Após mudança para o Paraguai, jovem de Ponte Serrada segue isolada na pandemia

Luiza Dalla Vecchia se mudou para Salto Del Guairá há pouco mais de 20 dias para trabalhar e aguarda fim do isolamento

Por Kiane Berté

07/04/2020 15h31 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



Ex-moradora de Ponte Serrada está no Paraguai há 28 dias (Foto: Arquivo pessoal)

Há exatos 28 dias, Luiza Dalla Vecchia deixava a família que vive em Ponte Serrada para tentar a vida profissional no Paraguai. A jovem de 26 anos estava vivendo em Chapecó há dois anos, onde trabalhava em uma confeitaria que atendia toda a região Oeste de Santa Catarina. Ela permaneceu ali até que as oportunidades foram surgindo e a levaram para Salto Del Guairá.

 

Em um hotel chamado Exellent, Luiza passou a trabalhar com gastronomia, profissão na qual é formada e que se dedica há seis anos. Antes da mudança definitiva, Luiza passou dez dias nesse hotel, onde, por uma indicação de uma ex-aluna, foi contratada para fazer melhorias na alimentação do estabelecimento e também para ensinar a cozinheira, dando um tipo de curso intensivo à ela.

 

A chefe de cozinha conta que durante esse pequeno espaço de tempo, conseguiu organizar possibilidades de negócio, juntou ideias e a possível mudança definitiva para o Paraguai. Ela retornou para Chapecó para organizar tudo e, após 20 dias, embarcou no carro sozinha, com todas as malas, e trocou seu endereço.

 

Apesar do caos que atinge todo o mundo, e do Paraguai também sofrer com casos de coronavírus, já registrando três mortes confirmadas pela doença e ter 113 pessoas infectadas, Luiza ainda não conhecia muito o vírus, e quando se mudou, o isolamento ainda não estava acontecendo. Depois que ela já estava com os pés no novo país, as coisas começaram a mudar completamente.

 

“Eu cheguei no dia 10 e no dia 11 as escolas já não iam ter mais aulas, e eu não sabia quase nada do vírus e da pandemia. Depois, começaram as lojas fechando, no outro, a fronteira fechando, toque de recolher das 20 horas às 4 da manhã, e o governo começou com as medidas preventivas muito rápido e todo mundo acatando”, comenta.

 

Depois que começou o isolamento social, a chefe de cozinha passou a ficar somente no hotel, junto de um casal de hóspedes de Assunção, que também estava isolado no mesmo local.

 

Ela ficou no hotel por 15 dias, sem ter contato com outras pessoas. Depois que o casal foi embora, Luiza foi abrigada pela gerente do estabelecimento e deve permanecer por lá até que as coisas se normalizem.

 

O que era para ser trabalho se tornou uma rotina totalmente diferente para Luiza. Agora, ela usa o tempo que tem livre para ler, estudar para a pós-graduação, assistir séries e filmes, fazer exercícios, escutar música e dançar.

Luiza trabalhando com suas colegas (Foto: Arquivo pessoal)

Evitando os noticiários

 

Nos dias em que ficou acompanhada do casal de Assunção, Luiza evitou um pouco os noticiários e tentou não conversar a respeito do coronavírus e da situação em que o mundo está vivendo, com os novos amigos.

 

Segundo ela, essa decisão foi tomada para que os três não se sentissem mal nesse período de isolamento, onde todos estão longe das famílias e sentem saudade e preocupação com o que pode acontecer.

 

“É um pouco "assustador" pelo fato de ter sido muitas mudanças em pouco tempo. Vir para cá era o planejado, mas não era pra ficar em isolamento em um ambiente que você ainda não conhece. Procuro filtrar muito o que leio na internet, escuto na TV ou nas redes sociais. Eu tô mantendo o pensamento positivo para deixar as coisas mais leves”, enfatiza.

 

Toque de recolher

 

O que antes era um toque de recolher “noturno”, hoje se torna algo mais avançado no Paraguai. Luiza explica que onde ela está vivendo, o toque de recolher passou a ser das 14 horas, até às 8 horas da manhã, onde ninguém pode circular pelas ruas.

 

Se alguém descumprir as ordens, os moradores estão sujeitos a receber uma multa.

 

“Passa carros a todo o momento falando sobre os riscos e que é para ficar em casa. Eles passam com auto-falantes orientando as pessoas a ficarem em casa e alertando a gravidade, geralmente ali pelas 14 horas que era o horário que começava o toque de recolher”.

Comemoração do aniversário de Luiza (Foto: Reprodução)

Festa de aniversário à distância

 

Nesta segunda-feira, dia 6, Luiza Dalla Vecchia completou 26 anos e não pôde estar com a família para comemorar mais um ano de vida. Apesar disso, a mãe Neiva, o pai Rose, e as duas irmãs, Gabriela e Bethania, através de uma chamada de vídeo, comemoraram o aniversário da caçula atrás de uma tela de celular.

 

“Foi total surpresa, jamais imaginava. Desde início do ano eu comentava que eu faria uma festinha pra mim, porque eu não sou muito empolgada com isso, mas que esse ano eu queria algo diferente, e elas me surpreenderam com a ligação”, festeja Luiza, que recebeu um café da manhã especial dos donos da casa onde está hospedada.

 

Com direito a bolo – que Luiza não pôde comer – a família cantou a música popular de aniversário e desejaram felicitações.

 

“A gente resolveu fazer uma "festa" surpresa para dar uma força para ela. Estamos vivendo uma situação tensa e achamos que esse carinho faria bem a ela”, comentou a mãe Neiva Dalla Vecchia.


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