Auditores do trabalho interditam frigorífico em Ipumirim

Oitenta e seis funcionários da unidade já tiveram diagnóstico confirmado para o novo coronavírus

Por Redação Oeste Mais

19/05/2020 10h28



Auditores fiscais do Trabalho interditaram nesta segunda-feira, dia 18, o abatedouro de aves da Seara, que pertence à JBS, em Ipumirim. A planta deve ficar interditada até que a empresa comprove a adoção de medidas de proteção aos trabalhadores contra a covid-19. A empresa vai recorrer judicialmente da decisão.

 

Conforme os auditores do trabalho, 86 funcionários da unidade já tiveram diagnóstico confirmado para o novo coronavírus. Mais de 40 desses trabalhadores, porém, estão curados, de acordo com uma fonte próxima à empresa.

 

“Os casos confirmados na planta industrial representam aproximadamente 14% dos contaminados em toda a Macrorregião Oeste e Serra, e quase 2% de todos os casos do Estado de Santa Catarina”, informaram os auditores do trabalho.

 

Segundo o procurador Anderson Corrêa da Silva, do Ministério Público do Trabalho (MPT), os auditores determinaram a interdição da fábrica porque a JBS não teria adotado medidas adequadas para a busca ativa de funcionários com sintomas da doença.

 

Segundo ele, a JBS também não teria implantado as medidas de espaçamento adequado em alguns setores da unidade, que estariam sem anteparos entre os funcionários de algumas áreas do abatedouro da companhia. A empresa também teria se recusado a reduzir o nível de produção, o que permitiria maior distanciamento entre os funcionários.

 

O procurador frisou que a decisão é dos auditores fiscais, mas ressaltou que o MPT vem acompanhando o caso de perto. Ele também criticou a postura da JBS de não negociar com o MPT. Outras empresas, como BRF e Aurora, firmaram Termos de Ajuste de Conduta (TAC) com o órgão, estipulando medidas de proteção.

 

Procurada, a JBS disse, em nota, que “suas operações seguem os mais elevados padrões de segurança para o setor frigorífico e refuta qualquer orientação em contrário bem como as medidas injustificáveis para suspensão das suas atividades, razão pela qual a empresa irá tomar as medidas judiciais cabíveis para retomada das suas operações em Ipumirim”.

 

Confira a nota da JBS na íntegra:

 

"A JBS tem como objetivo prioritário a saúde dos seus colaboradores e adota um rígido protocolo de prevenção contra a Covid-19 em suas unidades. Essas medidas seguem as orientações dos órgãos de saúde e do Hospital Albert Einstein, além de especialistas médicos contratados pela empresa para apoiar na implantação de um protocolo robusto e necessário para proteção dos seus colaboradores.

 

Mediante os protocolos e medidas de prevenção já implantadas, a JBS reitera que suas operações seguem os mais elevados padrões de segurança para o setor frigorífico e refuta qualquer orientação em contrário bem como as medidas injustificáveis para suspensão das suas atividades, razão pela qual a empresa irá tomar as medidas judiciais cabíveis para retomada das suas operações em Ipumirim.

 

São 25 anos de história dessa unidade com a comunidade de Ipumirim e, somente nessa fábrica, a empresa emprega mais de 1400 pessoas. Diariamente, a unidade de Ipumirim processa 135 mil aves. Com a suspensão dessa operação, é inevitável que a cadeia de produção, incluindo os 240 produtores rurais da região, também tenha que suspender suas atividades, o que poderá trazer graves consequências no âmbito social, econômico, sanitário e de abastecimento à população. A interrupção das atividades na cidade promove um clima de instabilidade perante todos os colaboradores e comunidade que, de forma direta e indireta, se relaciona e depende do funcionamento da unidade.

 

Lamentamos profundamente toda essa insegurança e que não reflete a realidade das operações e das medidas implementadas na unidade em Ipumirim. Nossos esforços se somam ao enorme orgulho e confiança em tudo que fazemos e da relevância do nosso trabalho para levar o alimento às famílias do mundo inteiro, especialmente nesse momento tão delicado na vida de todos e em que o alimento é tão fundamental”.

Com informações do Valor Econômico


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