Parque de diversão instalado há um mês e meio em Ponte Serrada só conseguiu trabalhar três dias

Famílias estão vivendo de doações e devem deixar município com destino a Chapecó

Por Jhonatan Coppini

19/03/2021 11h03 - Atualizado em 19/03/2021 11h03



O silêncio em meio aos brinquedos do Parque Carrossel dá um ar não natural ao ambiente. Costumeiramente agitado, cheio de gente, com música, conversa e diversão, o espaço absorve o drama do momento desafiador provocado pela pandemia de Covid-19.

 

Aos 53 anos de idade, Rosimari Bantle estranha a rotina. Às 17 horas era para todo o parque começar a receber o público, afinal, assim foi ao longo dos 20 anos de trabalho na área. Mas os finais de tarde não são mais como antes. Ela não vai abrir o trailer de venda de lanches. E a cena se repete há meses.

Funcionária do Parque Carrossel, Rosimari Bantle, em meio a brinquedo vazio (Foto: Jhonatan Coppini/Oeste Mais)

Com o parque fechado por conta das medidas de restrição em razão da pandemia, Rosimari conversou com o Oeste Mais bem no horário em que começava a receber o público. “Nós só trabalhamos três dias”, disse em entrevista no final da tarde desta quinta-feira, dia 18.

 

O parque chegou a Ponte Serrada há cerca de um mês e meio, mas sequer deu para tirar a despesa de instalação. “A gente tem vivido de doações, venda de bolas, maçãs do amor... Não estamos pagando contas porque não temos de onde tirar. O que a gente está pagando é água e luz”.

 

Tempos difíceis

 

Segundo Rosimari, que tem o filho, o esposo, a nora e alguns netos dentro do parque, há quatro famílias ao todo, com 17 pessoas, incluindo quatro crianças. Entre os pequenos, um bebê de apenas cinco meses é o mais novo morador. “A residência nossa é o parque. Aqui se resume toda a nossa história”.

Rosimari Bantle está há 20 anos trabalhando em parque de diversão (Foto: Jhonatan Coppini/Oeste Mais)

A mulher disse à reportagem que já houve muita colaboração dos moradores de Ponte Serrada em doações de alimentos, fraldas às crianças e outros materiais. Ela agradece a bondade, mas informa que uma mudança para Chapecó deve iniciar neste fim de semana. O município permite o funcionamento de parques de diversão com lotação de até 25% do público.

 

Aliás, foi no interior de Chapecó que o grupo ficou parado por meses quando a pandemia começou, em março do ano passado. Isolados em um sítio, só conseguiram sair no final de 2020. “Mas tralhava um dia, uma semana parado. Devido aos decretos, a gente parava”, contou Rosimari.

 

Necessidade de combustível

 

A intenção de seguir para Chapecó a partir deste final de semana esbarra em outra necessidade. O parque está sem combustível nos veículos. Como o transporte dos brinquedos é feito por caminhões, a maior necessidade está na aquisição de óleo diesel.

 

“A gente já passou muita dificuldade, mas uma situação como essa, não, jamais a gente tinha vivido”, lamentou. Há um telefone de contato para quem puder ajudar: (53) 99708-7860. O número também é WhatsApp. “O nosso sonho é de ir além, um dia transformar em um parque grande. É um amor por trás disso”, encerrou Rosimari.

Parque de diversão precisa de ajuda para comprar óleo diesel (Foto: Jhonatan Coppini/Oeste Mais)

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