Pesquisador da UFSC desenvolve protótipo de embalagem para proteger maçãs contra bolor azul

Fungo é um dos fatores que podem provocar o apodrecimento após a colheita da fruta

Por Oeste Mais

05/03/2020 08h13 - Atualizado em 17/04/2020 14h39


Protótipo da embalagem desenvolvida na UFSC (Foto: Arquivo pessoal)

Um pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) criou um protótipo de embalagem com óleos essenciais que pode ajudar a controlar a contaminação de maçãs durante armazenagem e comercialização pelo bolor azul. A doença é provocada pelo fungo Penicillium expansum, que apodrece a fruta após a colheita. O estado é o maior produtor da fruta no país.

 

As perdas de maçãs por apodrecimento durante o transporte e a exposição nos mercados e domicílios dos consumidores podem chegar a 20%. As doenças bolor azul e podridão-olho-de-boi são duas das principais causas. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) aplica atualmente diferentes estratégias para diminuir o problema.

 

A pesquisa da embalagem, que recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Tese de 2019, é do engenheiro agrônomo Argus Cezar da Rocha Neto, 33 anos, e foi feita durante o doutorado dele em biotecnologia e biociências pela UFSC. O protótipo demorou três anos para ser desenvolvido.

 

Atualmente professor no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), Rocha Neto disse que pesquisa maçãs desde que começou a iniciação científica e que o protótipo foi criado considerando investigação anterior feita por ele sobre a necessidade de novas tecnologias associadas à manutenção do fruto após a colheita.

 

Na atmosfera controlada, são monitoradas em câmaras de armazenamento as concentrações de oxigênio e gás carbônico. Já os óleos essenciais são compostos extraídos das plantas, podendo ser usados de diferentes formas contra diversos tipos de fungos.

Pesquisador Argus Rocha Neto (à direita) desenvolveu parte da pesquisa nos Estados Unidos (Foto: Arquivo pessoal)

A pesquisa começou e foi finalizada na UFSC, mas uma parte do trabalho foi desenvolvida na Michigan State University, nos Estados Unidos. O trabalho indicou que os óleos de palma rosa, árvore-chá e anis-estrelado apresentaram os melhores resultados contra a doença.

 

"Eles atuam diretamente na membrana plasmática do fungo que provoca o bolor azul, causando a quebra da mesma e, assim, causando o extravasamento do conteúdo intracelular para o meio extracelular. Assim, o fungo acaba morrendo", explicou o doutor.

 

Questionado se chegou a ser procurado por alguma empresa ou instituição interessada na descoberta, ele disse que houve conversas nesse sentido, "mas não com empresas em Santa Catarina, apesar do alto volume de maçãs", e frisou que ainda é preciso continuar pesquisando.

 

"Ao final do projeto, o que fiz foi um protótipo, e não um produto acabado. Nesse sentido, novas investigações precisam ser realizadas para afinar a pesquisa e, desta forma, concluir um produto de fato", explicou.

Com informações do G1

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