Saião, flor de mamão, pata-de-vaca: os riscos dos tratamentos caseiros contra a diabetes

Especialistas alertam para o uso de chás, sucos e farinhas de plantas como substitutos para controlar a doença e recomendam evitar soluções caseiras e procurar um médico

29/07/2019 14:13



No mundo, estima-se que 500 milhões de pessoas tenham diabetes. Em 2040, segundo a International Diabetes Federation (IDF), serão 642 milhões.

 

O Brasil é o quarto país com mais portadores da doença: são cerca de 13 milhões - daqui 21 anos, deverão ser 23,2 milhões de brasileiros diabéticos-, sendo que metade não sabem disso e, dentre quem sabe, mais de 70% não têm os níveis de glicose controlados.

 

Além da falta de adesão ao tratamento, que exige uma série de mudanças nos hábitos de vida e atenção total com a medicação, uma questão preocupante é que os pacientes, não raramente, optan por soluções caseiras e receitas encontradas na internet como opções de tratamento para combater a enfermidade.

 

Pela internet, o que muitos recomendam é que é possível controlar a glicemia no sangue por meio do consumo regular de chás, sucos e farinhas de plantas, como a chamada 'insulina vegetal' (Cissus sicyoides L.), flor de mamão, jambolão (Syzygium cumini), saião ou folha-da-fortuna (Kalanchoe brasiliensis Camb.), Noni (Morinda citrifoli), pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e moringa (Moringa oleifera).

Anvisa proibiu a fabricação, a importação, a comercialização, a propaganda e a distribuição de alimentos com a moringa (Foto: Pixabay)

Mas será que isso é verdade?

 

De acordo com Marlice Marques, nutricionista do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a resposta é não. A recomendação dos especialistas consultados pela BBC News Brasil é evitar as soluções caseiras, para não agravar a enfermidade, e sempre buscar a orientação de um endocrinologista ou clínico geral para fazer o tratamento correto.

 

A especialista pontua que, até agora, poucos estudos foram realizados sobre o tema, e a maioria em animais. "Os raros testes em humanos foram feitos com poucas pessoas e em poucos dias. Eles ainda são inconclusivos e apresentam metodologias e resultados controversos", acrescenta.

 

Um exemplo que ela cita é a da planta moringa, alvo de proibição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em decisão anunciada em junho.

 

"Em pesquisas feitas com ratos, há a hipótese de que a planta, por possuir antioxidantes e compostos bioativos que influenciam na imunidade e na atividade anti-inflamatória, pode melhorar a resistência à insulina, a tolerância à glicose e prevenir algumas complicações do diabetes, porém, os benefícios reais em humanos não foram constatados", disse a agência.

 

A Anvisa suspendeu no dia 4 de junho deste ano a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação e a propaganda de produtos contendo a moringa em todo o país, em quaisquer formas de apresentação, como chás e cápsulas, e também do próprio insumo.

 

A farinha de moringa costuma ser informalmente recomendada, além da diabetes, para o tratamento de colesterol elevado, pressão arterial elevada, aterosclerose e envelhecimento precoce.

Do G1


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