Dia da Consciência Negra: números expõem desigualdade racial no Brasil

56,10% dos brasileiros se declaram negros, segundo pesquisa do IBGE

Por Oeste Mais

20/11/2019 10h34 - Atualizado em 17/04/2020 14h39


56,10% das pessoas se declaram negras no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE. Dos 209,2 milhões de habitantes do país, 19,2 milhões se assumem como pretos, enquanto 89,7 milhões se declaram pardos. Os negros, que o IBGE conceitua como a soma de pretos e pardos, são, portanto, a maioria da população. A superioridade nos números, no entanto, ainda não se reflete na sociedade brasileira.

 

Embora, pela primeira vez, os negros sejam maioria no ensino superior brasileiro, eles ainda são minoria nas posições de liderança no mercado de trabalho e entre os representantes políticos no Legislativo. Também são uma parte pequena da magistratura brasileira.

 

Entre aqueles que não têm emprego ou estão subocupados, negros são a maior parte. Também são a maior parte entre as vítimas de homicídio e compõem mais de 60% da população carcerária do país. Negros também são sub-representados no cinema, sendo minoria entre os vencedores e os integrantes de júris de premiações.

 

No dia 20 de novembro se celebra o Dia da Consciência Negra. A data coincide com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder quilombola e um dos principais símbolos da luta negra no Brasil. A data relembra a introdução dos negros na sociedade brasileira e o fim da escravidão no Brasil.

 

Em entrevista ao Globo Esporte, a ginasta brasileira, Daiane dos Santos, contou que no primeiro clube que ela entrou "tinha mães de meninas e as próprias meninas que não queriam ficar perto" dela. De acordo com a ginasta as pessoas  "não queriam lavar as mãos no mesmo banheiro, frequentar o mesmo ambiente. De alguma forma queriam me mostrar que aquele não era o meu lugar. E tinham treinadores que não queriam me treinar."

 

Segundo Daiane ela ouvia com frequência perguntas do tipo: "Por que você quer fazer ginástica? Por que você não faz atletismo? Acho que você é muito forte, muito potente. Por que não vai para um esporte de potência e velocidade? Como se a ginástica não fosse".

 

Daiane fdisse ainda durante a entrevista que é muito importante ela poder ser o exemplo para todas as meninas, não apenas as negras. E finalizou dizendo que "é muito bacana sermos reconhecidos apenas pelo talento e esforço, independentemente da cor da nossa pele. É isso que eu desejo para hoje, que a gente possa por a mão na nossa consciência."

Ginasta foi entrevistada pelo Globo Esporte (Foto: Divulgação)

Com informações da Folha de São Paulo

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