Criança de cinco anos morre ao cair de prédio no Nordeste; patroa da mãe é autuada por homicídio culposo

Miguel Otávio, de cinco anos, foi socorrido ainda com vida, mas não resistiu aos ferimentos

Por Oeste Mais

04/06/2020 14h07


Um menino de cinco anos morreu, nesta terça-feira, dia 2, após cair do nono andar de um prédio no Centro de Recife, capital pernambucana, no Nordeste brasileiro. Segundo a Polícia Militar, o caso ocorreu às 13 horas, no condomínio em que a mãe da criança trabalhava.

 

Miguel Otávio Santana da Silva era filho de uma empregada doméstica. O perito criminal André Amaral, que esteve no local para as primeiras investigações, informou que é possível informar a altura da queda. "Ele caiu de uma altura aproximada de 35 metros", afirmou o profissional.

 

Para Amaral, os vestígios apontam para um acidente. "Fizemos o levantamento do local, constatamos alguns elementos materiais e verificamos que se trata de uma natureza da acidental", declarou.

 

A perícia identificou, por meio das imagens de câmeras de segurança, que ele apertou diversos botões do elevador. "Disseram que ele estava procurando a mãe", lembrou o perito.

 

A PM informou, por meio de nota, que a vítima foi socorrida pela mãe e por um médico, que mora no edifício.

 

No momento em que foi socorrida, a criança ainda estava viva, mas morreu logo em seguida. Ela foi levada para o Hospital da Restauração, também na região central da capital pernambucana.

 

De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), uma ocorrência foi gerada às 13h23. Uma Unidade de Suporte Avançado e outras equipes chegaram ao local as 13h28, mas a criança já tinha sido socorrida.

 

A Polícia Militar, a Polícia Civil e o Instituto de Criminalística foram acionados para a ocorrência. O delegado Ramón Teixeira, titular da Delegacia Seccional de Santo Amaro, deu início às investigações ainda na terça-feira.

Miguel Otávio, de cinco anos, caiu de nono andar de prédio no Recife (Foto: Reprodução/Facebook)

Após o começo das investigações, a empregadora da mãe do menino foi autuada por homicídio culposo, quando não é considerado intencional. A polícia considerou que ela agiu com negligência e deverá responder ao processo em liberdade.

 

A mulher chegou a ser presa em flagrante, mas pagou fiança de R$ 20 mil e acabou sendo liberada na delegacia. Ela não teve o nome divulgado pela polícia. Um dia após a entrevista coletiva da polícia, a mãe do menino, Mirtes Renata, informou que os patrões são o prefeito de Tamandaré, município pernambucano, Sérgio Hacker, e a mulher dele, Sari Corte Real.

 

As informações sobre o indiciamento de Sari foram repassadas, nesta quarta-feira, dia 3, pelo delegado Ramón Teixeira, um dia depois do acidente ocorrido no conjunto conhecido como "Torres Gêmeas", no bairro de São José. O menino caiu após subir na área dos aparelhos de ar-condicionado, na ala comum do edifício do 9º andar, fora do apartamento.

 

Miguel Otávio,, passava o dia com a mãe, a doméstica Mirtes Renata, no apartamento dos empregadores, localizado no quinto andar do Condomínio Píer Maurício de Nassau.

 

Em entrevista coletiva, transmitida pela internet, a polícia informou que tudo indica que Miguel sofreu o acidente quando procurava pela mãe, que tinha saído para passear com o cachorro dos patrões.

 

Na coletiva, o policial afirmou que a moradora teve participação no caso. De acordo com o delegado, a dona do apartamento, patroa da mãe de Miguel, "era a responsável legal pela guarda momentânea" do menino.

 

Ainda segundo o delegado, é um caso típico previsto no Artigo 13 do Código penal, que trata de ação culposa, por causa do não cumprimento da obrigação de cuidado, vigilância ou proteção.

 

"Ela tinha o dever de cuidar da criança. Houve comportamento negligente, por omissão, de deixar a criança sozinha no elevador", explicou.

Com informações do G1

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