Moradora do Oeste sobrevive a meningite e conta história em livro

Relato busca melhorias nos atendimentos médicos e desoneração de cofres públicos ao expor detalhadamente procedimentos e análises de ações que por vezes quase a levaram a morte

28/04/2020 14h31 - Atualizado em 02/05/2020 13h54


Uma mulher ativa, falante, trabalhadora, dedicada e viajante. De repente se vê aposentada por invalidez. A história de Mara Taisa Carvalho Orssatto é contada no livro “Eu e a Meningite – A história real de uma luta desigual”.

 

Com um roteiro pessoal e escrito pela própria personagem, o livro traz uma epopeia médica à tona. Um desenrolar de situações e atitudes que por insistência de Mara desviaram sua morte por pelo menos três vezes.

 

O relato é recente e real, se iniciou em 2017, quando depois de uma noite sentindo-se mal, Mara deu entrada ao hospital em Xanxerê depois deste momento, a angústia e desespero de não conseguir agir, foram suas amarras.

 

Alguns dos fatos, para instigar sua atenção. Mara deu entrada ao hospital, foi atendida e diagnosticada como Náuseas e vômitos, passou dez horas na emergência, seu quadro só piorava. Até que eu esposo, Billy, entrou em contato com o médico da família, Tio Osmar. Os dois, após muita discussão,levaram Mara para Chapecó, no caminho, dentro do carro, Mara desacordou. Chegou em coma em Chapecó, com Meningite.

 

Na cidade, ficou internada por quase 17 dias, onde a diagnosticaram e realizaram o tratamento para meningite, e Mara foi liberada, porém não urinava e foi diagnosticada em casa novamente pelo tio, com duas bactérias causando infecção urinaria severa. Novos sintomas começaram a surgir, Mara sentia formigamento de membros, porém o diagnóstico era tratado como processo normal. Mas não, Mara estava perdendo a movimentação das pernas e cintura.

Mara registrou sua história e luta contra a meningite em um livro (Foto: Cristiane Aline)

Amparada pela família e sem se sentir satisfeita com os apontamentos médicos começou a pesquisar e descobriu que estava com uma nova doença, adquirida pelos remédios administrados em hospital.

 

Foi a Florianópolis, lá conseguiu atendimento e diagnóstico preciso para iniciar o tratamento de Polineuropatia. Totalmente surda, devido à demora no diagnóstico da meningite, Mara precisou fazer um implante Coclear para poder ouvir, hoje, se aperfeiçoou na leitura de lábios.

 

Sua indignação com o descuido e desumanização do atendimento médico e hospitalar a levou a pesquisar e expor sua história, ato por muitas vezes escondido pela maioria, devido ao medo de represálias, mas ela, ao contrário aproveita a sua experiência para alertar e buscar uma melhora, tanto na saúde quanto no atendimento aos pacientes, e pretende através do livro diminuir o sofrimento de vítimas médicas e ainda desonerar os cofres públicos, com os altos gastos em procedimentos que poderiam ser evitados se diagnosticados corretamente.

 

Avaliado por dois médicos que escreveram seu prefácio e contracapa, este livro é um singelo relato das tantas situações que ocorrem mundo a fora e um importante instrumento de estudo para formação de profissionais melhores.

 

Mara é chapecoense, mas morou também em Florianópolis e Xanxerê, e foijustamente nestas três cidades que viu sua vida escorrer pelos dedos dos profissionais.

 

O livro é rico em análises e por meio de inúmeros prontuários e receitas médicas, Mara expõe as tratativas apresentadas por médicos e as consequências de um diagnóstico errôneo ou mal investigado.

 

O livro está à venda no site da Amazon.

Texto de Cristiane Aline Huff

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