VÍDEO: Irmãs caminhoneiras de Faxinal dos Guedes falam sobre profissão

Ambas trabalham para a mesma empresa e seguem colhendo experiências como motoristas

Por Kiane Berté

03/03/2021 08h48 - Atualizado em 03/03/2021 09h08



Clair trabalha como motorista há quatro anos (Fotos: Arquivo pessoal)

Vista por muitas pessoas como uma profissão masculina, a função de caminhoneiro, por muito tempo, foi dominada pelos homens.

 

Mas, apesar disso, esse cenário tem ficado cada vez mais no passado, já que muitas mulheres têm optado enfrentar o preconceito e trabalhar naquilo que gostam, tornando-se, assim, motoristas profissionais e também caminhoneiras.

 

Hoje em dia é comum encontrarmos mulheres motoristas, seja de veículo pequeno ou caminhão. E em nossa região, as mulheres já estão passando a enfrentar esse desafio e ganhando espaço na profissão. Este é o caso das irmãs faxinalenses Clair Bettu, de 38 anos, e Cleidiane Bettu, de 28 (assista ao vídeo ao final da reportagem).

 

“O volante é uma paixão”. É assim que Clair sustenta o amor pelo caminhão. Ela conta que a vontade de ser motorista surgiu desde a primeira habilitação. Clair começou a dirigir profissionalmente um ônibus, que transportava funcionários de um frigorífico no Oeste. Nesse emprego ela permaneceu durante nove meses e apenas se desligou por conta do fechamento da empresa.

 

Foi a partir disso que procurou dirigir carreta para dar continuidade ao desejo de ser motorista. Clair ficou por pouco tempo trabalhando com câmara fria, em uma empresa de Xaxim e Chapecó, mas acabou desistindo por ter que ficar muito tempo fora.

 

Durante o período de espera, foi chamada para trabalhar como motorista de carreta na empresa Avelino Bragagnolo, de Faxinal dos Guedes, e desde então está há três anos na estrada, buscando pelo próprio sustento e fazendo aquilo que mais gosta, que é dirigir.

 

“A gente vê muita mulher por aí no caminhão. Então, assim, que vão à luta, porque é uma profissão gostosa, é uma profissão fascinante. Através do caminhão a gente tem muita amizade, a gente conhece o Brasil inteiro, da pra dizer”, diz Clair.

Cleidiane seguiu os passos da irmã (Fotos: Arquivo pessoal)

Seguindo os passos da irmã

 

Clair e Cleidiane pertencem a uma família com seis irmãos homens e três mulheres. Todos os homens da casa, assim como a outra irmã, seguiram profissões diferentes. Apenas elas duas optaram pelo volante. 

 

Cleidiane tem 28 anos e há pouco mais de um ano vem seguindo os passos da irmã mais velha.

 

Foi Clair que levou a caçula ao volante, apesar de Cleidiane ter medo de dirigir, e isso aconteceu em um período de férias da empresa em que Cleidiane trabalhava. Clair levou a irmã em uma viagem cidade afora e, a partir disso, a jovem passou a dar continuidade à carteira de habilitação necessária e nunca mais desistiu do sonho.

 

Cleidiane passou bastante tempo tentando conseguir experiência para ser contratada. Levou algum tempo até se sentir preparada e, há um ano, conseguiu o primeiro emprego como motorista de caminhão poliguindaste na mesma empresa em que a irmã trabalha.

 

Apesar de não fazer as mesmas viagens longas e de percuso maior que a irmã faz, Cleidiane sempre está disposta e preparada para dar a partida no caminhão que se orgulha tanto em dirigir.

 

Na companhia de música e pensamento positivo, as irmãs permanecem firmes na profissão, incentivando cada vez mais outras mulheres. Mesmo longe da família e sempre enfrentando desafios na estrada, outras vezes vendo o preconceito que ainda existe, elas não desistem do sonho.

 

“A gente sabe lidar com isso, leva o sonho da gente bem mais à frente do que os obstáculos. Eu aconselharia muitas mulheres a começar, se gostam disso, não desistir, ir atrás dos sonhos, porque é fascinante”, diz Cleidiane.


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