Professor xanxerense cria diário durante quarentena e divulga crônicas nas redes sociais

Ulisses Junior Longui tem um público de cerca de 100 pessoas diariamente em suas crônicas

Por Oeste Mais

06/06/2020 15h34 - Atualizado em 08/06/2020 09h40



Com a pandemia do coronavírus, a vida de todo mundo se modificou de alguma forma, são tempos difíceis que cada um lida de modo diferente. E aqui no Oeste, um professor de Língua Portuguesa e Literatura teve uma ideia que chamou a atenção: escrever um diário mostrando como ele estava se sentindo durante a quarentena.

 

Ulisses Junior Longui, de 52 anos, é professor da rede estadual de ensino e morador de Xanxerê. Em uma breve entrevista ao Portal Oeste Mais, ele contou que ele teve a ideia quando as aulas foram suspensas e os dias começaram a ficar monótonos.

 

Longui começou o diário no quinto dia da quarentena, após uma ida ao mercado. O primeiro relato teve apenas 12 linhas e foi compartilhado nas redes sociais. Ulisses disse que muitas pessoas leram e curtiram a primeira publicação. Foi um impulso para que continuasse.

Longui escreve crônicas e divulga nas redes sociais (Foto: Arquivo pessoal)

“Agora, já escrevi cerca de 80 diários. Todos os dias, às 19 horas, sento à frente do computador e escrevo. Depois posto no Facebook”.

 

De acordo com o professor, as crônicas têm entre 30 e 32 linhas e tratam de temas atuais, além de recordar, em breves momentos, a infância e juventude. Ao final de cada crônica, Longui também sugere alguma leitura.

 

Ele comentou que está bastante feliz com a repercussão do diário. Segundo o escritor, cerca de 100 pessoas curtem, leem e comentam nas crônicas diariamente.

 

O professor, que já é autor dos livros "Escrituras do cárcere", publicado em 1995, e "Quem escreve um conto chega a um livro", publicado em 2003, finalizou dizendo que não sabe até quando escreverá, mas, ao final, pretende publicar o terceiro livro, com as crônicas desse período.

 

Leia na íntegra uma das crônicas de Longui:

 

"Diário da Pandemia – 74º dia de confinamento:

 

Domingo muito preguiçoso, fracamente frio e prenunciando chuva. Assim, fiquei só em casa, “de molho”, e fazendo pouca coisa de útil: tirei algumas horas para verificar trabalhos dos alunos postados na plataforma Google Classroom. Fora isso, muita cama e nada de TV. Amanhã o dia promete ser diferente.

 

Hoje, muito pelo torpor do dia, recordo da primeira (e única) vez em que assisti a um Grande Prêmio (popular GP) de Fórmula 1 na vida. Foi em um mês de março, lá no autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, nos idos de 1989.

 

Saímos de excursão, de São Miguel do Oeste, acho que cerca de 40 pessoas. Foi uma longa viagem de ônibus, relativamente tranquila. Todos conhecidos ou amigos. Mas, em um certo trecho da viagem (não lembro onde precisamente), paramos para fazer um lanche. Lanche concluído, eu e dois colegas procuramos pelo ônibus. E nada... Haviam partido sem nós. Sem celular na época, fazer o quê? Assim, um sujeito com carro se dispôs a ir atrás do ônibus e avisá-los. Um tempo depois, estávamos de volta à segurança da viagem.

 

Ficamos em um hotel não muito longe do autódromo. No dia seguinte, momento da corrida, fomos aconselhados a ir cedo, para pegar um bom lugar. E assim o fizemos. Posicionamo-nos, então, bem no alto da arquibancada que fazia parte do nosso setor da corrida – mais ou menos no centro da famosa reta do autódromo.

 

Tudo ia bem, até que chegaram alguns paulistas atrasados. Aparentemente, não havia lugar na arquibancada para eles. Até que se armaram de pedaços de pau e abriram caminho, ameaçando quem estivesse pela frente. Nem lembro se havia policiamento no local.

 

Houve outras cenas de selvageria, como os palavrões aos estrangeiros, mas, no final, tudo correu bem. Além do GP, aproveitamos para conhecer pontos turísticos da capital carioca, como o Pão de Açúcar.

 

Leitura para hoje (parece eu falando com meus alunos!): “Memórias póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis). Pertencente a uma família abastada do século XIX, Brás Cubas narra primeiramente sua morte e enterro, no qual apareceram 11 amigos. Por conseguinte, ele relata diversos momentos de sua vida, desde eventos da sua infância, adolescência e fase adulta.

 

Boa noite a todos!"


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