Cérebro das mulheres é, em média, 4 anos mais jovem que o dos homens

Diferença na idade metabólica cerebral explicaria por que mulheres idosas sofrem menos com males como Alzheimer

10/02/2019 10:22


Você sabia que nem sempre a idade cronológica condiz com a maneira como nosso cérebro funciona? É possível que a massa cinzenta de uma pessoa de 70 anos seja equivalente à de alguém com 65, por exemplo – principalmente se for uma mulher.

 

Pelo menos é o que aponta um estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, na última segunda-feira, dia 4. Segundo a pesquisa, o cérebro feminino chega a ser quatro anos mais jovem que o masculino.

 

Essa discrepância surge no início da vida adulta e permanece inalterada com o passar dos anos, até a velhice. Para fazer essa análise, os cientistas usaram a técnica da tomografia por emissão de pósitrons a fim de avaliar o fluxo de oxigênio e glicose nos cérebros de 121 mulheres e 84 homens, com idades entre 20 e 82 anos.

 

“O metabolismo cerebral muda de acordo a idade, mas o que nós notamos foi que boa parte da variação deve-se a diferenças de sexo”, disse ao jornal The Guardian o neurobiólogo Marcus Raichle, da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis. Os pesquisadores ainda não sabem, no entanto, quais são as consequências desse fato.

Estudo foi publicado em periódico norte-americano no início da semana (Adam Gault/Getty Images)

Exames como o utilizado no estudo permitem mensurar o nível de um processo chamado glicólise aeróbica, muito intenso no desenvolvimento cerebral de bebês e crianças. Ele vai diminuindo com o tempo até se estabilizar em níveis bem baixos, após os 60 anos. Para definir as diferenças entre os sexos, os pesquisadores elaboraram um algoritmo que classifica a idade das pessoas com base nos resultados nas análises cerebrais.

 

No caso dos homens, o programa indicou a mesma idade cerebral e cronológica, enquanto o cérebro das mulheres mostrou-se 3,8 anos mais jovem que suas idades reais. “O grande mistério é o porquê”, disse Raichle. “Talvez as mulheres já comecem com essa diferença e ela seja perpetuada a longo da vida.”

 

Quanto aos efeitos disso, ainda é preciso investigar mais a fundo se uma menor atividade metabólica em determinadas regiões da massa cinzenta aumentaria o risco de desenvolver perda de memória, problemas cognitivos ou doenças degenerativas, como Alzheimer. “Mas se a glicólise aeróbica for de alguma maneira protetora, e o cérebro perder algum elemento dela, isso poderia representar um problema”, destaca o pesquisador.

 

Mesmo que as causas, as consequências e o significado da constatação permaneçam um mistério, esses achados são um indício do motivo de vermos muito mais idosos homens com algum grau de déficit na cognição. “Pode ser a razão pela qual as mulheres não experimentam tanto declínio cognitivo em idades mais avançadas: seus cérebros são efetivamente mais jovens”, disse a radiologista Mani Goyal, autora principal do artigo.

Da Super Interessante


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