Pesquisa liderada por brasileiros aponta que hormônio pode reverter perda de memória causada pelo Alzheimer

Irisina, produzida pelos músculos durante exercício físico, teve efeito positivo contra a doença em camundongo

07/01/2019 17:11



Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) conseguiram estabelecer uma relação entre os níveis de irisina, um hormônio produzido pelo corpo durante exercícios físico, e um possível tratamento para a perda de memória causada pela doença de Alzheimer. 

 

Os testes foram feitos em camundongos com a doença — que produziam o hormônio ao fazer exercícios ou recebiam doses dele. Os autores explicam que três novidades foram descobertas:

 

Existem baixos níveis de irisina no cérebro de pacientes afetados pelo Alzheimer. Essa mesma deficiência foi vista nos camundongos que foram usados como modelo no estudo.

 

A reposição dos níveis de irisina no cérebro, inclusive por meio de exercícios físicos, foi capaz de reverter a perda de memória dos camundongos afetados pelo Alzheimer.

 

A irisina é o que regula os efeitos positivos do exercício físico na memória dos camundongos.

 

Algumas outras funções da irisina em vários órgãos do corpo já eram conhecidas, como a de regular o metabolismo do tecido adiposo e até de processos que acontecem nos ossos.

 

Para os autores Mychael Lourenço e Fernanda De Felice, ambos da UFRJ, as descobertas reforçam a importância dos exercícios físicos no combate à doença. Além disso, lembram, o fato de a irisina ser produzida pelo próprio organismo diminui as chances de efeitos colaterais, o que dá esperança para novos tratamentos.

 

"É diferente de uma droga desenvolvida em laboratório, por exemplo, porque se sabe menos ainda sobre o que pode causar de efeito colateral. Infelizmente não há um tratamento para Alzheimer que funcione, então a busca é muito importante", diz.

 

Para De Felice, a novidade foi perceber os efeitos benéficos no cérebro tanto da irisina que foi aplicada nos camundongos como daquela produzida com exercícios físicos.

 

"Nossas descobertas reforçam a importância da atividade física para prevenir a perda de memória e doenças do cérebro, inclusive a doença de Alzheimer, já que mostramos que a administração de irisina consegue mimetizar, ao menos em modelos animais, os efeitos do exercício físico no cérebro", avalia.

 

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa causada pela morte progressiva de células do cérebro, prejudicando funções como memória, atenção, orientação e linguagem. A doença não tem cura.

Estudo liderado por brasileiros mostrou que irisina pode reverter problemas de memória em camundongos com Alzheimer (Foto: Julim6/Pixabay)

Descoberta

 

Os cientistas levantaram a hipótese de que a irisina poderia ser importante para a doença de Alzheimer há sete anos, quando o hormônio foi descoberto por um pesquisador de Harvard. Ficou constatado que ele melhorava os sintomas de diabetes tipo dois em camundongos.

 

"Nós sabíamos que quem tem diabetes tipo dois tem mais chances de desenvolver Alzheimer, e isso ficou muito tempo sem muita explicação", esclarece Mychael Lourenço. "Estudos de vários laboratórios mostraram que, ao que parece, os mecanismos que atuam no corpo para gerar a diabetes tipo 2 são muito parecidos com os que atuam no cérebro para causar Alzheimer", explica o pesquisador.

 

Daí surgiu, então, a possibilidade de que o hormônio pudesse ter algum efeito protetor sobre o cérebro. "Felizmente, conseguimos achar essa relação", diz Lourenço.

 

Ao todo, o estudo foi feito por 25 cientistas de diversos países, com participação das universidades de Columbia e do Kentucky, nos EUA, da Queen's University e da Universidade do Oeste de Ontário, no Canadá, e ainda da Fiocruz e do Instituto D'Or, ambos no Rio.

Do G1


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