeira norma técnica no Brasil. A "NBR-16837 - Parte 1: Requisitos", publicada pela ABNT em abril, abrange aspectos relacionados à viabilização dessa atividade, como odoração, amostragem, análises físico-químicas, monitoramento, condições de entrega e de recebimento e requisitos sobre gerenciamento de riscos.


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