Sobe para 15 o número de mortes em desabamento de morro no Rio de Janeiro

Criança de três anos morreu no hospital após ser resgatada com vida dos escombros

12/11/2018 07h57 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



Subiu para 15 o número de mortos no desabamento do Morro da Boa Esperança, em Niterói no Rio de Janeiro. A vítima mais recente é o menino Arthur Caetano Carvalho, de três anos. Ele foi uma das 11 pessoas resgatadas com vida dos escombros e estava internado, em estado grave, no Hospital Estadual Azevedo Lima, que confirmou a morte em nota.

 

“A direção do Hospital Estadual Azevedo Lima informa que o paciente Arthur Caetano Carvalho foi a óbito às 12h59 deste domingo, após apresentar piora de seu quadro clínico e consequente parada cardíaca, com múltipla falência dos órgãos. A família do paciente foi acolhida pela equipe da unidade e recebeu todas as informações sobre o estado de saúde do paciente, que esteve gravíssimo nas últimas horas. Todos os procedimentos para reverter o quadro foram adotados, porém não houve resposta clínica do paciente”, informou o hospital.

Vítimas foram soterradas quando uma rocha se partiu, levando junto casas, árvores e muita lama (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Com isso, a lista de mortos foi ampliada: Arthur Caetano Carvalho, três anos; Nicole Caetano Carvalho, dez meses; Marcos Antony Martins de Aguiar, nove anos; Maria Madalena Linhares de Resende, 54; Kaíque da Silva Resende, um ano e dois meses; Dalvina Marins, sem idade confirmada; Alan Ferreira Teles, 29; Amanda Tomaz da Silva, sem idade confirmada.

 

A família Martins foi a mais afetada, com a perda de sete pessoas: Géssica Martins Firmino, 15; Maria Aparecida Martins Viana, 19; Claudiomar Dias Martins, 37; Janete Martins Ferreira, 53; Marcos Antônio Martins Aguiar, nove; Maria do Carmo, 80; e Beatriz Martins Pereira, 18.

 

Sobreviventes

 

Na Escola Municipal Portugal Neves, transformada em local de abrigo, alimentação e doações para as vítimas, Janice Martins estava em um canto, sendo consolada a todo o momento. Ela perdeu boa parte da família: mãe, irmã, cunhado e quatro sobrinhos. “Meu coração não está machucado, moço. Está estraçalhado”, limitou-se a dizer ela, pedindo para não falar mais nada e se encolhendo, como se quisesse se proteger da presença de todos que a rodeavam.

 

No alto do morro, enquanto máquinas e operários faziam os trabalhos de limpeza da área, vizinhos lamentavam a perda de tantas vidas, pessoas com quem conviveram por muitos anos e a quem conheciam pessoalmente. “Eu acordei assustado. Parecia que estava acabando o mundo. Estava tudo escuro. Eu e o meu filho saímos para salvar o povo. Salvamos uns cinco, mas o resto morreu”, relatou o pedreiro José Teixeira, que mora bem em frente ao desastre e viu a lama arrebentar o seu portão e inundar a garagem da casa.

 

Outros comentavam que só estavam vivos por sorte, pois recém tinham chegado em casa, momentos antes do desabamento. “Nós demos sorte, pois chegamos em casa e a barreira caiu em seguida. Eu conhecia o pessoal que morava ali há 30 anos. Não quero mais tocar neste assunto. Desculpe. Foi muito pesado”, disse Cristina, que também mora em frente ao local da tragédia. Muito emocionada, ela preferiu não dar o sobrenome e encerrou a entrevista aos prantos.

Da Agência Brasil


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