Cura para o vício em cocaína pode ser um biochip, dizem pesquisadores

Geneticistas desenvolveram implante de células-tronco que poderia ajudar a anular o efeito da droga no corpo humano e prevenir overdoses

25/09/2018 17:25



Aprimorar o corpo humano com implantes, modificações genéticas e dispositivos tecnológicos parece ser um caminho inevitável na estereira da evolução humana. Uma prova disso é a nova terapia genética para curar a dependência de drogas criada por pesquisadores da Universidade de Chicago e apresentada na prestigiada revista cientifica Nature.

 

A técnica utiliza implantes carregados com células-tronco que foram geneticamente modificadas para liberar uma enzima que decompõe a cocaína da corrente sanguínea. Isso evitaria o efeito viciante da droga e impediria overdoses.

 

Para criar a tecnologia os pesquisadores reescreveram o DNA das células-tronco da pele de camundongos para fazê-los produzir uma forma modificada da enzima butirilcolinesterase (BChE, na sigla em inglês), responsável por decompor a cocaína na corrente sanguínea. A versão geneticamente criada é 4,4 mil vezes mais potente que a enzima natural, o que torna o efeito muito mais forte e capaz de anular o narcótico quase instantaneamente. 

 



Eles calcularam que aglomerados dessas células modificadas, chamadas organoides, poderiam ser implantados sob a pele para agirem assim que necessário. Em testes realizados em laboratório, ratos que  receberam os implantes perderam o apetite por cocaína e sobreviveram a altas doses que mataram 100% dos roedores que não ganharam o mesmo dispositivo. 

 

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor da pesquisa Ming Xu afirmou que esse trabalho aumenta as esperanças de um tratamento a longo prazo para o vício, que funciona como uma “limpeza” do organismo assim que as substâncias são injetadas, inaladas ou ingeridas.

 

“Em comparação com outras terapias gênicas, nossa abordagem é minimamente invasiva, de longo prazo, com baixa manutenção e acessível. É muito promissor ”, declarou.

 

Xu acredita que o método tem potencial para ser a primeira intervenção aprovada pela FDA para tratamento da dependência de cocaína. Estudos de laboratório sugerem que implantes similares para humanos poderiam liberar BChE por até trinta anos e assim proteger pessoas viciadas por décadas.

 

“Nós não observamos efeitos colaterais no momento, mas vamos estudá-los com cuidado”, disse Ming Xu.

Da Veja


COMENTÁRIOS

Os comentários neste espaço são de inteira responsabilidade dos leitores e não representam a linha editorial do Oeste Mais. Opiniões impróprias ou ilegais poderão ser excluídas sem aviso prévio.