BRF quer oferecer carnes cultivadas em laboratório até 2024

Em parceria com a Aleph Farms, ideia é desenvolver produtos à altura do gosto dos consumidores brasileiros

Por Oeste Mais

04/03/2021 11h13 - Atualizado em 04/03/2021 11h13



A BRF anunciou nesta quinta-feira, dia 4, a união com a startup israelense Aleph Farms para ser a primeira empresa brasileira a produzir produtos diretamente a partir das células dos animais. A chamada carne cultivada é um exemplo de agricultura celular e uma nova forma de produzir proteína animal.

 

A novidade surgiu com o desenvolvimento da biotecnologia na produção de alimentos, trazendo benefícios para a cadeia produtiva e vantagens para o meio ambiente, além de ampliar a variedade de portfólio para atender a todos os perfis de consumidores.

 

A iniciativa segue o planejamento estratégico Visão 2030, revelado pela BRF em dezembro de 2020, que espera registrar receitas superiores a R$ 100 bilhões até 2030.

 

"Desde 2014 temos testemunhado uma crescente demanda global por novas fontes de proteína impulsionadas por diversos fatores, como preocupações ambientais, novas dietas e estilos de vida, que impulsionam o crescimento dos estilos alimentares, incluindo as dietas flexitarianas e vegetarianas em todo o mundo", ressalta o CEO da BRF, Lorival Luz.

 

Além do co-desenvolvimento e produção, a BRF também distribuirá produtos de carne cultivada no Brasil. Pesquisas com consumidores brasileiros estão em andamento e a ideia é oferecer produtos desse tipo ao mercado brasileiro até 2024. A indústria de carnes cultivadas deve movimentar US$ 140 bilhões na próxima década, segundo projeções da Blue Horizon, que investe em proteínas alternativas. "Queremos investir em inovações neste segmento e trazer ainda mais progresso tecnológico ao mercado", acrescenta Lorival Luz.

 

Fase de testes

 

Ainda em fase de testes, a novidade poderá chegar ao mercado brasileiro de diversas formas, como hamburguer, almôndegas, embutidos como salsicha, ou mesmo steaks. Os ganhos em sustentabilidade são enormes: para cada 1 kg de carne bovina, gasta-se em média 15 mil litros de água. A tecnologia empregada no cultivo garante economia de 70% desse volume, evita o desmatamento e assegura maiores hectares de terra fértil, além de zero emissão de gases (a produção da Aleph Farms pretende zerar as emissões de carbono por completo até 2025). A carne cultivada também é livre de quaisquer antibióticos, o que garante maior saudabilidade à proteína e menos riscos à saúde do consumidor. Ainda conforme a BRF, a carne cultivada provém de uma amostra celular animal 100% natural.

 

Ciência por trás da carne cultivada

 

Toda carne é composta de células, até os menores seres vivos da natureza. A produção de carne cultivada começa com a obtenção de células de alta qualidade de animais, porém, sem o abate. As células são cultivadas fora do corpo do animal com o fornecimento de nutrientes e ambiente propício para o desenvolvimento. O processo automatizado e o ambiente estéril eliminam a necessidade de antibióticos e reduz muito o risco de patógenos ou contaminantes. Todo esse processo leva uma fração do tempo necessário para cultivar carne convencional com uma fração dos recursos que exige.


COMENTÁRIOS

Os comentários neste espaço são de inteira responsabilidade dos leitores e não representam a linha editorial do Oeste Mais. Opiniões impróprias ou ilegais poderão ser excluídas sem aviso prévio.