Biólogo faz registros de animais atropelados na BR-282

Trecho em que grande quantidade e animais foi fotografado fica entre Xanxerê e Ponte Serrada

Por Kiane Berté

21/01/2021 13h52 - Atualizado em 21/01/2021 13h55



Animais foram encontrados mortos por Lidiorlan na BR-282 (Fotos: Arquivo pessoal)

Preocupado com as cenas que vem observando nos últimos meses nas rodovias da nossa região, o biólogo Lidiorlan David dos Santos Bortolaz, de 28 anos, passou a fazer registros de animais atropelados na BR-282.

 

Lidiorlan, que é especialista em Gestão Ambiental e trabalha em uma empresa de licenciamento ambiental no município de Xanxerê, contou ao Oeste Mais que, desde outubro de 2018, até setembro de 2019, o registro de atropelamento de mamíferos, de médio e grande porte, foi muito intenso entre o município de Ponte Serrada até Xanxerê, ambos na região Oeste, trecho de aproximadamente 45 km.

 

Segundo os dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), maior portal de informações sobre infraestrutura viária e biodiversidade, mais de 15 animais morrem nas estradas brasileiras a cada segundo. Diariamente, segundo a estimativa, devem morrer mais de 1,3 milhão de animais selvagens no país.

Diversos mamíferos, entre outras espécies, foram encontrados mortos na rodovia (Fotos: Arquivo pessoal)

O biólogo ponteserradense disse que a sensação é de preocupação com a biodiversidade, principalmente com os mamíferos.

 

“Não estou dizendo que os outros grupos de fauna sejam menos importantes. O que mais me preocupa é que nada está sendo feito em nossa região e a perca dos animais está ocorrendo todos os dias”, explicou.

 

Lidiorlan fez uma postagem em uma rede social particular, nos últimos dias, mostrando imagens dos animais mortos às margens da BR-282. Ele relata que já se deparou com insetos, anfíbios, répteis, aves e principalmente mamíferos atropelados e mortos. Conforme ele, no período de 2018 e 2019 foram registrados 98 atropelamentos, pertencentes a 15 espécies. 

 

“Nos últimos três dias do mês de dezembro de 2020, dias 29, 30 e 31, tive a infelicidade de registrar três atropelamentos de mamíferos, sendo todos de animais pertencentes à espécie Mazama gouazoubira, conhecido popularmente como Veado catingueiro, Veado Virá ou simplesmente Veado”, disse em seu Facebook.

Registros estão sendo feitos desde o final de 2018 (Fotos: Arquivo pessoal)

O biólogo explicou que medidas simples, muitas vezes, podem fazer grande diferença para diminuir o número de animais atropelados. Algumas que ele cita são: a instalação de redutores de velocidade e a implantação de placas nos pontos mais críticos para alertar os motoristas. 

 

“Espalhadas pelo mundo e também pelo Brasil existem outros métodos mais sofisticados e mais caros, entre eles a instalação de cercas direcionadoras da fauna, túneis e pontes”, emendou.

 

O profissional também deixou algumas dicas para que os motoristas tenham mais cuidado e atenção na estrada:

 

● Transitar dentro da velocidade permitida para as rodovias;

 

● Ao ver algum animal na pista ou próximo dela, diminua a velocidade, use a buzina, ligue o pisca alerta para alertar os demais motoristas e desvie do animal.

 

“Sei que às vezes não dá tempo de fazer tudo isso e principalmente desviar o animal, mas na maioria das vezes é possível. Nossa fauna pede socorro!”, finaliza.

 

Confira os registros feitos pelo biólogo Lidiorlan David dos Santos Bortolaz:











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