Escritora de Chapecó relata experiência no mundo da poesia

Ana Oliveira é poetisa, ensaísta e pesquisadora e já publicou duas obras literárias

Por Melyna Branco

14/10/2020 09h44 - Atualizado em 14/10/2020 10h05



Ana é natural de Erechim, mas vive há muito tempo em Chapecó (Fotos: Arquivo pessoal)

Natural de Erechim, município gaúcho, mas que vive há muito tempo em Chapecó, Ana Oliveira dedica boa parte de sua vida ao mundo da poesia. A poetisa, ensaísta e pesquisadora é formada em Letras – Português e Espanhol pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) onde atualmente é estudante do Mestrado em Estudos Linguísticos.

 

Em entrevista ao Oeste Mais, Ana comenta que quando se trata de poesia, pouca gente incentiva, mas a escrita poética é praticamente uma sina. Ela relata ainda que começou a escrever poesias numa tentativa de aliviar as dores da alma.

 

“Em maio de 2010 criei um blog sobre literatura e comecei a escrever nele. Na medida em que escrevia mandava para meus amigos e amigas e fui percebendo que aquilo fazia sentido para eles. Comecei então a participar de um grupo poético e postar meus textos na página do grupo, no Facebook. Tomei um susto quando um dos poemas teve mais de nove mil curtidas e resolvi escrever com mais frequência e postar. Depois, em 2013 ingressei no curso de Letras e aí vieram as aulas de Teoria Literária e as Literaturas. Isso foi crucial para que em 2015 eu me arriscasse a escrever um projeto para o Edital das Linguagens e através do prêmio lançasse meu primeiro livro”, diz a poetisa.

 

Ana conta ainda que sua primeira grande inspiração foi Florbela Espanca, uma poetisa portuguesa do início do século XX, que escrevia na maioria das vezes em forma de soneto e que falava sobre amor e dor. Já durante a graduação, a escritora passou a ter acesso às obras de Pablo Neruda, poeta chileno, as quais ela se apaixonou. Mas, de acordo com ela, suas maiores inspirações são poetas brasileiros como João Cabral de Melo Neto, Adélia Padro, Marília Garcia, Carlos Drumonnd de Andrade, Mario Quintana, Vitor Ramil e muitos outros.

 

Ao falar sobre o seu público, Ana diz que sempre que se escreve, se escreve para alguém. Isto quer dizer que o texto sempre tem um destinatário e os poemas dela não são diferentes.

 

“Eu escrevo para quem sente. Ou seja, escrevo para que os meus sentimentos também possam ser o sentimento do outro. Gosto de pensar que alguém, num dia qualquer, leu um texto meu e se identificou. Desse modo, gosto de dizer que escrevo para os ‘sentidores’”, declara Oliveira.

 

Sobre o seu modo de escrever, a poetisa relata que seus rituais não seguem um padrão e que eles dependem de muitos fatores como o lugar em que ela está e até o estado de espirito em que ela se encontra.

 

“Tudo pra mim é motivo para escrever. Um filme que vejo, uma música que ouço e principalmente as conversas que tenho com amigas e amigos. Costumo dizer que se você for minha amiga ou amigo, um dia, certamente, virará poema. Tenho sempre um caderninho na bolsa ou anoto as ideias no bloco de notas do celular. Gosto de escrever sobre tudo o que se sente na vida. Amor, dor, saudade, medo, solidão, melancolia etc. Como diz a minha amiga e escritora da orelha do primeiro livro: A tinta da tua caneta é feita de sangue!”



A importância da leitura

 

Quando se trata de leitura no Brasil, o país tem dados muito baixos. De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Pró-Livro, em 2018, aproximadamente 44% da população brasileira não tem o hábito da leitura e 30% dela nunca comprou um livro.  Já quando nos deparamos com o desempenho dos estudantes brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), também vemos dados baixos. A última avaliação mostrou que 51% dos alunos do país estão abaixo do nível dois em leitura, que é considerado o patamar básico.

 

Consciente da importância da leitura, Ana Oliveira diz que o primeiro passo para a escrita é a leitura. Segundo ela, a pessoa que não lê, geralmente não escreve.

 

“A leitura é a ponte que fazemos com o outro. Quando falo o outro não falo apenas de “outros mundos”, mas com o outro com letra minúscula e letra maiúscula. Explico: o outro com letra minúscula são as outras pessoas, outras formas de viver, personalidades, nacionalidades, outra maneira de ser. O Outro em maiúsculo é o nosso (ou nossos) Outros. A leitura faz isso, esse encontro com o mundo de fora e o mundo de dentro! Ela desenvolve a nossa capacidade de fazer relação, de fazer experiência e de fazer conexão através das memórias literárias. E é aí que entra a escrita. Quando você já tem uma boa bagagem de leitura, a escrita simplesmente flui”, enfatiza a ensaísta.

 

Muitos pensam que a internet está afastando as pessoas do mundo da leitura, mas, para a poetisa o mundo virtual é uma excelente oportunidade para a formação de leitores. Segundo ela, tanto o texto digital quanto o texto impresso tem sua importância.

 

“Por exemplo, se você está no ônibus indo para casa ou trabalho, o celular se tornou uma ótima ferramenta para baixar livros ou ler um poema. Mas, se você está em casa mergulhado na poltrona, o livro pode ser uma excelente companhia. Como escritora procuro utilizar todos estes meios de divulgação, tanto físico quanto virtuais”.

 

Obras de Ana Oliveira

 

Ana Oliveira já tem dois livros publicados, o primeiro intitulado Coração Desordenado, de 2015, e A sociedade dos poetas vivos, de 2018. A poetisa já tem um terceiro projeto que tem o título provisório de Pequenas mortes diárias. Conforme a escritora as duas obras podem ser adquiridas diretamente com ela. A primeira também está na biblioteca pública, na biblioteca do Sesc e em todas as escolas municipais de Chapecó. Já a segunda obra também pode ser adquirida através da editora Coerência. Os poemas de Ana podem ser encontrados no blog O curioso destino de um Coração Desordenado, na página do Facebook Coração Desordenado e também em seu perfil do Instagram.


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