Passosmaiense mantém tradição de altar em casa para orar e se encontrar com Deus

Cleusa Gabiatti sempre foi muito religiosa e busca fazer orações com frequência em casa

Por Kiane Berté

21/01/2021 10h51 - Atualizado em 21/01/2021 13h23



Altar feito por Cleusa para poder orar em casa (Foto: Arquivo pessoal)

É comum encontrarmos pequenos altares nas casas de famílias bastante religiosas. A oração ainda faz parte do dia a dia de muitas pessoas do nosso convívio, independente de cada religião.

 

Ir até a igreja para orar é frequente, mas orar em casa, na companhia da família, também é algo que muitos buscam fazer para se reunir mais. Desde os tempos antigos, as famílias passaram a aderir os templos religiosos em casa – um tipo de oratório particular – para proporcionar uma área designada a orar, meditar e praticar outras forma de adoração.

 

Os locais sempre são cheios de imagens santas, divindades, ou pedras e incensos, imagens religiosas ou símbolos esotéricos, independente da religião de cada um, mostrando o quanto o ser humano é cheio de crenças místicas.

 

Para muitas pessoas, um altar religioso ou esotérico é uma linha direta com Deus ou o paraíso. Quando muito usado pelas pessoas para orar, meditar e fazer rituais, o altar fica concentrado de bastante energia e fé, capazes de "mover montanhas" e realizar milagres.

Imagem restaurada e montada na entrada de casa (Foto: Arquivo pessoal)

Geralmente quando alguém está doente ou passando por alguma situação que necessita de um pouco mais de cuidado, as pessoas costumam se ajoelhar na frente dos altares, ou rezar em pé mesmo, reunido com a família e amigos, ou até mesmo sozinho, para pedir proteção e cura.

 

A moradora de Passos Maia, Cleusa Gabiatti, de 54 anos, leva há anos esse hábito de orar diariamente em casa. Com alguns pequenos altares na residência, ela se concentra por pelo menos dez minutos, adorando a Deus e pedindo por proteção. Para ela, ter um espaço religioso em casa é símbolo de oração e fé.

 

“Acho que a religiosidade nos é ingerida na vida pelos pais e avós e fortalecida pela prática dos Santos sacramentos, mas é somente com a experiência do encontro com Deus individualmente nos momentos de silêncio e oração, que temos o verdadeiro encontro com Ele. Por isso ter um oratório em casa ajuda nesta experiência maravilhosa”, comenta.

 

Cleusa vem de família católica e muito religiosa, onde todos frequentavam a igreja sempre que possível. Ela explica que desde pequena foi ensinada que dentro da igreja precisa buscar o encontro com Deus, e fora dela, exercer a vida cristã de verdade.

Espaço para fazer orações em casa (Foto: Arquivo pessoal)

A família da passosmaiense sempre teve o costume de rezar o terço à noite - como ainda acontece em muitas famílias - na presença da capelinha que rodava a comunidade todos os meses.

 

Cleusa relembra que na infância as famílias mais próximas sempre se encontravam para fazer as orações em conjunto. Além de orar, o momento se tornava de visita, o que hoje não vê com frequência e que, para ela, era muito marcante.

 

A religiosa observa que a oração do terço foi se perdendo com o passar do tempo e que as famílias já não buscam mais a fé como antigamente. Apesar disso, sempre manteve viva a tradição de orar.

 

E foi por este motivo que Cleusa construiu em casa um pequeno altar para fazer suas meditações diárias e sempre se lembrar de que a vida é corrida, mas que sempre terá um espaço para orar e encontrar com Deus.

 

“Oratório para mim, dentro de casa, significa um espaço especial aonde a gente se dedica um pouco mais para a oração. Se reza em qualquer lugar, em qualquer ambiente, mas a presença da imagem, o local para se fazer a oração, é um local mais sagrado. Ela traz mais forte o símbolo da nossa fé dentro de casa, e traz um significado da presença divina aqui dentro de casa”, explica.



A moradora relembra que há uns quatro anos, a comunidade Bela Planície, onde ela reside, fez a troca da imagem santa que ficava dentro da capelinha que passava nas casas. Por ser devota à Nossa Senhora do Rosário de Fátima, Cleusa acabou restaurando a imagem que possui mais de 60 anos e a colocou no oratório, dentro de casa.

 

“A devoção à Maria me inspira a ser um pouco semelhante, porque somos humanos e limitados, nem sempre a vontade coincide com as ações e que estas são realmente as melhores, mas que Maria me inspira diariamente a ser servidora a sempre buscar, sempre caminhar, porque ela sempre foi caminhante, orante e uma mulher de muita fé”, explica Cleusa.

 

Além do altar interno, a passosmaiense possui outro templo religioso no quintal de casa. Uma capela onde está inserida a imagem de Nossa Senhora das Graças. Um ambiente muito especial para ela e que foi construído por suas próprias mãos, há muitos anos.

 

Cleusa trabalha com turismo rural e, por conta disso, sempre está recebendo pessoas em casa. A moradora relata que os visitantes que chegam na propriedade, sempre passam pela capela e fazem alguma oração.

 

“É como se estivesse ali um local onde as pessoas se voltam para a oração naquele momento”, observa.


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