Estudante desenvolve projeto arquitetônico de TCC para a criação de crematório em Ponte Serrada

Projeto foi pensado para solucionar problema de superlotação dos cemitérios e melhoria da saúde pública, evitando a contaminação do ambiente

Por Kiane Berté

22/12/2020 10h50 - Atualizado em 22/12/2020 14h31



Sala de velório (Foto: Arquivo pessoal/Caroline Zanchet)

A cremação é considerada um procedimento correto e 100% ecológico que, além de trazer vantagens para a natureza, não agride o meio ambiente. Ao contrário dos enterros tradicionais que possuem certos poluentes ambientais, a cremação é um procedimento prático, que evita problemas de higiene sanitária.

 

Foi pensando nestes pontos positivos que a estudante de Arquitetura e Urbanismo, Caroline Zanchet, desenvolveu um crematório em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

 

“Arbor Vitae” – que em latim quer dizer “a árvore da vida” – foi o nome escolhido pela acadêmica de 27 anos para representar o espaço destinado ao luto. O local escolhido por ela para a construção do templo está localizado no loteamento Jardim, em Ponte Serrada – cidade em que reside – às margens da BR-282.

 

“A escolha do terreno se baseia em fatores como a boa localização, fica próximo à BR-282, que corta toda a cidade, tendo fácil acesso e visibilidade, não somente para os munícipes, mas também para todos que transitarem pela rodovia e moradores de cidades vizinhas, atraindo mais clientes para o empreendimento”, contou Carol.

Fachada do crematório (Foto: Arquivo pessoal/Caroline Zanchet)

Suprindo necessidades

 

A ideia do crematório Arbor Vitae surgiu para suprir as necessidades que um cemitério comum não possui, além de facilitar o destino dos tantos corpos que acabam lotando o espaço e até mesmo prejudicando o solo.

 

“Muitas vezes são espaços sem nenhum planejamento, sem a drenagem correta da água das chuvas, espaços que, por muitas vezes, sofrem com o descaso, abandono, falta de manutenção”, disse Caroline, que procurou por alternativas mais limpas para a destinação dos corpos no município e na região.

 

A ponteserradense explica que o projeto também foi desenvolvido para solucionar o problema de superlotação dos cemitérios e consequentemente a melhoria da saúde pública, evitando a contaminação do ambiente por subprodutos cadavéricos gerados pelo processo tradicional de inumação.

 

“A implantação de um crematório torna-se uma alternativa viável, visto que com o passar dos anos aumenta a superlotação dos cemitérios, e a necessidade de espaços cada vez maiores para construção de necrópoles”, explicou. “É comum ter o aumento das áreas de cemitérios tradicionais que muitas vezes não possuem a manutenção do espaço, vindo a ter muitos problemas, tanto estéticos quando ambientais, como a poluição causada no solo e lençóis freáticos pelos líquidos provenientes da decomposição, o acumulo de materiais de construção e dejetos nos terrenos dos cemitérios ocasionando água parada vindo a ser foco de proliferação de mosquitos da dengue, além do descaso e abandono de alguns jazigos”.

Lanchonete disponível no local (Foto: Arquivo pessoal/Caroline Zanchet)

Espaços 

 

Arbor Vitae possui mais de quatro mil metros quadrados, entre salas e espaço externo, que se divide em recepção, espaço para velório, lanchonete, área de cremação e estacionamento. 

 

Além destes, um detalhe importante do projeto é o espaço do “Bosque da Saudade”, local destinado para o plantio de urnas. “Uma das opções oferecidas no crematório seriam as urnas biodegradáveis, onde são colocadas as cinzas juntamente com sementes, que podem então ser plantadas no crematório ou em outro local de preferência dos familiares”.

Bosque da Saudade (Foto: Arquivo pessoal/Caroline Zanchet)

Desenvolvimento do projeto

 

Apesar do projeto apenas pertencer ao papel, Caroline acredita que a construção do crematório no município de Ponte Serrada seria uma boa forma de atender o público da região, tendo em vista que o crematório mais próximo está localizado na cidade de Caçador.

 

“Atendendo a todas as normas sanitárias, leis e legislações que regulamentam o funcionamento correto de um crematório, seria uma alternativa limpa e ecológica de destinação dos corpos, um projeto que necessitaria de um grande investimento financeiro, mas que traria grandes retornos econômicos”, comenta.

 

Andamento do projeto

 

Por causa da pandemia do novo coronavírus, Caroline precisou trabalhar em seu projeto de forma remota por ter aulas presenciais suspensas, o que resultou também em empecilhos que poderiam ter ajudado de alguma forma, como a visita técnica a um crematório de verdade e ter melhor entendimento sobre o funcionamento do espaço.





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