Clínica de reabilitação atua há 18 anos em Ponte Serrada

Instituição está localizada no Hospital Santa Luzia e atende no momento 34 pacientes

Por Kiane Berté

29/09/2020 15h32 - Atualizado em 29/09/2020 15h32



Equipe de profissionais que trabalha na clínica (Fotos: Divulgação)

A clínica de reabilitação, ambientada no Hospital Santa Luzia de Ponte Serrada, está em funcionamento há 18 anos no município.

 

Ela iniciou as atividades em Saúde Mental no ano de 2002, pelo fundador Deolindo José Baggio, com o objetivo de proporcionar tratamento e recuperação de pessoas com transtornos mentais e dependência química.

 

No local são atendidos pacientes de mais de 20 municípios, sendo pelo convênio do Sistema Único de Saúde (SUS), particular, e pelas prefeituras, abrangendo toda a macro-região de Chapecó em Saúde Mental, sendo de Ponte Serrada até Dionísio Cerqueira.

 

Conforme a enfermeira Luana Dondé, que atua há um ano e quatro meses no local, a clínica segue cronograma de funcionamento com horários para higiene pessoal, medicações, verificação dos sinais vitais, para refeições, horários para atividades com equipe multiprofissional, além de atendimentos com médico psiquiatra, clínico geral, psicoterapia individual e em grupo com psicóloga, assistente social, terapeuta ocupacional, aulas de educação física com educador físico e atividades de autocuidado com equipe de enfermagem, tendo ao todo 15 colaboradores.

 

Além disso, no local os pacientes também passam pelo tratamento de desintoxicação por uso do tabaco, que recebe o apoio da Secretaria de Saúde do município de Ponte Serrada.

 

Atendimentos

 

Conforme os dados divulgados pela clínica ao Oeste Mais, no local, atualmente, são tratados 34 pacientes, sendo 30 deles pelo convênio SUS, e outros quatro de modo particular. 

 

Os internados são divididos em duas alas: a feminina e a masculina, porém, com atividades e refeições feitas no mesmo ambiente. São monitorados 24 horas por dia pelos mais de 15 profissionais que atuam dentro da clínica, dando suporte o tempo todo e auxiliando os pacientes na recuperação.

 

A clínica conta com sete técnicas de enfermagem, uma psicóloga, assistente social, educador físico, enfermeiras, farmacêutica, médicos, psiquiatra, além de serviços gerais.

Corredor que dá acesso ao dormitório feminino (Foto: Kiane Berté/Oeste Mais)

Atividades oferecidas

 

Mesmo sem poder sair do local e ter o convívio com as demais pessoas fora da clínica, os pacientes ainda conseguem se distrair com atividades oferecidas na instituição. Eles recebem jogos, praticam atividade física junto de um profissional da área, e todos se reúnem em rodas de conversas ou de chimarrão, e até gostam de cantar e tocar violão.

 

Mesmo a distância e sem poder ter contato com os familiares, os pacientes, antes da pandemia, podiam ter contato com a família uma vez por semana, além de receber ligações toda a semana. Agora, para evitar aglomerações e a proliferação do vírus, os pacientes não recebem mais as visitas, mas continuam com a programação da “ligação familiar”, que consiste em todas as quartas-feiras, fazer contato com os parentes por meio do telefone.

 

“Isso sempre teve, mesmo sem a pandemia, porque é importante o contato, esse vínculo com a família, porque muitos deles vêm de uma estrutura familiar um pouco fragilizada”, comenta a psicóloga Rosa Bordgnon.

 

Dentro das atividades da clínica, a família também recebe apoio. Antes da chegada da pandemia, as famílias participavam do “Grupo Familiar”, que consistia em acompanhamento e preparação e o acolhimento dos familiares durante o tratamento do paciente.

 

“É importante esse contato porque eles desconhecem a patologia seja uma dependência, um tabu, um pré-julgamento, não por maldade, mas pela falta de conhecimento. Ajudar a ver os riscos para o paciente não ter recaídas, junto com assistente social e junto com profissionais”, comenta a enfermeira Luana.

 

 “Sabe-se que o paciente com transtornos mentais ou em tratamento de desintoxicação por dependência química sofre muito preconceito, porém, nós enquanto profissionais de saúde mental buscamos orientar a população, familiares dos pacientes e os próprios pacientes, dando visibilidade, mostrando por meio de atividades internas e externas, a importância, o respeito, a dignidade do paciente com transtornos mentais, tendo em vista que hoje eles estão inseridos na sociedade e não mais institucionalizados em hospitais psiquiátricos como era antes da Reforma Psiquiátrica”, ressalta Luana. 

Sala de televisão para laser dos pacientes (Foto: Kiane Berté/Oeste Mais)

Tipos de internação

 

A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica: a primeira é a internação voluntária, que consiste no consentimento do paciente; a segunda é a internação involuntária, que se dá sem o consentimento e a pedido de algum familiar; e a terceira, que é a internação compulsória, que é determinada pela Justiça.

 

Idades dos pacientes

 

Na clínica do Hospital Santa Luzia ainda não são atendidas crianças, mas conforme os colaboradores, esse é um projeto futuro, que a equipe está discutindo para passar a colocar em prática.

 

No local são recebidos adolescentes a partir de 15 anos de idade, jovens, adultos e até idosos. A clínica já recebeu pacientes de até 80 anos, que foram internados para tratamento do alcoolismo.

 

“Dos 15 até 40 anos, é muita dependência química. Drogas, bebida alcoólica, maconha, cocaína, crack, e ainda aqueles que inalam gasolina, tiner, cola de sapateiro, múltiplas drogas... 90% dos pacientes da clínica estão aqui por dependência química”, explica Laísa Mendes, assistente social.

Trabalho desenvolvido pelos pacientes no Setembro Amarelo (Foto: Kiane Berté/Oeste Mais)

Custos

 

A instituição se mantém com convênios de prefeituras e também pelo SUS. Ela precisa do retorno financeiro para custos naturais de internação prolongados, como os 30 dias de acomodação, comida, banho, material de limpeza, além dos custos indiretos, que condiz com toda a equipe que trabalha no local, e os protocolos avançados, de contenção e medicação, que são usados na clínica.

 

“A estrutura tem um custo significativo, mas o que a gente vê de retorno, na melhora dos pacientes, do jeito que eles entram e que eles saem, é algo muito gratificante”, comenta o médico Erick Takasha.

 

Setembro amarelo

 

Dentro da instituição, os médicos, enfermeiras e psicólogas estão trabalhando o Setembro Amarelo, que consiste no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

 

Durante esse mês, os pacientes estão participando de rodas de conversa e palestras, recebendo explicações sobre o assunto e também sendo orientados sobre quais medidas tomar em casos de recaídas, já que boa parte dos pacientes são suicidas, conforme os dados.

 

“Por isso o Setembro Amarelo é muito forte. A grande maioria dos nossos pacientes já tentou o ato, ou de automutilação, ou de tentar mesmo tirar a vida, tomar medicamentos... A gente precisa trabalhar com os pacientes aqui dentro, precisa tirar o tabu dos familiares e da comunidade e orientar eles pra uma vida normal, porque esses pacientes que estão aqui com nós em tratamento e eles precisam ser retirados da vulnerabilidade, precisamos preparar eles para inserção na sociedade depois”, comenta a assistente social.







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