Após diagnóstico de câncer, mãe fala sobre descoberta da doença e deixa orientação

Liamara Magarinos recebeu confirmação de câncer de mama em março do ano passado

Por Kiane Berté

20/10/2020 15h53 - Atualizado em 20/10/2020 16h18



Lia comemorando a vitória contra o câncer (Fotos: Arquivo pessoal)

A ponteserradense Liamara Rossetto Magarinos descobriu que tinha câncer aos 39 anos, em março do ano passado. Assim como todas as pessoas que já receberam diagnóstico positivo para a doença, Lia - como é conhecida - viu toda a sua vida desmoronar em um único dia com a notícia ruim. A rotina dela mudou completamente e ela passou a receber cuidados o tempo todo, assim com a atenção da família, que sobrou de tamanho.

 

Lia é mãe de três jovens: a Bruna, de 24 anos, Bianca, de 18, e o caçula Guilherme, de dez anos. Ela trabalhou por 16 anos na empresa BRF e foi no trabalho que passou a sentir os primeiros sintomas da doença.

 

“Estava me sentindo muito fraca. Ia fazer minhas tarefas na empresa e tinha cansaço. Não ia procurar médico, porque achava que era cansaço do dia a dia”, conta a moradora do bairro Dalla Vecchia.

Liamara durante sessões de quimioterapias (Fotos: Arquivo pessoal)

Foi durante um dos banhos obrigatórios da empresa, que Lia percebeu um pequeno nódulo no seio esquerdo, o que veio a alertá-la para procurar um médico. Após uma consulta com o ginecologista que sempre atendia ela, foi alertada de que aquilo poderia ser algo grave.

 

“Esse mesmo médico me encaminhou para um doutor especialista e assim eu fiz. Fui procurar o doutor, mas até sair o resultado da biopsia eu fiquei tensa”, relata Liamara, que não comia mais, nem dormia. O nervosismo e o medo tomavam conta dela o tempo todo.

 

“Até sair o resultado foi triste. Eu continuei trabalhando e seguindo minha vida, mas com o coração na mão”.

 

Ao lado da filha Bruna e recebendo o amparo da menina, Lia teve a confirmação do diagnostico de câncer de mama, no estágio três. Ela relembra que além da filha, o médico responsável por ela também se emocionou no momento.

 

“Quando saímos da clínica me caiu a ficha, abracei minha filha, ela ainda chorando. Daí eu consegui chorar. Eu passando força pra ela, dizendo que ia dar tudo certo”.

Família de Lia - Bruna, Bianca e Guilherme (Fotos: Arquivo pessoal)

Tratamento

 

Após a notícia ruim recebida pelo médico, Liamara imediatamente iniciou as quimioterapias. Conforme ela, a parte mais difícil de tudo foi ter que aguentar a dor da qual nenhum medicamento aliviava, e que causava diversos efeitos colaterais.

 

“Foram oito sessões de quimio e a perda do cabelo. A mulher tem a autoestima, e o cabelo é tudo numa mulher, é a identidade dela”.

 

A perda de cabelo começou já nas primeiras sessões de quimio, segundo Lia, e isso a fez tomar uma decisão de imediato.

 

“Chamei uma amiga minha que é cabeleireira e ela raspou minha cabeça. Minha menina do meio [Bianca] e minha mãe começaram a chorar, e eu dizendo “Bianca, é pro bem da mãe””, relembra ela, emocionada com a situação.

 

Lia também passou por 25 sessões de radioterapia, o que não a trouxe muitos efeitos colaterais.

Liamara no hospital, comemorando vitória contra o câncer (Fotos: Arquivo pessoal)

Retirada da mama e prótese

 

Não é fácil saber que está com câncer, e é ainda mais difícil saber que devido a ele, perderá alguma parte do corpo para a doença. A Liamara precisou ser forte no momento em que soube que precisaria operar e retirar a mama.

 

Ela passou por exames antes da cirurgia, e para a prevenção de um possível novo tumor, a mãe precisou retirar ambos os seios. Na mesma cirurgia, para se sentir melhor, Lia recebeu próteses no lugar. Conforme ela, é algo desconfortável, e que leva tempo para se adaptar.

 

“Não tirei as próteses ainda, por conta também da pandemia, mas hoje em dia eu estou bem. Não tenho sintomas nenhum do câncer”.

 

Agradecimentos

 

Um ano e meio depois do diagnóstico e do início dos tratamentos, Liamara só consegue agradecer a Deus pela vida, e aos familiares que a apoiaram nos momentos difícieis que teve. Ela também deixa um recado para as demais mulheres que algum dia passaram ou vão passar pelo mesmo problema que ela.

 

“Câncer é uma coisa grave, mas mulheres, vocês não precisam se assustar, porque câncer de mama, hoje em dia, tem cura se descoberto a tempo. Eu sou prova viva disso”, ressalta. “O conselho que eu dou para as mulheres é que façam o toque, o autoexame. Não tenham vergonha de tocar o corpo de vocês, é algo normal, principalmente os seios. Se sentir qualquer caroço, qualquer nódulo, não tenham vergonha de procurar um médico”, orienta Liamara. 

 

"Me sinto agradecida também aos meus filhos e a toda a minha família no geral, que só assim sinto o valor que a família tem", finaliza. 



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