Youtubers do Palácio da Alvorada tem causado “problemas” ao presidente Bolsonaro

Major da Aeronáutica Emílio Kerber e o capitão da reserva da Marinha Winston Lima decidiram virar youtubers

Por Oeste Mais

14/10/2019 10:54 - Atualizado em 14/10/2019 11:24



Winston Lima exibe seu aparelho celular, ferramenta de trabalho que costuma utilizar nas transmissões ao vivo (Foto: Dida Sampaio/Estadão)

Dois militares têm agitado as manhãs na portaria do Palácio da Alvorada. O major da Aeronáutica Emílio Kerber e o capitão da reserva da Marinha Winston Lima decidiram virar youtubers.

 

Ao longo da semana, eles se revezam na tarefa voluntária de fazer gravações ao vivo da saída do presidente Jair Bolsonaro da residência oficial e animar o público presente no local, mas também têm conseguido aumentar os problemas políticos do Planalto.

 

Disfarçados de turistas, a dupla tem conseguido registrar sussurros e frases ditas ao pé do ouvido pelo presidente aos simpatizantes e assessores. Kerber e Lima chegam às primeiras horas do dia para registrar quem abraça e tira fotos com o presidente, sempre transmitido ao vivo, sem cortes.

 

Na quarta-feira passada, dia 9, Lima gravou o momento em que um estudante de 19 anos disse, com a câmera do celular ligada, que era pré-candidato do PSL a vereador no Recife e o presidente, no ouvido dele, cochichou para “esquecer” o partido. De frente para o celular, o apoiador afirmou: “Eu, Bolsonaro e Bivar (Luciano Bivar, presidente do PSL), juntos por um novo Recife”.

 

A câmera do capitão da Marinha ainda registrou o presidente reclamar com o estudante: “Cara, não divulga isso, não. O cara (Bivar) está queimado para caramba lá. Vai queimar o meu filme também, entendeu? Esquece esse cara, esquece o partido”. Aparentemente, Bolsonaro não sabia que estava ao vivo na live dos youtubers.

Ao que tudo indica, Bolsonaro não sabia que estava ao vivo na live dos youtubers (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Os ajudantes de ordem do presidente também costumam gravar estes encontros, que chegam às mídias sociais da Presidência depois de editados. No dia 27 de setembro, foi a vez de Kerber gravar outro vídeo que gerou polêmica. Um visitante insistia para entregar o currículo ao presidente. “Me ajuda, Bolsonaro, por favor”, pedia o homem não ouviu o presidente dizer a um dos segurança: “Só pelo bafo não vai ter emprego”. A câmera do militar youtuber, mais uma vez, flagrou as palavras do presidente Bolsonaro que viralizou nas redes e obrigou o presidente a se explicar.

 

Juntos, Kerber e Lima já têm um canal com 2.540 inscritos e mais de 200 mil visualizações. Eles conseguem os “furos de reportagem” porque se posicionam no local reservado aos turistas e de acesso proibido à imprensa. A meta é, por meio de polêmicas de Bolsonaro, aumentar o número de seguidores.

 

“Todos os dias que sabemos que ele estará lá, nós vamos e fazemos a live”, disse Lima. Ele diz que se considera um “ativista político”. Na última eleição, os dois youtubers apoiaram Bolsonaro e tentaram a sorte na política, mas terminaram derrotados. Kerber tentou uma vaga de deputado federal, enquanto Lima se candidatou a deputado distrital em Brasília. 

 

No início da última semana, o major da Aeronáutica foi confundido como jornalista pelo próprio Bolsonaro, ao ser questionado sobre a importância da reforma da Previdência. O presidente perguntou a Kerber se ele era repórter. O major se identificou como youtuber entregando um panfleto do canal.

 

No caso do major, ainda na ativa, essa função de youtuber é vetada pelo regulamento militar.

Com informações do Estadão


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