Marcapasso cerebral promete acabar com tremores e convulsões causados por Mal de Parkinson

Ao detectar anormalidade, dispositivo monitora atividade elétrica e gera corrente para estimular áreas do cérebro, evitando, assim, movimentos involuntários indesejados

Por Oeste Mais

10/01/2019 15:37 - Atualizado em 10/01/2019 15:37



No mundo, mais de seis milhões de pessoas sofrem de Parkinson, cujo sintoma mais visível são os tremores. É a segunda doença neurodegenerativa mais frequente após o Mal de Alzheimer.

 

Outros 50 milhões têm epilepsia, que é caracterizada por convulsões. É, segundo a Organização Mundial de Saúde, um dos distúrbios neurológicos mais comuns.

 

Mas agora um novo dispositivo, chamado WAND, traz esperança às pessoas afetadas por estas doenças neurológicas: ele promete ser "extremamente eficaz" para evitar tremores e convulsões.

 

Este neuroestimulador, desenvolvido por cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, é capaz de monitorar a atividade elétrica e, simultaneamente, fornecer energia para estimular certas regiões do cérebro se detectar que há uma anormalidade.

 

Definido como um "dispositivo sem fio de neuromodulação sem artefatos" ("wireless artifact-free neuromodulation device", do qual deriva a sigla que forma seu nome), o WAND monitora a atividade cerebral em 128 pontos ao mesmo tempo, algo que o diferencia dos aparelhos existentes até agora, que chegavam a detectar apenas oito sinais.

 

"Queremos que o chip saiba qual é a melhor maneira de estimular o cérebro em um determinado paciente. E isso só pode ser feito por meio do controle e gravação de sua atividade neural", explica Rikky Muller, professor assistente de engenharia elétrica e ciência da computação na Berkeley.

 

Ajustes necessários

 

Os sinais elétricos que precedem um tremor podem ser extremamente sutis, de modo que a frequência e a intensidade da estimulação elétrica necessária para evitá-lo são delicadas.

 

Para testar a eficácia do neuroestimulador, a equipe de pesquisa usou-o para identificar e atrasar o movimento de um braço em primatas.

 

O WAND é sem fio e autônomo, o que significa que, quando aprende a identificar sinais de tremor, ajusta os parâmetros de estimulação elétrica por conta própria para evitar movimentos involuntários.

 

"No futuro, nosso objetivo é criar dispositivos inteligentes que possam descobrir a melhor maneira de tratar o paciente e impedir que o médico tenha de intervir constantemente no processo", disse Muller.

 

A equipe de engenharia espera trabalhar com médicos nos próximos passos para fazer "pequenos ajustes", mas alerta que ainda pode levar anos para que o dispositivo seja vendido.

Com informações do G1


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